Sou caipira Pirapora, Nossa Senhora de Aparecida
Me disseram, porém
Que eu viesse aqui
Pra pedir de romaria e prece
Paz nos desaventos”
(Renato Teixeira)
Um pastor picareta assim se pronunciou: “Deus odeia o culto à Rainha dos Céus!” – referindo-se à santa preta que comove os romeiros brasileiros e a comunidade católica que se reúne fervorosamente na basílica de Nossa Senhora Aparecida, no município de Aparecida do Norte (SP).
Sabe-se que o ódio define o atraso cognitivo e emocional de quem o experimenta.
Lembrando que, na cruz, Jesus Cristo teria dito:
– Pai, perdoai-os. Eles não sabem o que fazem!
Isto posto, caberia aos seres pensantes pedir perdão por eles?
Pensando o fato como disputa política, temos um raciocínio conforme segue:
1- A Constituição Federal Brasileira normatiza que o estado é laico,
2- Se o candidato da extrema direita (adepto do tal pastor) pretende normatizar que o Brasil é de Jesus é porque vai rasgar a Constituição vigente, se for eleito,
3- Os Estados Unidos têm exacerbado suas lambanças contra a soberania dos povos. Ora, os EUA usam o mito do povo prometido criado pelos patriarcas hebreus para justificar guerras, armamento civil, expulsão de imigrantes estrangeiros e demais práticas imperialistas,
4- Crime contra a soberania não deve ser perdoado. Como diz a escritora Irene Martínez: “anistia é o cara do alho!”
Quando raciocino, não tenho ódio ou quaisquer sentimentos perversos. Mas há os que olham para a questão sob a sombra da auto-defesa e se queixam de que sua sanidade corre perigo. Pois é, o momento está bem tenso. Mas creio nos movimentos populares: mulheres, povos originários, sem terra, etc. E na classe artística e científica brasileira.
Creio no BRICs, no trabalho da Dilma Rousseff, no perfil de estadista do nosso querido nordestino.
Creio que é importante que há países que saem da sala de reunião da ONU quando o presidente de Israel vai falar.
Creio em Paulo Freire, quando afirma que é preciso esperançar.
Não perdoo quem descumpre a Constituição Federal, nem quem lesa a soberania nacional, nem genocida e nem torturador. Prefiro esperançar, nas urnas, votando nos candidatos dos partidos de esquerda.
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Edna Domenica é autora de O Setênio (Tão Livros, 2024) que tem por tema a análise histórica caricatural dos sete anos que compreendem o golpe de janeiro de 2016 que depôs Dilma Rousseff e a intentona de golpe contra a democracia e soberania ocorrido em oito de janeiro de 2023.

