O felino que desafiou a evolução: conheça o universo do gato Manx

Eduardo Martínez
7 minutos de leitura
Leonardo Bernar - Foto Francisco Filipino

Na eterna disputa entre cães e gatos, os cachorros costumam levar a fama de apresentarem as raças mais distintas e variadas. Afinal, as diferenças entre um chihuahua e um dogue alemão são monumentais, enquanto os bichanos tendem a seguir um padrão físico mais parecido. No entanto, existe um felino que quebra totalmente essa regra e chama a atenção em qualquer lugar do mundo por uma característica única e marcante: a ausência total de cauda.

Esse animal extraordinário é o gato Manx, também conhecido como manês. Originário da isolada Ilha de Man, localizada no Mar da Irlanda entre a Grã-Bretanha e a Irlanda, esse pet conquistou o planeta justamente pelo seu visual exótico. Olhando de perto, ele é um gato de tamanho médio, mas que esconde uma estrutura atarracada e de ossatura muito forte. Na maturidade, ele se revela um animal robusto e pesado, surpreendendo quem o julga apenas pelo tamanho.

A falta do rabinho, que tanto intriga os cientistas, é o resultado de uma mutação genética natural que acabou se espalhando pela população da ilha. Como a cauda funciona como uma extensão da coluna vertebral, o Manx possui menos vértebras que os outros felinos. Essa exclusividade estética, infelizmente, exige atenção, pois pode deixar a saúde do pet mais delicada e propensa a problemas de locomoção ou incontinência urinária, tornando a raça um pouco rara de se encontrar em gatis comuns.

Para além da ciência, o folclore local preferiu criar lendas fascinantes e divertidas para explicar o mistério. A história mais famosa conta que o Manx estava cochilando quando Noé convocou os animais para a Arca. O felino acordou atrasado e correu em direção à embarcação; ele conseguiu entrar bem a tempo, mas Noé fechou a porta apressadamente e acabou cortando a sua cauda. Outro mito diz que a raça descende de gatos sobreviventes de um navio da Armada Espanhola que naufragou na costa da ilha em 1588.

Os historiadores, contudo, apontam para uma versão mais realista e comercial. É provável que a verdadeira origem do Manx envolva antigos navios mercantes que viajavam da Fenícia ao Japão. Os marinheiros costumavam abrigar gatos japoneses com cauda em saca-rolhas para caçar ratos a bordo e, eventualmente, esses animais desembarcaram na Ilha de Man. O sucesso da raça foi consolidado por volta de 1900 em Londres com o primeiro campeão, um Manx malhado prateado chamado Bonhaki, antes de desembarcar nos Estados Unidos na década de 1930.

Ao observar um Manx em movimento, a primeira coisa que se nota é o seu andar peculiar. Como suas patas traseiras são visivelmente mais longas que as dianteiras, ele não caminha como os outros felinos, mas se movimenta com um trote saltitante que lembra muito um coelho. Essa anatomia única faz com que ele pareça uma fofa bola de boliche correndo pela sala de estar.

Mesmo sem o rabo para ajudar no equilíbrio tradicional dos gatos, o Manx compensa essa falta com a força de suas pernas traseiras superpoderosas. Ele é um atleta nato, dotado de grandes habilidades de salto e capaz de atingir alturas impressionantes com extrema facilidade. Além disso, a raça esbanja inteligência e curiosidade: esses bichanos rapidamente aprendem a usar as patas para mover maçanetas e abrir portas quando cismam que querem entrar em algum cômodo.

No dia a dia, o temperamento do manês é simplesmente encantador, sendo descrito como um animal plácido, doce e que nunca parece se chatear com nada. Ele é uma companhia amorosa, extremamente dócil e apegada às pessoas, possuindo o hábito adorável de eleger um membro favorito na família para despejar ainda mais carinho. Se for bem cuidado e protegido das doenças típicas de sua genética, esse parceiro de vida pode viver entre 10 e 18 anos.

Para manter esse companheiro saudável, os tutores precisam seguir alguns cuidados rigorosos, começando pelo controle da alimentação. O Manx possui um apetite maravilhoso e, por ser atarracado, pode ficar acima do peso ideal muito rapidamente se a ração não for monitorada. O recomendado por especialistas é oferecer alimentos de alta qualidade, como as rações super premium, que garantem os nutrientes e vitaminas essenciais para sua estrutura sensível.

Outro ponto que exige dedicação diária é a manutenção da sua pelagem, que é dupla e bastante densa. A escovação frequente é indispensável para evitar que o subpêlo se acumule com o tempo e perca o aspecto liso e sedoso. Os momentos de troca de pelo, especialmente durante o verão, demandam atenção redobrada, pois a raça costuma perder uma quantidade considerável de fios nessa época do ano.

Para fechar o pacote de excentricidades, o gato manês apresenta uma característica curiosa e totalmente independente de sua genética de cauda: eles são apaixonados por água! Ao contrário da maioria dos felinos que foge do banho, o Manx adora interagir com o líquido de forma divertida. Por conta disso, manter diversos potes e fontes de água fresca espalhados pela casa é uma excelente maneira de agradar o bichano e garantir sua hidratação.

Se você ficou encantado por essa mistura de doçura, histórias míticas e visual exótico, saiba que realizar o sonho de ter um Manx exige paciência devido à sua raridade. Uma boa alternativa para quem busca um novo amigo é acompanhar eventos e feiras de adoção organizadas por grandes redes de pet shops. Com sorte e pesquisa, é possível encontrar um desses gatinhos sem cauda pronto para pular direto para o seu coração.

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