A oito dias das eleições e distante pelo menos duas savanas e meia de seus principais concorrentes, a governadora Celina Leão tem força, discurso e propostas capazes de transformá-la na primeira mulher a ser eleita de forma direta para o Governo do Distrito Federal. Antes dela, Maria Abadia ocupou a cadeira principal do Palácio Buriti por dez meses, exclusivamente por conta do afastamento do então governador Joaquim Roriz, que, em março de 2006, se desincompatibilizou para disputar e ganhar uma vaga no Senado.
No fim do mesmo ano, Abadia tentou a reeleição pelo PSDB, mas foi derrotada ainda no primeiro turno por José Roberto Arruda, o mesmo que foi desarrudeado no início desta semana pelo Tribunal Superior Eleitoral. Tudo isso ficou no passado, inclusive Arruda, o ex-governador que, assim como Greta Garbo, acabou no Irajá. Com chances reais de se eleger no primeiro turno, Celina Leão, que é do signo de Peixes, trouxe para a política regional tudo que seu sobrenome propõe: energia, ação, vitalidade, generosidade, carisma, coragem, liderança natural e teimosia na busca da perfeição.
Candidata pelo 11 do PP, número mestre que, na numerologia, simboliza a intuição elevada, a iluminação espiritual e o despertar da consciência, Celina Leão representa o público feminino, segmento que sempre defenderei, independentemente de posições ideológicas ou de preferências partidárias. Como mulher, aposto em quem costuma inspirar e iluminar outras pessoas com ideias inovadoras. Assim são as mulheres. A se confirmar a reeleição de Celina, o Distrito Federal terá maioria de mulheres ocupando espaços de liderança, decisão e destaque na política, na economia e na sociedade local.
Além dela no Buriti, a expectativa é de que o Senado tenha mais duas representantes, as quais se juntarão à senadora Damares Alves, e a Câmara dos Deputados pelo menos outras duas parlamentares. De mulher para mulher, tudo isso estava escrito desde 1932, quando conquistamos o direito ao voto. Hoje, 94 anos após sermos reconhecidas como pessoas, logramos não só o empoderamento e o protagonismo de nossas próprias vidas, mas, principalmente, a autoconfiança e a certeza de que, mantendo nossos valores e nossa individualidade, temos inteligência, firmeza, determinação, sensibilidade, inspiração e competência para gerir uma cidade/estado como gerimos nossas famílias.
Mesmo mantendo meu voto sob sigilo absoluto, aquela cujos simpatizantes chamam de leoa tem tudo isso. Não tenho recibo para elogiar Celina Leão. O que tenho é coragem e capacidade de reconhecer publicamente o profissionalismo e a vocação administrativa da governadora. Na vida pública desde 2006, quando assumiu a Secretaria da Juventude do DF, ela se elegeu deputada distrital pela primeira vez em 2010. Deputada federal de 2019 a 2022, a candidata pepista chegou ao GDF em 2023. Assumindo de forma definitiva o cargo de governadora em março deste ano, Celina parece ter alcançado em 2026 a sua melhor versão.
Eis a razão pela qual faço minhas as palavras do escritor Nino Milanez, para quem, enquanto o homem mata um leão por dia, a mulher do tipo leoa mata, corta, tempera, serve e ainda lava a louça. Depois de um emaranhado de governadores com trajetórias nada republicanas e ações de nenhuma nobreza, Celina Leão mais uma vez se colocou à disposição de seus eleitores. Com sua perspicácia felina, desafiou a impossibilidade e brotou de saia rodada e salto alto no terreno do improvável. A força das atitudes e as respostas aos eventuais detratores são a prova de que a vice-governadora que virou governadora não arrudeia e, por isso, tem todos os atributos necessários para permanecer no cargo pelos próximos quatro anos. É claro que tudo isso sem perder a essência da alma feminina na selva até agora comandada pelos homens.
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Sonja Tavares é Editora de Política de Notibras

