No living

Concreto interior dá cara nova a ap de um velho prédio

Desprendida, a jornalista Thereza Pinheiro procura sempre realizar seus desejos. Há um ano, durante uma viagem de férias, ela sonhou que tinha um cachorro chamado Gostoso. Na volta, comprou um cão da raça lulu da pomerânia e o batizou com esse nome.

O mesmo aconteceu em 2013, quando ela decidiu se mudar para o prédio onde mora um grande amigo, em Higienópolis, São Paulo. Além da boa companhia, o apartamento de 190 m² despertou seu interesse por ser especial: fica no alto do Edifício Abaeté, projetado pelo arquiteto Abrahão Sanovicz, em 1963.

“É um prédio moderno histórico, com estrutura modular bem racional, que eu quis valorizar”, diz o arquiteto Gustavo Calazans, autor do projeto de reforma do imóvel. “Descasquei as colunas para expor a arquitetura, o que agrada a moradora”, acrescenta. Sem paredes externas, o apartamento é fechado por caixilho do teto ao chão, com painéis de vidro na parte superior e placas cimentícias na parte inferior.

“As janelas ao redor lembram a ponte de comando de um navio. Parece que se está flanando sobre a cidade”, diz Gustavo. O lado voltado para o norte, que é mais ensolarado, tem brises verticais que se projetam para fora quando abertos.

O ponto central do projeto é a estante de concreto, construída abaixo das janelas em volta de todo o living. Começa na sala de jantar, com prateleiras fechadas por portas e gavetões, como um bufê, e termina do outro lado, no escritório, com profundidade maior para a mesa de trabalho. Assim Thereza tem espaço para expor suas coleções de objetos, muitos comprados em viagens ao exterior, e organizar seus livros. “São a minha paixão”, afirma ela.

Como a jornalista mora sozinha com Gostoso, um dos três quartos foi aberto para ampliar o living. Em todos os ambientes, Gustavo partiu de uma base neutra, com piso de laminado na cor fendi, que, além de ser prático, conversa com o concreto aparente das colunas e da estante. O mesmo padrão foi escolhido para as portas dos armários.

Para destacar o volume da cozinha, o arquiteto usou tinta em tom verde-escuro e, para o bloco do hall social, o revestimento de madeira Maple. “Ficou uma caixa com uma fenda vertical e a porta de entrada escondida no painel”, explica Gustavo.

Na decoração, peças antigas e rústicas misturam-se às de design moderno, ao gosto da moradora, que já possuía a maioria dos móveis. “Thereza tem referências francesas e inglesas. O apartamento ficou com uma simplicidade europeia”, sintetiza.

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