Flávio eleva tom contra Lula, acusado de pregar uma “guerra espiritual”

Redação
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Pimenta Filho - Foto Divulgação

O senador Flávio Bolsonaro (PL) levou a disputa pela Presidência da República para o terreno da fé neste sábado, 10, no Rio de Janeiro. Diante de milhares de evangélicos reunidos no Maracanãzinho, o candidato afirmou que o Brasil atravessa uma “guerra espiritual” e acusou adversários políticos de recorrer à mentira para enganar a população.

As declarações foram feitas durante a comemoração dos 100 anos da Assembleia de Deus Ministério de Madureira, em um momento de acirramento da campanha presidencial. Flávio disputa o segundo turno, marcado para o próximo dia 25, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.

O discurso teve referências religiosas e críticas contundentes aos adversários. Flávio afirmou enfrentar pessoas que considera perigosas e associou a disseminação de mentiras ao que descreveu como uma batalha espiritual.
“Não pensem que é fácil sair de casa todos os dias e enfrentar, além de inimigos mentirosos que tentam usar a arma do diabo, que é a mentira para enganar muita gente”, declarou o senador.

Na sequência, reforçou que não considera simples enfrentar os adversários nem aquilo que identifica como uma guerra espiritual vivida pelo país. A fala foi recebida em um ambiente de forte mobilização religiosa e política.

Embora não tenha mencionado Lula nominalmente nesse trecho, as declarações ocorreram em plena disputa entre os dois candidatos e reforçaram a presença da religião na retórica eleitoral do representante do PL.
Flávio também apresentou sua candidatura como parte de um propósito religioso. Disse acreditar em um projeto de Deus para o Brasil e cantou trechos do louvor Hino da Vitória, acompanhado pela cantora gospel Meire Cerqueira.

O encontro também foi marcado pela participação do bispo Samuel Ferreira, uma das principais lideranças da Assembleia de Deus Ministério de Madureira. Diante dos fiéis, ele conduziu manifestações de apoio ao senador, repetindo o lema “irmão vota em irmão”.

Ferreira afirmou que não estava solicitando votos, embora tenha declarado que, se pudesse, pediria apoio à candidatura de Flávio. O senador respondeu, em tom de brincadeira, que o bispo não havia pedido votos, mas a igreja estava pedindo. A presença de Douglas Ruas (PL), governador eleito do Rio de Janeiro, e do pastor Silas Malafaia reforçou a dimensão política da cerimônia.

O embate com Lula também marcou outras atividades de Flávio no sábado. Durante uma manifestação com apoiadores em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, o senador declarou que o país estaria chegando ao fim da era política do presidente petista.

A campanha presidencial também tem sido marcada pela troca de acusações entre os dois adversários, especialmente nas redes sociais e na propaganda eleitoral. Na quinta-feira, 8, o Tribunal Superior Eleitoral determinou a retirada de três publicações de Flávio que haviam sido questionadas pela coligação liderada pelo PT. A decisão envolveu o uso de inteligência artificial sem identificação adequada e associações de Lula a organizações criminosas consideradas sem sustentação factual mínima.

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