Há lugares onde a paz não faz barulho, não ouve o toque da sirene, não pede passagem, não aparece nas manchetes, e simplesmente existe. É percebida no homem que atravessa a calçada sem olhar três vezes para trás, na mulher que chega tarde e procura tranquilamente a chave dentro da bolsa, no casal que prolonga a conversa depois do jantar e no grupo de amigos que descobre, já madrugada adentro, que perdeu a noção das horas.
Em Águas Claras, essa paz ainda encontra endereço. No meio da imensa selva de pedras que cresceu em direção ao céu de Brasília, existe um pequeno reino chamado Paço Línea Residence & Mall. São cerca de 180 flats e, lá embaixo, um pedaço da cidade respirando por conta própria com barbearias, restaurantes, lanchonetes, padaria, pizzaria, boutiques e salões de beleza, com gente entrando, saindo, sentada às mesas e vivendo sem maiores preocupações.
É justamente isso que melhor defina a segurança, com a liberdade de viver sem precisar pensar o tempo inteiro no perigo. É verdade que o direito de ir e vir está escrito na Constituição, embora haja uma diferença enorme entre tê-lo impresso no papel e exercê-lo numa calçada, às duas da madrugada, sem que o coração precise acelerar ao ouvir passos atrás de si.
No Paço Línea, há quem cuide para que essa diferença seja pequena. Lá estão a postos os Guardiões Noturnos. E como todo reino que se preze precisa conhecer pelo nome aqueles que vigiam seus portões, temos Márcio Robocop. Não sei se é feito de aço como o personagem que lhe empresta o apelido, mas acredito que não. Mas há homens cuja armadura não está sobre a pele, mas na postura, na atenção e naquele olhar treinado para perceber o que os outros não percebem.
Temos também Alexandre, o Grande. O original atravessou continentes à frente de exércitos; já o nosso não precisa conquistar a Pérsia nem chegar às margens do Indo. Seu império é menor, restrito a alguns metros de calçada, acessos, corredores, portões e a responsabilidade silenciosa por centenas de pessoas. Convenhamos, porém, que já é território suficiente para qualquer conquistador.
E temos Guilherme, o Rei Afrodescendente. Um rei sem coroa, cetro ou trono. Seu reino começa onde termina a despreocupação dos moradores. É ali que ele assume o posto, observando quem chega, quem sai e o movimento ao redor.
Robocop, Alexandre e Guilherme são três nomes que poderiam perfeitamente pertencer a personagens de uma aventura fantástica, mesmo que pertençam à vida real. Isso, por si só, é mais importantes. Enquanto eles vigiam, o pequeno reino segue sua rotina, onde algum pede pizza, outro corta o cabelo, alguém compra pão, uma mulher sai do salão mais bonita do que entrou, um casal escolhe uma mesa e os amigos chegam.
Ah, os amigos… Esses aparecem dos prédios próximos e aos poucos transformam aquele pedaço de Águas Claras numa espécie de praça medieval cercada por torres modernas. Sentam, jogam dominó, conversam, contam histórias, discutem futebol, política, amores, desamores e as inevitáveis futricas da vida alheia. Eles confabulam durante o dia, sob a claridade do Cerrado, e depois, sob a luz do luar.
E quando a noite resolve avançar sobre a madrugada, ninguém parece preocupado em consultar demasiadamente o relógio, porque sabem que alguém está acordado por eles, o que cria uma sensação extraordinária. Enquanto conversamos, alguém observa; quando estão rindo, tem que os vigie; quando levantam o copo para mais um brinde, há olhos atentos aos portões. E enquanto voltas tranquilamente para casa, três sentinelas permanecem em seus postos.
Segurança tem muito disso, porque não é apenas impedir que alguma coisa aconteça, mas permitir que a vida aconteça. Também cabe a esses guardiões devolver às pessoas aquilo que as cidades grandes foram roubando aos poucos, como o prazer de permanecer na rua, conversar sem pressa, caminhar sem medo e descobrir que a madrugada pode ser apenas madrugada, e não uma ameaça.
Águas Claras cresceu para cima. Seus edifícios parecem querer disputar espaço com as nuvens, onde dezenas de andares empilhando sonhos, famílias, solidões, encontros e histórias. Uma verdadeira selva de pedras, mas estas também precisam de clareiras. E o Paço Línea é uma delas. Ali, entre uma pizza e um café, entre o pão quente da padaria e a tesoura da barbearia, entre uma conversa séria e uma gargalhada absolutamente inútil, construiu-se a sensação de pertencimento, algo que dinheiro algum compra sozinho.
Porque condomínio não é apenas concreto, como cidade não é apenas asfalto, segurança não é apenas câmera e paz não é simplesmente ausência de violência, mas poder sentar-se com os amigos sabendo que ninguém precisará fugir. É poder demorar mais cinco minutos, mais dez, mais uma hora. É olhar para o relógio e descobrir que já passou da meia-noite e concluir:
— E daí?
Robocop está ali. Alexandre, o Grande, também. E Guilherme, o Rei Afrodescendente, mantém os olhos sobre o reino. Com isso, os moradores podem continuar conversando. É exatamente isso que significa viver em liberdade, onde tem alguém cuidando da porta para que condôminos possam esquecer, por algumas horas, que existem portas.
…………
Carolina Paiva é Editora de Brasília


Belo texto meu amigo
Bacana, essa valorização dos profissionais noturnos, que muitos deixam a família em casa , para guardar a família dis outros, que com prazer e profissionalismo, assumem essa missão.
Que Deus guarde ele as suas famílias, também as pessoas que frequentemente é residem nesse espaço, e a autora, pela valorização dos Profissionais, bem como a Notribras, que postou a matéria.
Que Deusabençoe a todos.
Bacana, essa valorização dos profissionais noturnos, que muitos deixam a família em casa , para guardar a família dis outros, que com prazer e profissionalismo, assumem essa missão.
Que Deus guarde ele as suas famílias, também as pessoas que frequentemente é residem nesse espaço, e a autora, pela valorização dos Profissionais, bem como a Notribras, que postou a matéria.
Que Deusabençoe a todos.
Isso mesmo, pessoas maravilhosas que vivem para seu trabalho ajudando quando agente sempre precisa. Matéria excelente está de parabéns.