Ambition trava briga de gigantes com o Jaguar XE

Rafaela Borges

Quando a nona geração do A4 desembarcou no Brasil, no início do ano, houve certa decepção. O modelo alemão chegou sem algumas tecnologias que são os diferenciais do carro. Agora, a Audi se redimiu: a recém-lançada versão Ambition traz, entre os opcionais, sistemas que possibilitam sua condução semiautônoma.

Além disso, o motor 2.0 turbo gera 252 cv, o que garante desempenho para lá de empolgante. Neste comparativo, o sedã médio encara um concorrente de forte apelo emocional, o Jaguar XE, que é importado da Inglaterra.

Um primeiro olhar aponta vantagem para o britânico. Além de ter visual mais chamativo – design, aliás, é um dos maiores trunfos dos carros da marca –, custa bem menos que o rival. A versão R-Sport, com motor 2.0 turbo de 240 cv, tem tabela a partir de R$ 217.460, ante os R$ 244 mil do A4 Ambition. Mas, quando a essência de cada um começa a surgir, o alemão mostra suas armas para sagrar-se campeão do duelo.

O Audi anda mais. Bem mais. Além de ser mais potente, tem torque superior – 37,7 mkgf, ante os 34,4 mkgf do Jaguar – e câmbio mais rápido – automatizado de duas embreagens e sete marchas; no XE, a transmissão, também muito boa, é automática de oito velocidades. As respostas do A4 quando se pisa forte no pedal do acelerador são como uma patada. O A4 reage prontamente tanto em acelerações partindo da imobilidade quanto nas retomadas de velocidade.

O comportamento do XE é semelhante, mas o Jaguar demora mais a responder, como comprovam os números divulgados pelas fabricantes. O A4 acelera de 0 a 100 km/h em 5,8 segundos. O Jaguar precisa de 6,8 segundos para cumprir a mesma tarefa.

O alemão também é melhor no quesito estabilidade. Os dois têm suspensões muito bem ajustadas e respostas diretas do sistema de direção. Mas o A4 se destaca pela tração nas quatro rodas, que o deixa mais à mão. No XE, a força é enviada ao eixo traseiro, o que o torna um pouco indócil e, ao mesmo tempo, mais gostoso de guiar especialmente em curvas. Para garantir que o sedã permaneça sob controle do motorista, há vários recursos eletrônicos.

É no quesito tecnologia que o A4 mais se destaca. De série, nenhum dos dois traz sistemas muito inovadores. Mas o Audi se diferencia pelo painel virtual, totalmente configurável, que permite escolher que informações serão projetadas na tela que ocupa o lugar do quadro de instrumentos – podem ser mapas do navegador GPS, dados do sistema de som ou velocímetro e conta-giros, entre outras possibilidades.

Opcionalmente, os dois sedãs podem vir com controlador de velocidade de cruzeiro adaptativo (ACC) e leitor de faixas. Mas só no Audi esses recursos – entre outros – fazem parte de um sistema de direção semiautônoma. Por até 10 segundos, o carro pode rodar sem interferência do motorista. Ele é capaz até de fazer curvas sozinho.

Audi A4 e Jaguar XE têm cabines bonitas e bem acabadas. Na do Audi, a sensação de modernidade é mais forte e na do Jaguar o estilo é mais sofisticado. Nas duas há profusão de revestimentos de couro e alumínio.

As centrais multimídia se destacam nesses dois sedãs. A do A4 fica sobre o painel e a do XE é integrada ao conjunto. As duas combinam bem com as respectivas cabines e têm comandos bastante intuitivos – no alemão os controles ficam no console central e no britânico a tela é sensível ao toque.

No Audi, o sistema é de série, com direito à interação com smartphones por meio Android Auto e Car Play, da Apple. Já o Jaguar traz de fábrica o sistema de som de marca premium Meridien e conexão Bluetooth. Para ter direito à moderna InControl Touch, que inclui suporte às plataformas para smartphones, é preciso desembolsar R$ 4.816.

Outro opcional no XE é a possibilidade de mudar o comportamento de sistemas como suspensão e câmbio, que custa outros R$ 4.532. Para o A4, esse recurso é item de série.

No quesito conforto, os dois modelos têm bancos revestidos de couro com ajustes elétricos (para o motorista). Uma das vantagens do Jaguar é que o volante também pode ser regulado eletricamente. No A4, esse sistema é manual, mas achar a melhor posição é tão fácil quanto no três-volumes inglês.

No banco de trás, os dois acomodam bem duas pessoas. Os passageiros do A4 podem regular a temperatura interna – o ar digital é de três zonas.

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