Lula, soberania brasileira e o papel de porta-voz do Sul Global

Redação
Redação
2 minutos de leitura
@donairene13 - Foto Ricardo Stuckert

O discurso de Lula na ONU nesta terça, 22, foi marcado por uma crítica dura ao cenário internacional. O presidente falou sobre soberania, democracia, guerras, desigualdade, mudanças climáticas, regulação das plataformas digitais e a necessidade de fortalecer o multilateralismo. Também afirmou que a ONU vive um de seus momentos mais críticos e que credibilidade dela está abalada pela incapacidade de impedir conflitos e proteger as populações mais vulneráveis.

Lula colocou o dedo na ferida ao falar de Gaza. Ele voltou a usar o termo genocídio para descrever o que acontece com os palestinos e condenou também a ocupação da Cisjordânia. Mas não limitou a crítica a Israel: apontou diretamente para o Conselho de Segurança da ONU e para sua responsabilidade diante da paralisia internacional. Lula criticou o poder de veto das grandes potências e afirmou que o mundo se tornou refém de um Conselho incapaz de cumprir plenamente seu papel.

Ao mesmo tempo, fez uma defesa firme da soberania brasileira. Criticou a interferência externa nos processos políticos da América Latina e resumiu sua posição em uma frase forte e que permanecerá na história: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”. Foi uma forma direta de dizer que proximidade geográfica ou poder econômico e militar não dão a nenhuma potência o direito de tratar o Brasil ou seus vizinhos como áreas de influência.

Foi um discurso que tratou de questões incontornáveis do momento atual e colocou a democracia no centro da mensagem. Lula defendeu eleições livres, soberania dos países e resistência à interferência externa, ao autoritarismo e à desinformação. Em um cenário internacional marcado por guerras, tensões entre potências e enfraquecimento das instituições multilaterais, sua fala apresentou a democracia, o diálogo e a cooperação entre os países como caminhos necessários para o futuro, cobrando da própria ONU capacidade de voltar a cumprir a missão para a qual foi criada.

Compartilhar
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *