Na matemática eleitoral do DF, milhares de eleitores dobraram o 11 de Celina, digitaram 22 e podem ter ajudado a empurrar a eleição para o segundo turno
Na matemática convencional, 1 mais 1 é igual a 2. Na matemática das urnas do Distrito Federal, porém, dois algarismos 1 colocados lado a lado formam 11. Se alguém resolve dobrar a aposta, chega ao 22. E foi exatamente aí que a conta eleitoral parece ter se complicado para Celina Leão.
A governadora, candidata à reeleição pelo PP, disputou o Palácio do Buriti com o número 11. Mas nada menos que 26.603 eleitores digitaram 22, número do PL, para governador. O problema é que não havia candidato ao Buriti com esse número e como resultado foram 26.603 votos nulos.
E Celina, que chegou à boca da urna com possibilidade concreta de liquidar a fatura no primeiro turno, terminou com 825.530 votos, equivalentes a 49,93% dos votos válidos. Faltou um fiapo, uma nesga, sete centésimos percentuais separaram a candidata da maioria absoluta necessária para encerrar a eleição sem prorrogação.
É aí que o 22 começa a provocar uma irresistível curiosidade eleitoral. O PL integrou a coligação de Celina e suas principais lideranças estiveram ao lado da governadora durante a campanha. Assim, é perfeitamente possível imaginar que uma parcela dos eleitores tenha chegado à urna com Celina na cabeça e o número do PL na ponta dos dedos.
Possível, sim. Comprovável, não, porque a urna eletrônica registra números, não pensamentos. Quem digitou 22 para governador produziu um voto nulo. Não existe instrumento capaz de revelar se aquele eleitor pretendia votar em Celina, protestar, anular conscientemente ou simplesmente se confundiu.
Mas a coincidência numérica é grande demais para passar despercebida e o 22 virou protagonista. Entre os números inválidos digitados para governador, o 22 apareceu 26.603 vezes. Ficou atrás apenas do 00, registrado por 35.811 eleitores.
No total, foram 89.910 votos nulos, correspondentes a 4,95% da votação, além de 74.774 votos em branco. Enquanto isso, Celina parou nos 49,93% dos votos válidos.
Leandro Grass, do PT, recebeu 569.930 votos, ou 34,47%, garantindo presença no segundo turno de 25 de outubro.
Naturalmente, não se pode pegar os 26.603 votos do 22 e simplesmente colocá-los na conta da governadora. Isso seria transformar hipótese política em resultado eleitoral.
Mas também é impossível ignorar a fotografia deixada pela apuração. Celina era 11. O PL era 22. O PL estava com Celina, mais de 26 mil eleitores apertaram 22 justamente na eleição para governador. E Celina ficou a sete centésimos percentuais de vencer no primeiro turno.
Talvez nunca se saiba quantos daqueles dedos pretendiam votar nela. Mas uma coisa a urna já deixou registrada para a história desta eleição: teve eleitor que olhou para o 11, dobrou a conta e chegou ao 22.
Na matemática, pode até parecer estranho, mas na política brasiliense, deu segundo turno e Celina não venceu. Ainda, porque o mote da campanha vai enfatizar 0 11. O número da governadora.

