A situação de Kassio Nunes Marques ficou ainda mais delicada com as novas revelações do caso Banco Master. Mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro mencionam uma chamada “Turma do KN”, expressão que seria uma referência ao ministro. Um escritório ligado a pessoas desse grupo firmou contrato que poderia render até R$ 427 milhões em honorários para atuar em processos envolvendo cerca de R$ 8,5 bilhões em precatórios de interesse do Master. Agora também foi revelado que Camilla Ramos, advogada ligada ao grupo e mulher do desembargador Newton Ramos, amigo de Kassio, tem visitado Vorcaro com frequência na prisão. O ministro nega ter pedido favores ao banqueiro ou ter atuado em benefício do Master.
Essas revelações se somam a uma lista já extensa de episódios que precisam ser esclarecidos. Mensagens indicaram que Vorcaro teria organizado uma hospedagem de luxo para um ministro chamado “KN” durante o Carnaval de 2025, em uma mansão no Rio de Janeiro anunciada por R$ 250 milhões. Outros diálogos citaram o filho de Kassio, Kevin Marques, em referência a pagamentos de R$ 500 mil por mês; Kevin reconhece ter recebido R$ 281,6 mil de uma consultoria, mas afirma que os valores eram por serviços tributários e não tinham relação com o Banco Master.
Há ainda mensagens sobre um suposto pagamento de R$ 10 mil relacionado a um encontro com uma mulher e a referência a “Kassio”, episódio que o ministro nega e cuja identificação não está comprovada. Também chamou atenção o fato de Kassio ter participado de um julgamento favorável à destilaria Alcídia, mencionado nas conversas de integrantes do Master, embora sua defesa sustente que a decisão tratava de uma tese geral e não de interesse específico do banco.
Nenhum desses fatos, isoladamente ou em conjunto, autoriza afirmar que Kassio Nunes Marques seja corrupto ou que tenha vendido decisões. Mas a sucessão de relações, benefícios alegados, negócios envolvendo pessoas próximas e referências ao seu nome cria um problema institucional que não desaparece simplesmente porque o ministro continua no cargo.
Kassio pode permanecer no STF, mas, sem uma apuração convincente e transparente dessas suspeitas, a pecha de juiz corrupto e parcial continuará sendo usada por seus críticos e poderá acompanhá-lo por muito tempo. E o dano não fica restrito a ele: quando dúvidas dessa dimensão envolvendo ministros não recebem respostas claras, é a própria imagem do STF que corre o risco de ser associada, por parte da sociedade, à falta de imparcialidade e integridade.

