Delator fala em propina de 15 mi e complica Temer

Marta Nobre

Novos trechos das delações dos dirigentes da JBS, que vazaram no início da tarde desta sexta, 19, voltaram a complicar a situação do presidente Michel Temer. Ainda quando vice-presidente, Temer teria recebido, em 2014, cerca de 15 milhões de reais em propina por ter defendido interesses do Grupo J&F, controlador do frigorífico JBS, dono da marca Friboi.

As informações, divulgadas pela edição virtual da Folha de S.Paulo, são atribuídas a Ricardo Saud, diretor de Relações Institucionais do conglomerado dos irmãos Joesley e Wesley Batista.

Essa nova revelação, que chegou logo cedo ao Palácio do Planalto, teria sido o motivo da suspensão de uma reunião que Temer teria com os comandantes militares e o ministro da Defesa Raul Jungmann, no meio da manhã. Há rumores inclusive de que o presidente estuda fazer um novo pronunciamento à Nação.

Temer e seus auxiliares estão desde cedo analisando ainda as gravações divulgadas na quinta-feira, 18, de sua conversa com empresário da JBS Joesley Batista, que gerou uma enorme crise no governo. A gravação da conversa faz parte do conjunto de provas da delação premiada de Joesley.

O sigilo da delação já foi levantado pelo ministro do Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato, mas ainda não foram tornados públicos, ao menos oficialmente, os depoimentos dos irmãos Batista. Os pedidos de investigação feitos pela PGR e as decisões de Fachin serão divulgados. Ainda não se sabe se serão divulgados todos os termos de colaboração e todos os documentos apresentados pelos delatores ou se alguma parte não será fornecida.

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