Nem o petista mais otimista imaginaria que, faltando apenas uma semana para a eleição, o candidato à Presidência da oposição resolveria comprar briga com a principal entidade representativa dos bispos católicos do país. Neste domingo, em Goiânia, Flávio Bolsonaro afirmou que pessoas de dentro da CNBB teriam ajudado a espalhar a história de que ele pretende retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. É uma acusação grave contra uma instituição central para a Igreja Católica brasileira — e, eleitoralmente, uma estratégia no mínimo arriscada, considerando o peso dos católicos no país.
O problema é que a própria versão de Flávio parece mudar conforme os dias passam. Um levantamento divulgado por sua campanha apontava que a primeira publicação responsável por impulsionar a história teria partido de Jeferson Monteiro, criador da personagem Dilma Bolada. A campanha chegou a apresentar esse monitoramento como evidência da origem do boato. Agora, Flávio aparece dizendo que o PT já tentava levantar o assunto havia dias e que teria contado com a ajuda de gente de dentro da CNBB. São versões diferentes para explicar como a história começou.
E é justamente essa contradição que torna o movimento ainda mais difícil de compreender. A CNBB não declarou apoio a candidato algum e seu presidente, dom Jaime Spengler, afirmou recentemente que a Igreja não se manifesta em favor de partidos ou candidaturas, embora tenha criticado a mistura entre religião e política. Em vez de simplesmente enfrentar uma informação supostamente falsa, o candidato ampliou o conflito e colocou a CNBB no centro da disputa. A uma semana das urnas, atacar uma instituição com tamanha relevância entre os católicos pode acabar mantendo viva justamente a crise que sua campanha gostaria de encerrar.

