Apesar do cansaço eleitoral encarnado em Lula, o jogo ainda não acabou

Redação
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Mathuzalém Júnior - Foto Ricardo Stuckert

Pouco mais de 10 horas após o depósito dos primeiros votos na urna eletrônica, os números iniciais da Justiça Eleitoral já indicavam ampla vantagem para Flávio Bolsonaro sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É verdade que é só o primeiro turno, mas os artistas, escultores, pintores, carpinteiros, feirantes, vidraceiros, agropecuaristas, costureiras, cozinheiras, artesãos, figurinistas, jornalistas, empresários e rodoviários, entre outros profissionais, são os mesmos eleitores que votarão no segundo turno.

Portanto, podemos dizer que os indicativos conduzem a uma vitória final de Flávio Bolsonaro? Como a política é uma paixão sem enredo fechado, afirmo que não. A exemplo do futebol, o segundo tempo é uma nova partida. Disputando sua sétima eleição presidencial, o nome de Lula começa a mostrar um certo cansaço eleitoral, mas não o ocaso do líder do PT. Isso quer dizer que, apesar dos dados desse domingo (4), o jogo ainda não acabou para a esquerda.

Sejamos de direita, de esquerda ou de centro, importante é que estejamos prontos para um corrido, suado e disputado segundo tempo. A nova peleja recomeçou logo após o sol se pôr nesse domingo eleitoral. Segue o jogo e, com as graças de Nossa Senhora Aparecida, com muita paciência. Mais do que nunca, devemos atentar para as máximas de que gentileza gera gentileza e que, para que haja um vencedor, o outro terá de perder. Nesse tipo de contenda, não há possibilidade de empate.

Que até o dia 25 de outubro, data do segundo turno, a maratona em busca do voto seja de paz, alegria e compreensão. Que a disputa envolva somente adversários e não inimigos. Nesses tempos em que os nervos estão à flor da pele, nada pior do que a fumaça da queimada, o fogo da discórdia, a imprevisibilidade da confusão e o olho do furacão. O ideal é que, entre eventuais mortos e feridos, todos se salvem.

O Brasil e os brasileiros não merecem mais a espetacularização do que deveria ser apenas um encontro de civilidade. Enquanto os votos definitivos não são contados, atentemos para a recomendação de São Francisco, que nos pede para levar amor onde houver ódio, e para a poesia de Renato Russo, que nos lembra da importância de amar as pessoas como se não houvesse amanhã. Enfim, que não nos esqueçamos que água mole em pedra dura tanto bate até que a água acaba.

E para quem nunca entendeu por que Noé colocou mais bichos do que pessoas na arca, o candidato nanico Romeu Zema (Novo) e o ministro do STF Gilmar Mendes deram a resposta. Dispostas para pessoas que realmente são ou que, às vezes, se travestem de bichos, as arcas, as arenas de futebol, os zoológicos e as eleições nem sempre ficam longe daqueles com instintos animalescos. Como se fossem deuses, Zema e Mendes foram flagrados com aparelhos celulares nas cabines de votação. Duas “autoridades” e dois péssimos exemplos de cidadania e de respeito às regras eleitorais.

Quanto ao resultado das eleições desse domingo, o vento da extrema-direita também soprou forte na direção do Senado Federal. Nada de anormal para o Partido Liberal, legenda comandada por Valdemar Costa Neto, mas dominada pelo clã Bolsonaro, cujo objetivo principal sempre foi o de ampliar a bancada de oposição no Senado. Conseguiram o primeiro feito. Para os brasileiros sem amarras, o jogo continua jogado. Na melhor das hipóteses, mesmo que a Justiça Eleitoral não interfira, ainda pode ter prorrogação e pênaltis.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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