Verstappen dança na chuva, vence corrida caótica e quebra jejum da Red Bull

Redação
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Bartô Granja - Foto Divulgação

Max Verstappen precisou esperar até outubro, enfrentar um dilúvio, uma largada transformada em novela e uma pista traiçoeira para finalmente voltar ao lugar que tantas vezes ocupou nos últimos anos. Neste domingo, 4, o holandês da Red Bull venceu o GP do Bahrein na Malásia e conquistou sua primeira vitória na temporada 2026 da Fórmula 1.

O tetracampeão largou na pole position, chegou a perder a liderança para Kimi Antonelli, mas recuperou a ponta e depois impôs seu ritmo em Sepang. O italiano da Mercedes terminou em segundo, 2s307 atrás do vencedor, enquanto Lewis Hamilton completou o pódio com a Ferrari.

Foi uma corrida em que a própria largada virou atração à parte. A chuva torrencial que caiu sobre Sepang obrigou a direção de prova a adiar o início. O que deveria começar às 15 horas locais acabou mergulhado em uma sequência de interrupções, voltas de formação, problemas de software, aquaplanagens e dúvidas sobre pneus. A prova efetivamente começou com atraso superior a uma hora e meia.

Verstappen já havia dado o primeiro aviso no sábado. Conquistou sua primeira pole da temporada ao marcar 1min35s130, colocando a Red Bull à frente da Ferrari de Hamilton e da Mercedes de Antonelli no grid.

Quando finalmente houve corrida de verdade, porém, o holandês precisou trabalhar. Antonelli aproveitou melhor as condições iniciais e chegou a assumir a liderança. Verstappen não se desesperou. À medida que a pista mudou e a corrida encontrou algum ritmo depois do caos provocado pela chuva, o piloto da Red Bull recuperou a primeira posição e passou a controlar a prova.

Depois de 55 voltas, recebeu a bandeirada com 2s307 de vantagem sobre Antonelli. Hamilton chegou 4s919 atrás do vencedor. Charles Leclerc foi o quarto colocado, seguido por Isack Hadjar e Oscar Piastri.

Para Verstappen, a vitória teve sabor especial: além de ser a primeira de 2026, marcou o retorno triunfal a Sepang, circuito onde ele também havia vencido em 2017, na última temporada em que a Fórmula 1 correra na Malásia antes do retorno deste ano.

Se Verstappen foi o dono da corrida, Lewis Hamilton protagonizou uma de suas histórias mais espetaculares. O britânico havia largado em segundo, mas foi engolido pelo caos das primeiras voltas e pelas escolhas de pneus, chegando a despencar para a 18ª posição.

Começou então uma escalada pelo pelotão. Com ultrapassagens, estratégia e aproveitando as mudanças constantes das condições da pista, Hamilton reconstruiu sua corrida até cruzar a linha de chegada em terceiro. Um pódio que parecia praticamente impossível depois do início desastroso.

Quem deixou Sepang com motivos bem diferentes para lembrar da corrida foi George Russell. O piloto da Mercedes estava na disputa pelas primeiras posições quando sofreu um problema técnico nas voltas finais. A quebra provocou nova intervenção do Safety Car e obrigou Russell a abandonar faltando poucas voltas para o final.

O abandono pesa especialmente porque o britânico está envolvido diretamente na disputa pelo campeonato. Enquanto Russell ficou sem pontuar, seu companheiro Antonelli levou para casa os pontos do segundo lugar.

Para Gabriel Bortoleto, a promessa de uma boa corrida terminou em frustração. O brasileiro da Audi havia conseguido chegar ao Q3 e largou na décima posição, depois de registrar 1min37s673 na classificação.

Na corrida, porém, um contato com Carlos Sainz danificou a asa dianteira de seu carro. Além da perda de rendimento, Bortoleto recebeu uma punição de dez segundos e acabou despencando no pelotão. Terminou apenas em 18º, 28s233 atrás de Verstappen.

A prova deste domingo também entrou para a história por uma peculiaridade: o GP do Bahrein foi disputado a milhares de quilômetros do Bahrein.

A etapa estava originalmente prevista para abril, no circuito de Sakhir, mas acabou afetada pela situação de segurança no Oriente Médio. A Fórmula 1 posteriormente acertou a realização da corrida no tradicional circuito de Sepang, fazendo a categoria voltar à Malásia depois de nove anos.

E o retorno dificilmente poderia ter sido mais tumultuado.

Chuva, pista encharcada, atraso, Safety Car, estratégias embaralhadas, abandonos, Hamilton ressurgindo do fundo do pelotão e Verstappen novamente no alto do pódio.

Depois de passar boa parte de 2026 vendo os adversários festejarem, o holandês finalmente voltou a ouvir o hino da vitória.

E escolheu justamente Sepang — debaixo d’água e no meio do caos — para lembrar à Fórmula 1 que Max Verstappen ainda sabe muito bem o caminho até o degrau mais alto do pódio.

Os dez primeiros
Max Verstappen (Red Bull)
Kimi Antonelli (Mercedes)
Lewis Hamilton (Ferrari)
Charles Leclerc (Ferrari)
Isack Hadjar (Red Bull)
Oscar Piastri (McLaren)
Liam Lawson (Racing Bulls)
Fernando Alonso (Aston Martin)
Lando Norris (McLaren)
Arvid Lindblad (Racing Bulls)

Gabriel Bortoleto terminou em 18º. George Russell abandonou e foi classificado em 20º. A Fórmula 1 deixa a Malásia e segue agora para Singapura, onde a próxima batalha será travada nas ruas de Marina Bay.

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