Para o PL de Valdemar, as urnas de 2026 agora são as mais confiáveis do mundo

Redação
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Heliodoro Quaresma - Foto Marcello Casal Jr

A história cobrará um preço alto pelo que estamos vivendo nesses tempos nebulosos da política brasileira. Vencedoras do pleito de 2026, a direita e a extrema-direita passaram sobre a esquerda como um verdadeiro rolo compressor. Nada a lamentar não tivesse o Congresso Nacional se transformado em uma casa majoritariamente evangélica e cada vez mais distante do povo. Nada contra não fosse o Brasil um país solidário, laico, de maioria católica e, até agora, de muito respeito entre os religiosos.

Após quatro anos de oposição ferrenha, fanática e de muitos ataques ao petismo, seu principal adversário, a legenda comandada por Valdemar Costa Neto e que abriga todo o clã Bolsonaro passará de pedra ou atiradeira à vidraça. Mesmo com maioria nas duas casas do Congresso, tudo indica que o PL e seus deputados e senadores eleitos experimentarão do próprio veneno. Ou seja, a partir de fevereiro de 2027 será deles a janela a ser quebrada com críticas, investigações e cobranças.

A primeira delas envolve a urna eletrônica, vítima número um do partido e de seus filiados desde a eleição de 2018. Vencedores do pleito de 2026, os representantes do PL, entre eles Valdemar Costa Neto e seus candidatos proporcionais e majoritários, mudaram de hábito e nenhum deles amaldiçoou a máquina de votar. Pelo contrário. Pelos quatro cantos do país, as urnas eletrônicas passaram de patinho feito ao mecanismo eleitoral mais confiável do mundo. E assim caminha a humanidade.

Embora jamais tenha me iludido com os políticos brasileiros, temo pelo que possa acontecer no ano que vem. Apesar da relativa distância, desde já me preocupa propostas indecentes como o fim do Estado laico, o fim de direitos trabalhistas, a destruição do meio ambiente, o sucateamento da saúde pública e das universidades federais, a venda das estatais a preço de banana, a subserviência internacional e a clara intenção de transformar o Brasil em quintal de países poderosos.

Aproveitando que a religião evangélica ainda não é oficial no Brasil, diariamente rogo, silenciosa e freneticamente, a todos os santos, aos quais peço que os deputados e senadores esqueçam o farisaísmo por alguns segundos e olhai por nós, os ingênuos e, principalmente, os que terão de pagar pelas escolhas erradas dos beócios políticos. Sei que é uma blasfêmia envolver o sagrado nome de Deus na patifaria chamada política, mas, no atual estágio da vida, a quem recorrer?

Ao Supremo Tribunal Federal? Nem pensar, pois, quando a mais alta Corte do país vira personagem de memes, charges e escândalos, o problema deixa de ser político ou social e se transforma em crise sobrenatural de credibilidade. Fechadas as urnas do primeiro turno, a Inês é morta. Os deputados e senadores já estão provando os ternos da posse. Portanto, antes que se dirigissem às seções eleitorais no último dia 4, os eleitores bem que poderiam ter estudado sobre o preço e as consequências de um voto errado. Agora, só nos resta orar. E muito.

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