Fugitivo, o vinho que não pede licença para chegar à mesa e ser degustado

Redação
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Pedro Henrique Leôncio Mota - Foto Divulgação

Há vinhos que chegam à mesa carregados de cerimônia. Exigem taças especiais, explicações sobre safras, regiões produtoras e, muitas vezes, uma conta que assusta. Outros simplesmente chegam, são abertos e cumprem aquilo que talvez seja sua maior vocação: aproximar pessoas.

O Fugitivo Prófugo Rosé parece ter nascido para essa segunda categoria. De origem argentina, chama atenção antes mesmo de ser aberto. Seu rótulo irreverente, com uma figura de óculos e expressão divertida, foge da solenidade de muitas garrafas. É quase uma provocação: por que levar o vinho tão a sério?

Imagine uma tarde ensolarada em Brasília. Amigos reunidos, uma varanda, uma mesa com queijos, bruschettas ou petiscos. A conversa começa sem compromisso e vai longe. Um rosé servido fresco combina perfeitamente com esse cenário.

E não é preciso complicar a harmonização. Rosés são, em geral, versáteis e podem acompanhar saladas, peixes, aves e pratos leves. O importante é experimentar, descobrir preferências e aproveitar o momento.

Mas existe outra questão que merece entrar nessa conversa: o preço.

Durante muito tempo, criou-se a impressão de que apreciar vinho seria um privilégio de quem pudesse gastar muito. Como se uma garrafa de R$ 200 proporcionasse necessariamente uma experiência cinco vezes melhor do que outra de R$ 40.

Não é assim que o prazer funciona. Existem vinhos caros extraordinários e vinhos acessíveis que surpreendem. O segredo está em saber escolher, sem confundir preço com satisfação.

É justamente dessa ideia que nasce a filosofia da Sociedade do Vinho que projeta dar acesso a vinho para todos.

Democratizar o vinho não significa desprezar os grandes rótulos. Significa mostrar que ninguém precisa conhecer todas as uvas do mundo, dominar termos franceses ou gastar uma fortuna para apreciar uma boa taça. O Fugitivo Prófugo Rosé, com seu nome curioso e sua apresentação bem-humorada, é um convite para essa conversa.

Talvez ele não seja o vinho reservado para uma grande celebração, ou não seja aquele que nos lembra que uma terça-feira qualquer também pode merecer um brinde. Porque, no fim das contas, o melhor vinho nem sempre é o mais caro, o mais premiado ou o mais famoso. Às vezes, é simplesmente aquele que foi aberto na companhia certa.

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Pedro Henrique Leôncio Mota é fundador da Sociedade do Vinho

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