Com muita emoção, numerosas nuances esperadas, algumas inesperadas e um segundo turno presidencial pela frente, a eleição de 2026 ficou marcada pela ratificação da força da federação representada pelo bolsonarismo. A lavada da direita no Senado, majoritariamente liderada pelo Partido Liberal de Valdemar Costa Neto, reflete uma situação que nem mesmo os mais otimistas imaginavam. Adiantando os fatos, caso Flávio Bolsonaro também vença no segundo turno, seu governo será do tipo mamão com açúcar.
Se Luiz Inácio conseguir reverter a complicada diferença numérica, seu governo será do tipo tirar leite de pedra. Ou seja, dificilmente governará sem se curvar aos caprichos da direita. Confirmado o segundo turno, os números mostram que, pelo menos temporariamente, os céus deram o recado esperado pelo conservadorismo brasileiro. É bom que se diga que ainda não é hora de chutar cachorro morto. Para a esquerda, do Sul ao Sudeste é tempo de velórios. No Nordeste e em parte do Centro-Oeste, o período é de esperança e de muita oração.
Na prática do jogo político, o fato incontestável é a mudança de cor do gramado nacional. Embora o segundo turno seja uma nova eleição, vale a pena lembrar que o desempenho de Flávio Bolsonaro deve reconfigurar 2030. Até a abertura das urnas nesse domingo (04), a expectativa de vitória de Lula significava o fim do poderio do clã Bolsonaro. Como a realidade foi diferente, outubro de 2030 não será mais aquele que vinha sendo pintado pelos progressistas.
Enquanto a esquerda experimenta o arrefecimento do fôlego, a direita interrompeu o pouso, retomou o voo e novamente ganhou altura. Lula perdeu, Bolsonaro ganhou sem disputar e a grande pergunta de hoje é simples: O que será que será dos que ficarem pelo caminho? Como no mundo da política os homens nascem iguais, mas no dia seguinte já são diferentes, o pior para o pessoal que se achava dono do mundo foi perceber que seus representantes têm muito mais defeitos do que seus opositores. Tanto que eles ganharam o primeiro jogo de 90 minutos.
Aos perdedores restou a certeza de que a força sem inteligência é como o movimento sem direção. Como o futuro é construído pelas ações e escolhas do presente, ele pode ser assustador para alguns e acalentador para outros. Voltando à indagação sobre quem fica para 2030, adianto que, por enquanto, a resposta está na ponta da língua do eleitorado que pensa e no borderô das confiáveis, seguras e invioláveis urnas eletrônicas. Flávio Bolsonaro venceu, mas ainda não ganhou nada. O tudo só no dia 25 de outubro, data do segundo turno.
Até lá, o futuro é como uma folha de papel em branco. Nela podemos escrever e desenhar o que quisermos. Mantida a tendência do primeiro turno, Flávio Bolsonaro deverá ser eleito presidente da República. Sobre Lula, restará o consolo de três mandatos presidenciais e o reconhecimento do mundo globalizado. Quanto aos aventureiros, permanecerão aventureiros. Talvez sejam definitivamente esquecidos pelos eleitores que, nesta eleição, pouco se lembraram que eles também disputavam o Palácio do Planalto.
….
Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras

