Dulce e Zely

Festa dos Estados mostrou racha entre mulheres dos chefes

José Escarlate

Brasília inteira já comentava à boca pequena o atrito que teria ocorrido entre a primeira dama, Dulce Figueiredo e Zely Lamaison, amigas de longa data. As colunas sociais farejavam as razões do afastamento. Enquanto isso, o governador do Distrito Federal, Aimé Lamaison, demonstrava ter sentido o golpe. Já não circulava com a antiga desenvoltura em eventos públicos e mostrava-se abatido nas reuniões sociais, onde sua ausência era notada.

Mesmo assim, tentava contornar da melhor forma possível o problema. Arrumava compromissos inadiáveis para deixar de comparecer a cerimônias que deveriam ter a presença de dona Dulce.

Uma das comemorações mais tradicionais de Brasília, a Festa dos Estados, em benefício da Casa do Candango, abriu o leque expondo claramente a todos que havia um distanciamento cada vez maior entre os dois casais de governantes. Tradicionalmente, a abertura oficial da festa tem a presença das esposas do presidente da República e do governador.

Para evitar o encontro, o cerimonial foi profundamente alterado. A solenidade de abertura da festa foi dividida em duas partes. Pela manhã, com a presença de Zely Lamaison, foi hasteada a bandeira de Brasília, com os acordes do hino da cidade. À tarde, dona Dulce e o presidente João Figueiredo participaram da cerimônia de abertura da Festa dos Estados com a execução do hino brasileiro e o hasteamento do pavilhão. A imprensa sentiu no ar cheiro de fritura.

A situação tornou-se extremamente constrangedora, para os dois lados. O Palácio do Planalto decidiu então por um termo na trama. O general Octávio Aguiar de Medeiros, que um ano antes havia participado do afastamento do então ministro da Comunicação Social, Said Faraht, recebeu a missão. Foi marcado um encontro entre ele e o governador Aimé Lamaison, durante o qual o ministro colocou as cartas na mesa. Disse que Lamaison deveria pedir demissão, sendo atendido na hora.

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