Conforme a última e rabiscada pesquisa da Quaest/TV Globo/Jornal O Globo, o escandaloso caso de corrupção do Banco Master colou mais no clã Bolsonaro do que na família de Luiz Inácio. Politicamente, nada mais óbvio. É algo como o batom na costura interna da cueca e na pélvis. Aportuguesando os números, os contatos telefônicos, os fatos e os atos públicos e privados do ex-banqueiro Daniel Vorcaro fazem referência explícita a Flávio Bolsonaro e não a Lula da Silva. Até tentaram atingir ao presidente da República por meio do primogênito Lulinha. Não conseguiram.
Portanto, apesar de manter Lula empatado com Flávio Bolsonaro, o resultado da pesquisa revela como novidade o que a maioria do povo brasileiro já sabia. Como era esperado, só não viram ou não perceberam os que não querem ver ou perceber. Ou seja, tudo dentro da normalidade política estimulada pela extrema-direita para convencer seus seguidores de que, além de estarem à frente nas pesquisas, são os melhores para o país na atualidade.
Como o maior inimigo do conhecimento não é a ignorância, mas a ilusão do conhecimento, os que não são cegos e querem ver, sabem que não. São esses que, felizmente, continuarão fazendo do Brasil uma nação em que a paz, a solidariedade, o amor próximo e o bem-estar do povo permanecerão como prioridade social. Votar não é escolher somente quem vai defender pessoas que se parecem com a gente. No fim e ao cabo, votar significa decidir que tipo de país queremos construir.
Como não tenho vocação para a hipocrisia, sei que nem tudo são flores no Brasil. Entretanto, com a chegada da primavera e com a certeza de que a maioria dos brasileiros votará de forma serena e consciente, logo será. Nada contra os extremistas e os que preferem apostar no caos. Todavia, compartilhar uma notícia depois de ler apenas o título, sem conferir as informações do texto, repetir uma explicação decorada sem conseguir responder a uma pergunta sobre ela e defender uma citação sem verificar quem a pronunciou ou em qual contexto ela apareceu não é a forma mais correta de se escolher um presidente da República.
Muito pelo contrário. Resta lembrar aos que pensam dessa maneira que a lei do retorno devolve tudo aquilo que se faz contra o oponente. Os áudios disponíveis em todas as redes sociais associam boa parte dos políticos da direita e da extrema-direita com Daniel Vorcaro. São pastores, deputados federais, senadores e um candidato à principal cadeira da política nacional envolvidos na mesma irmandade de um banqueiro corrupto. O termo irmandade não é meu. Eles mesmo criaram. É assim que se tratavam. Talvez ainda se tratem.
Os chamados patriotas, aqueles que defendem seus candidatos com armas, grosserias e agressões, vão morrer achando que o restante do Brasil persegue o clã Bolsonaro e os que optaram pela força e pelo ódio como o caminho mais fácil para alcançar o poder. Não é sobre não gostar e não querer a extrema-direita no comando do país. É somente uma questão de preferência quanto aos métodos de governança. Embora achem o contrário, uma corrente claramente apela, prega e sonha com a perenização da democracia.
No Brasil e em qualquer lugar do mundo, a outra é motivada pelo controle estatal, golpismo, censura, perseguição aos diferentes, prisão por opiniões políticas e eliminação física ou política de todos os que se posicionam contrariamente. Isso as pesquisas não mostram. Como sempre, a história ditará os rumos. A nós, resta tentar viver, resistir, compreender e aceitar as mudanças em curso. Inaceitável é achar normal candidatos dispostos a tudo para chegar à Presidência da República, inclusive negociar a soberania do Brasil por quaisquer dez mil réis.
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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

