Não consigo me entregar a um amor fácil, mas
há algo que me freia, como se o peito aguardasse
a faísca antiga de amar; a vida ensinou-me a resistência,
a lutar até que a última aurora amanheça.
Pintarei meus cabelos com sombras de noite,
buscando no teu outono o calor que me falta,
mesmo quando tuas primaveras ainda brotam
não importa onde o outono se esconda, mesmo em inverno.
Não é fantasia, nem sonho estagnado em mim.
Que falem os que censuram quem insiste em sonhar;
mesmo quando o tempo funda fissuras nas almas,
meu coração persiste, conhecedor do teu nome.
Temo teu olhar, tão belo que acende nervos e desejo;
perdoa se os fios prateados te confundem não sei ficar longe,
pois tu tens juventude na pele e eu carrego histórias
que cheiram a tempo e a calma de quem viveu muito.
Perdoa-me amar em silêncio. Teu nome me envolve
como um farol de luz nas marés das emoções,
e as palavras vacilam teu olhar é amor, não piedade;
isso basta para que eu aprenda a querer, devagar e inteiro.

