Nesses tempos difíceis de polarização política, pediram para eu não contar para ninguém, mas não há como esconder que na vida a gente tem de entender que um nasce para sofrer, enquanto o outro ri. No verso do síndico Sebastião Rodrigues Maia, o sujeito precisa conviver com a dualidade da existência humana, na qual a tristeza anda de mãos dadas com a saudade e com a melancolia. É a jornada física e a necessidade de procurar um motivo para ter um sonho azul e, quem sabe, encontrar uma razão para viver no azul da cor do mar. Até agora, o síndico do W Brasil, uma criação do Babulina Benjor, não ensinou como chegar a Iracema, Angra dos Reis, Porto Seguro, Taguatinga ou Itamaracá.
Na política da direita e da esquerda, os perigos dessa vida são demais. Por isso, com a firmeza e os lampejos do farol comandado pelo imortal Tim Maia, luto para ao menos chegar ao Leme ou ao Pontal, onde, ele mesmo diz, não há nada igual. De jeito maneira, eu quero dinheiro. Só quero amor sincero. Preciso gritar ao mundo inteiro que eu só quero amar, que eu quero tudo bem mais claro no escuro. Que beleza se o mundo inteiro pudesse conhecer a origem, o passado e o futuro da felicidade. Uh Uh Uh que beleza é sentir a natureza enquanto ela não é morta pelos nossos salteadores políticos brasileiros.
Deixemos para trás o desencanto até o inverno chegar. Vai chuva, vai chuva. É primavera. Por isso, o céu está tão lindo. Deixemos falar a voz do coração, de modo que consigamos ver diariamente o sol amanhecer. Nem sempre a vida é uma festa de arromba. Às vezes, ela é engraçada como um dia de domingo e triste com uma segunda-feira pós-eleição presidencial. Eu sempre fui sincero e bem que avisei para que não me levassem a sério. Na rua, na chuva e na fazenda, a vida tem vida. Então, não percamos tempo. Vamos nos divertir, jantar e dançar juntos até o dia clarear. Você e eu, eu e você, juntinhos e bem longe do sombrio Congresso Nacional e do esculhambado Supremo Tribunal Federal.
Passei do tempo da labuta. Eis a razão para implorar que não me amolem mais com esse papo de emprego. Não estou mais nessa. O que eu quero é sossego, muito sossego. Devo admitir que sou réu confesso, pois, mesmo tendo passado da idade, continuo votando para presidente. É por isso que lhe peço desculpas, pois foi por minha culpa o resultado da eleição, consequentemente da separação. Mesmo contra a nossa vontade, o tempo passou. Sem problema. Se o pneu furou, acenda o farol e não se permita perder aquilo que a vida pode lhe oferecer, inclusive os sonhos, os castelos e o mundo de encanto, no qual tudo é belo.
Vá à luta que a vida é curta. Não ponha tudo a perder. O meu e o teu defeito não têm perdão, mas me dê um motivo para que o coroné Antônio Bento não consiga casar sua filha Juliana. Os bons momentos estão aí. A vida é engraçada, pois raramente é permitido tentar novamente. A imunização racional não alcança a todos. Pelo menos os que já viverem em calçada maltratada sabem que, num segundo, o bom livro vem à mão e nos assegura atingir o bom senso. Não adianta, porque paixão antiga sempre mexe com a gente e é tão difícil esquecer. Que o diga a disputa presidencial.
Pois é, meu Velho Camarada, jogue suas mãos para o céu e agradeça os que sempre estiveram com você, mesmo numa casinha de sapê. Ninguém vai tirar você desse lugar. Somos eu e você, você e nós. Você andava meio esquecido, mas bastou um encontro por acaso e, pronto, começou tudo outra vez. Cuidado, porque, se deixar com eles, eles levam até os bodes. E os bodes são nossos até pelo menos janeiro de 2027. Quem sabe não iniciamos nessa data uma nova Festa de Santo Reis. O que mais lamento é que, como também disse o síndico Tim Maia, Nobody can live for ever, isto é, ninguém pode viver para sempre. Ganhando ou perdendo, não quero mais dinheiro. Eu só quero amar e, mesmo passando da idade, dançar enquanto é tempo.
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Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras

