Lilian Gonçalves, a criadora do Bar do Nelson

José Escarlate

Fevereiro de 1957 – Deixando uma pequena cidade no interior de Minas, dona Maria vendia uns bolinhos nas poeirentas ruas da Cidade Livre, que começava a brotar.

Um dia, nas suas andanças por aqui, JK circulou pela Cidade Livre e, como era comum a ele, provou e gostou dos bolinhos. Por impulso, convidou dona Maria a cozinhar no Catetinho, recém- inaugurado.

O presidente queria comidinha caseira e se encantou com uma galinhada que ela fez para ele. Catetinho foi a morada oficial de JK até junho de 1958, quando ficou pronto o Palácio da Alvorada e ele pôde se mudar.

A cozinheira tinha uma filha de cinco anos, fruto de um romance com forasteiro, em sua terra. Era Lilian, que dona Maria e JK tratavam por Lili.

Aos sete anos, Lili deixou o Catetinho com a mãe. Dona Maria foi trabalhar como cozinheira e lavadeira no núcleo da Agência Nacional, na 411 Sul. Como Brasília, a menina cresceu e, aos 14 anos, enganando idade, torna-se Miss Brasília, em 1969. Foi eliminada.

Contrariando o pai e os irmãos, com o dinheiro que ganhou nas primeiras etapas do concurso foi para a rodoviária, seguindo sozinha para São Paulo. Aqui, apanhava da mãe, alcoólatra, e os irmãos e fora estuprada por um parente.

Sem conhecer ninguém, andou pelas ruas com uma sacolinha de plástico com seus poucos pertences. Limpou pára-brisas de carros nos faróis – ou sinaleiras – para poder comer. Dormia numa pensão e arrumou emprego de garçonete no bar de um drive-in. Batalhou e conseguiu montar um bar, a “Birosca”, na região de Santa Cecília, no centro de São Paulo.

Bem-sucedida, descobriu, já adulta, ser filha do cantor Nelson Gonçalves, o forasteiro com quem dona Maria transara.

Em 1991, quando divulgou que era filha de Nelson Gonçalves, antes de ter qualquer problema com os outros nove filhos do cantor, apressou-se em tranquilizá-los. Disse que não fazia questão de sua parte na herança, pois tinha mais do que ele.

Foi quando fez nascer uma rede de bares da noite, aos quais deu o nome de “Bar do Nelson”.

PV

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