Onde as pessoas chegam, deixam o velho e levam o novo

Hairton Ponciano

Todos os dias, cerca de 500 pessoas (muitas acompanhadas de suas famílias) rumam para a pequena cidade de Wolfsburg, vindas de diversas partes da Alemanha. Algumas passam o dia, outras estendem a visita por um fim de semana. Passeiam, comem, visitam diversas atrações, eventualmente se hospedam no hotel e depois retornam para casa de carro novo.

Essa é a rotina na Autostadt, a Cidade do Automóvel, um imenso parque temático espalhado por uma área de 280 mil m². Autostadt fica bem ao lado da sede mundial da Volkswagen, às margens do canal Mittelland, e é considerado o maior centro de entrega de automóveis do mundo.

Na Alemanha, o cliente pode adquirir o veículo na concessionária e optar por retirá-lo pessoalmente na fábrica. Com isso, usa o dinheiro que seria gasto no frete (cerca de ¤ 300, equivalentes a uns R$ 1.000) para a viagem, alimentação, etc.

O maior símbolo do lugar, inaugurado em 2000, são as duas torres de vidro com 48 metros de altura (o equivalente a um prédio de 20 andares). Cada uma tem capacidade para guardar 400 carros.

Os veículos ficam em vagas que lembram gavetas até o momento da entrega aos donos, quando são transportados por elevadores, por meio de um sistema automatizado. Dali pode sair qualquer VW (mesmo os que não são feitos em Wolfsburg), além de modelos da Seat, marca espanhola que faz parte do grupo alemão.

As atrações vão muito além da entrega dos veículos. Aberto durante 363 dias por ano – fecha somente nos dias 24 e 31 de dezembro –, o espaço abriga shows de música e dança, por exemplo, o tempo todo.

No inverno, o lago congela e se transforma em rinque de patinação. Além disso, cada marca pertencente ao Grupo VW tem sua própria “casa”, com arquitetura que reflete a imagem da empresa.

As formas sinuosas no teto da construção no espaço da Audi remetem às curvas da pista de Le Mans, na França, onde a companhia das quatro argolas colecionou diversas vitórias. Da mesma forma, a imensa marquise do pavilhão da Porsche lembra a dianteira do esportivo 911.

Museu e hotel. Uma das atrações imperdíveis da Autostadt é o museu multimarca. No espaço não há apenas veículos feitos por empresas do Grupo Volkswagen (Porsche 911, Lamborghini Diablo e uma réplica do Bugatti Atlantic, entre outros), mas também carros históricos de outras fabricantes.

Um dos destaques é o Renault 16 de 1965, caracterizado pelo ótimo espaço interno e a versatilidade do interior. Há ainda uma Kombi Last Edition de 2013, a última série da van, que foi produzida no Brasil.

Também é possível testar diversos tipos de carro. As versões elétricas de Golf e Up! têm experimentação gratuita, enquanto Tiguan, Touareg e Amarok podem ser guiados em um circuito com obstáculos. Para o Tiguan o preço é de 25 euros (cerca de R$ 83) por pessoa. No caso de Touareg e Amarok, são 35 euros (R$ 116) cada.

No complexo há 13 restaurantes, sendo quatro no hotel de cinco estrelas Ritz-Carlton. Falando em estrelas, o Aqua, focado em frutos do mar, tem três no guia Michelin.

O ingresso na Autostadt custa 15 euros (R$ 50), valor que baixa para 6 euros (R$ 20) para estudantes e adolescentes até 17 anos.

Corvette. Não é só na Alemanha que o comprador de carros novos pode desfrutar de experiências exclusivas. Quem adquire um Corvette Z06 pode montar o motor do Chevrolet, assistido por um técnico da fábrica.

O programa custa US$ 5 mil (R$ 15,7 mil) e inclui um dia de “trabalho” no Performance Build Center, em Bowling Green, EUA. O V8 recebe uma placa com o nome do dono e vai para a linha de montagem onde será instalado no carro.

Audi e BMW também têm opção de entrega de veículos em suas fábricas, na Alemanha.

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