Tendência do eleitor de Michelle é cravar Bia para a 2ª cadeira no Senado

Redação
Redação
4 minutos de leitura
Aurélio Zanotti - Foto de Arquivo

Às vésperas de 4 de outubro, circula pelos grupos de mensagens de Brasília uma preocupação curiosa: a de que a ordem dos nomes na urna faria diferença. Quem digitasse Bia Kicis na primeira tela e Michelle Bolsonaro na segunda estaria, supostamente, atrapalhando alguém. Não está. E vale desfazer o mal-entendido antes que ele custe caro.

A regra é simples. Os dois votos para senador têm o mesmo peso, e são eleitos os dois candidatos mais votados. As duas telas da urna não são cargos diferentes, porque trata-se de uma única eleição com duas vagas. A ordem da digitação não define quem disputa a primeira ou a segunda cadeira. Michelle e Bia, ou Bia e Michelle, dá exatamente no mesmo, ou seja, um voto para cada.

O único tropeço de ordem que existe é outro. Se o eleitor repetir o mesmo número nas duas telas, a urna aceita o primeiro voto e anula o segundo. A regra está no artigo 206, parágrafo 2º, da Resolução TSE nº 23.751. Também não existe voto de legenda para senador. Digitar só o número do partido anula o voto. São três dígitos, sempre.

Resolvida a dúvida da ordem, sobra a questão que realmente importa: o que o eleitor faz com o segundo voto.

A primeira vaga do Distrito Federal parece encaminhada. Na pesquisa Quaest divulgada no meio da semana, Michelle Bolsonaro tem 26%. Atrás dela, em empate técnico, estão Leila do Vôlei (PDT), com 19%, e Erika Kokay (PT) e Bia Kicis (PL), com 15% cada. A segunda cadeira será decidida no detalhe.

E é no detalhe que o eleitor de direita tem deixado votos pelo caminho. No Datafolha feito entre 8 e 10 de setembro, entre os eleitores de Celina Leão, Michelle aparecia com 31%, Bia Kicis com 24%, Leila com 13% e Erika Kokay com 8%. Ou seja, uma fatia de quem vota na governadora distribui a segunda escolha entre candidatas de campos opostos. Cada um desses votos soma para quem disputa, voto a voto, a mesma cadeira que a direita pretende ocupar.

Não há nada de ilegítimo nisso. O voto é livre, e há eleitores que escolhem nomes, não chapas. Mas quem deseja uma bancada coerente precisa entender a aritmética indicando que numa eleição de duas vagas, o segundo voto não é um detalhe. É ele que desempata. Deixá-lo em branco, anulá-lo por engano ou entregá-lo ao campo adversário tem o mesmo efeito prático de aliviar a vida de quem está do outro lado.

O conselho vale para todos, de qualquer lado. A sugestão é de que o eleitor leve a colinha, anote dois números diferentes de três dígitos. Depois é só conferir a foto antes de apertar o verde. A ordem não importa, mas o segundo voto, sim.

…………..

Aurélio Zanotti, administrador de políticas públicas da área social, é o mais novo colaborador de Notibras

Tags
Compartilhar
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *