O Vasco entrou em São Januário disposto a transformar o embalo das últimas rodadas em tranquilidade na tabela do Campeonato Brasileiro. Saiu de campo, porém, com um empate amargo, a sensação de dois pontos desperdiçados e a certeza de que a luta para escapar definitivamente da zona de rebaixamento ainda está longe do fim. Na noite de sábado, 10, o time carioca não conseguiu superar a retranca do Remo e ficou no 0 a 0, pela 30ª rodada da Série A.
O resultado teve sabor de derrota para os donos da casa e de conquista para os visitantes. Enquanto o Vasco interrompeu uma sequência de três vitórias consecutivas e permaneceu na 14ª colocação, com 35 pontos, o Remo chegou aos 25, mantendo-se na vice-lanterna. Para os paraenses, que enfrentam dificuldades para escapar da degola, arrancar um ponto no Rio de Janeiro representou um pequeno alento.
O grande personagem da partida foi Marcelo Rangel. O goleiro do Remo transformou-se em uma muralha diante das investidas vascaínas, especialmente nos momentos em que o time comandado por Pedro Emanuel conseguiu romper o sistema defensivo armado pelo técnico Thiago Carpini.
Desde o início, o Vasco assumiu o controle das ações, manteve maior presença ofensiva e tentou explorar a movimentação de seus atacantes. O problema foi encontrar espaços diante de um adversário que se fechou com disciplina, reduziu os corredores e apostou em saídas esporádicas para surpreender.
No primeiro tempo, David teve uma das melhores oportunidades ao invadir a área e finalizar, mas Marcelo Rangel apareceu para impedir a abertura do placar. Lucas Piton também experimentou a resistência do goleiro paraense, que defendeu sua conclusão e viu o lateral desperdiçar o rebote.
O meia argentino Lescano procurou organizar as jogadas e acelerar a circulação da bola, mas o Vasco esbarrou repetidamente na marcação adversária. O Remo, por sua vez, conseguiu suportar a pressão e ainda encontrou oportunidades isoladas de ameaçar o gol defendido por Léo Jardim.
Na segunda etapa, a história praticamente se repetiu. O Vasco voltou disposto a resolver rapidamente a partida, mas encontrou um Remo ainda mais determinado a proteger o empate.
Logo no início, Colidio recebeu passe de David e finalizou para fora. Pouco depois, o atacante deixou o gramado com dores na coxa esquerda, dando lugar a Nuno Moreira. A mudança não alterou substancialmente o panorama: o Vasco continuou atacando, enquanto os visitantes se defendiam e aguardavam oportunidades de contra-ataque.
A insistência cruz-maltina encontrou seu momento mais dramático aos 47 minutos do segundo tempo. Ramon Rique lançou Andrés Gómez em profundidade, deixando o atacante frente a frente com Marcelo Rangel. A finalização cruzada tinha endereço certo, mas o goleiro fez uma defesa espetacular, garantindo o zero no placar.
Foi o lance que resumiu a noite vascaína: disposição para atacar, oportunidades criadas e incapacidade de transformar o domínio em gols.
Quando o árbitro encerrou a partida, a frustração tomou conta de São Januário. O Vasco havia deixado escapar uma oportunidade importante de se afastar dos últimos colocados, justamente diante de um adversário que atravessa uma das campanhas mais difíceis da competição.
Para o Remo, o empate representou uma demonstração de resistência. Mesmo pressionado durante boa parte dos 90 minutos, o time paraense manteve a organização defensiva e conseguiu neutralizar as principais armas do adversário.
A equipe de Thiago Carpini continua em situação delicada, com apenas 25 pontos e ocupando a 19ª posição. Entretanto, o desempenho defensivo em São Januário oferece um caminho para tentar reagir nas oito rodadas restantes.
O Vasco, por outro lado, terá de corrigir a falta de eficiência ofensiva. A equipe mostrou evolução nas partidas anteriores, mas voltou a sofrer diante de um adversário que lhe ofereceu poucos espaços.
O empate também deixa uma advertência: em um campeonato equilibrado, desperdiçar pontos dentro de casa pode custar caro, principalmente para quem ainda convive com a ameaça do rebaixamento.
Sem tempo para lamentações, o Vasco muda o foco para a Copa Sul-Americana. Na terça-feira, 13, enfrenta o Boca Juniors, na Bombonera, em Buenos Aires, pelo jogo de ida das semifinais da competição continental.
Pelo Brasileirão, o próximo compromisso será contra o São Paulo, no sábado, 17, no Morumbis.
O Remo, por sua vez, receberá o Red Bull Bragantino no domingo, 18, no Mangueirão, em Belém, precisando voltar a vencer para manter vivas as esperanças de permanência na elite nacional.
No balanço da noite, o Vasco teve a bola, a iniciativa e as melhores oportunidades. O Remo levou um ponto precioso na bagagem. E Marcelo Rangel, com suas defesas, levou o protagonismo de um jogo em que a rede não balançou, mas a preocupação vascaína aumentou.

