Até que me provem o contrário, a crise envolvendo os ministros do Supremo Tribunal Federal interferiu diretamente no resultado do primeiro turno das eleições. Pela primeira vez na história do Brasil, o STF roubou a cena do processo eleitoral. Por isso, o corre-corre dos candidatos para mostrar aos eleitores, sobretudo aos indecisos quem é que verdadeiramente estava comprometido com as propostas de controle do Tribunal. Jogo de cena ou não, a estratégia deu certo para todos que se vitimizaram diante das mazelas do STF.
Embora convenientemente tenham esquecido de que há outros ministros que também têm vínculo com Daniel Vorcaro, todos os que se manifestaram contra a Corte, ameaçaram Alexandre de Moraes de impeachment, Flávio Dino de morte e Gilmar Mendes de castração ganharam muitos votos de quem entende nada de coisa alguma e outros tantos daqueles que se acham supremos em assuntos políticos, mas, no máximo, entendem de depilação a laser em pets emasculados.
Na mesma linha dos “entendidos”, há os que juram que o segundo turno já está ganho pelo candidato Flávio Bolsonaro, vencedor com folgas da primeira volta eleitoral. Quem entende do riscado sabe que não é bem assim. Dizem os especialistas em urna eletrônica e, principalmente, em cabeça de eleitor que segundo turno é outra eleição. Portanto, até o próximo dia 25 de outubro tudo pode acontecer, inclusive papagaio virar arara, mico leão se transformar em leopardo e a galinha ciscar para frente.
O fato é que o desenho sobre o futuro do Brasil começou a ser rabiscado no último dia 4, a fotografia definitiva do país só será conhecida na noite do dia 25. Apesar da expressiva diferença de votos de um turno para outro e do apoio explicitado de candidatos derrotados à candidatura conservadora, ninguém tem bola de cristal, muito menos lampejos de bruxos para garantir que todos os votos de Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos irão para Flávio Bolsonaro.
Como o voto é secreto, caberá ao eleitor dos perdedores ponderar e decidir a respeito daquele que merecerá seu voto. Que venha o segundo turno e que, mais uma vez, vença o que o povo achar melhor. O que temos de pedir é que essa “segunda eleição” chegue com esperança, organização social e com a certeza de que a história ainda não terminou de ser escrita. E, apesar dos vocês que a gente não conhece e não entende, amanhã há de ser outro dia. Como bom samaritano, sugiro aos derrotados que não desistam nunca, pois o caminho que leva ao sucesso tem várias etapas e inclui alguns obstáculos.
Quanto aos vencedores, não é demais lembrar que nem todos os dias serão fáceis para ambos os lados até 25 de outubro. Cada novo dia significará uma chance de recomeço, uma oportunidade única com 24 novas possibilidades de tentar mais uma vez. Preparar-se para o pior não significa parar de lutar. Na verdade, é exatamente o contrário. O detalhe é que as reconhecidas e complicadas mazelas do STF elegeram quem tinham de eleger no primeiro turno. No segundo, nem com reza forte e apoio do coroinha Edson Fachin a Corte elegerá o novo presidente.

