Heitor de Aquino sempre cuspiu no prato que comeu

E ainda era dedo-duro da pior espécie

José Escarlate

O episódio do Riocentro marcou duramente o general Golbery do Couto e Silva. “O Figueiredo que ajudei a fazer presidente não foi esse” desabafou. No dizer dos amigos, ele realmente não era mais o mesmo.

“Não reconheço mais o Figueiredo que conheci na vida”, comentou reservadamente o general António Bandeira, um dos líderes da linha dura, na noite de 2 de outubro de 1984, em um apartamento de hotel em Brasília.

A partir dai, aflorou o mau caratismo do Heitor Ferreira, um cara que nunca me enganou.

“Deve ter sido duro para ele continuar se olhando no espelho todos os dias quando fazia a barba”, bradava Heitor.

Dizendo-se amigo de Figueiredo, o desleal Heitor, secretário particular, costurava apoios para o candidato Paulo Maluf, a quem o presidente detestava.

De caráter duvidoso, depois de afastado do governo, Heitor alardeava, cuspindo no prato que comeu: “Figueiredo é um caso clínico. Físico, por causa de um acentuado processo de esclerose; psicológico, por causa do colapso que sofreu com o episódio do Riocentro”.

PV

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