Prevenção ainda é a principal aliada contra as doenças cardiovasculares

Redação
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Malu Oliveira, via Empório da Comunicação - Foto Divulgação

As doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de morte no Brasil e no mundo, mas uma parcela importante desses casos poderia ser prevenida. No Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro, é reforçada a importância da prevenção, do acompanhamento médico regular e do controle dos principais fatores de risco. Os avanços da medicina têm ampliado as possibilidades de diagnóstico e tratamento, com técnicas cada vez mais precisas e menos invasivas.

A prevenção de problemas cardíacos começa antes mesmo do aparecimento dos sintomas, passando pelo controle de fatores de risco como pressão alta, colesterol elevado, diabetes, tabagismo, obesidade e sedentarismo. A avaliação preventiva permite identificar o risco e agir antes que um evento grave aconteça.

“Buscar por um cardiologista apenas quando se percebe que algo não vai bem é um conceito que precisamos mudar. A aterosclerose, que é o depósito de placas de gorduras nos vasos, pode evoluir silenciosamente. Pressão alta, diabetes e colesterol elevado frequentemente não provocam sintomas. Em alguns pacientes, infelizmente, a primeira manifestação da doença cardiovascular pode ser justamente um infarto ou um AVC”, explica o cardiologista do Hospital do Coração do Brasil, da Rede D’Or, Carlos Dornas.

Não fumar, praticar atividade física regularmente, manter uma alimentação baseada predominantemente em alimentos naturais, controlar o peso e dormir adequadamente estão entre os hábitos com maior impacto na prevenção. O acompanhamento médico também deve ocorrer mesmo entre pessoas que se consideram saudáveis.

“Não existe uma idade mágica a partir da qual começamos a cuidar do coração. O cuidado começa ainda na infância, com o aprendizado de alimentação e hábitos saudáveis. É recomendado que um adulto jovem, entre 19 e 20 anos, já deva ter a pressão e o colesterol avaliados por um cardiologista. Um indivíduo de 30 anos deve ter seu risco de infarto mensurado. De toda forma, pessoas com sintomas como dor no peito, falta de ar, tontura ou desmaio devem procurar avaliação imediata em qualquer idade”, afirma Carlos Dornas.

Nos últimos anos, a cardiologia passou por uma transformação significativa, com o desenvolvimento de técnicas que permitem tratamentos mais precisos e menos invasivos. Atualmente, determinadas doenças das válvulas cardíacas podem ser tratadas por cateter, enquanto angioplastias complexas podem ser realizadas com auxílio de métodos avançados de imagem e avaliação fisiológica.

“Estamos tratando pacientes que, há 15 ou 20 anos, teriam poucas, ou nenhuma opção, e fazendo isso muitas vezes com procedimentos menores, internações mais curtas e recuperação mais rápida”, destaca o cardiologista.

Os avanços também chegaram aos dispositivos cardíacos. O marcapasso tradicional continua sendo fundamental para pacientes cujo coração apresenta frequências excessivamente baixas, mas alguns deles evoluíram e passaram a contar com recursos como compatibilidade com ressonância magnética, monitorização remota e, em situações selecionadas, modelos sem fios. Há ainda cardiodesfibriladores implantáveis, capazes de reconhecer e tratar arritmias potencialmente fatais, além de ressincronizadores utilizados em determinados pacientes com insuficiência cardíaca.

No tratamento das arritmias, a ablação por cateter permite identificar e tratar os pontos responsáveis pelos distúrbios do ritmo cardíaco. O procedimento pode utilizar diferentes fontes de energia, como radiofrequência e crioablação, além de técnicas mais recentes, como a ablação por campo pulsado, em situações específicas.

“Em pacientes selecionados, conseguimos reduzir episódios de arritmia, sintomas, internações e melhorar significativamente a qualidade de vida”, afirma o cardiologista.

Com acompanhamento adequado e controle de fatores, é possível evitar doenças cardiovasculares potencialmente fatais, ou debilitantes, prolongar o tempo e a qualidade de vida.

“A doença cardiovascular é construída ao longo de muitos anos, e a prevenção também. Você não precisa mudar tudo em um único dia, mas pode escolher hoje uma mudança que fará diferença por toda sua vida”, conclui Carlos Dornas.

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