Judiciário precisa silenciar e deixar o eleitor escolher quem ocupará o Planalto

Redação
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Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

A exemplo da maioria dos brasileiros que verdadeiramente vestem a camisa amarelinha, eu não tenho medo da política. Tenho pavor dos políticos e das autoridades do tipo vitalícias que, ao sabor do vento e da marola de seus aliados, tentam diariamente transformar mentiras em verdades, intolerância em liberdade e autoritarismo em patriotismo. Anos após os ensurdecedores ataques à credibilidade do sistema eletrônico de votação e à seriedade dos representantes da esquerda, a bola da vez na berlinda da extrema-direita é o “exército” de um candidato que busca na Justiça Eleitoral ter os mesmos direitos de seu adversário.

Um dia ele consegue, no outro não e, às vezes, lhe pedem 48 horas para que sua majestade, o comandante eleitoral, pense melhor a respeito. Decisão vai, decisão vem, e estamos a dez dias do segundo turno da eleição presidencial. Não é nada, não é nada, o que ele, o dono da Corte, quer é que não seja nada mesmo. É ou não é uma vergonha nacional? Diante do manobrismo explícito, a pergunta que não calar é simples: E se fosse o inverso? A resposta também é simplória: Aí o bicho ia pegar de verde e amarelo, com uma faixa preta no meio.

Denominar abertamente o Tribunal Superior Eleitoral de protagonista das eleições de 2026 é apostar na imbecilidade eleitoral de milhões de eleitores, particularmente aqueles que votam conforme o estabelecido pela conduta além Tribunal de alguns ministros. É justo que as excelências tenham lado partidário e simpatia política. No entanto, como prega a liturgia do cargo, deixem para os eleitores a decisão final sobre esse ou aquele candidato. O que não poderia ocorrer, está ocorrendo.

Descobridor dos sete mares do voto com fé, o rei que também se acha o dono das togas parece ter se acostumado a, equivocadamente, chamar para si e julgar processos de colegas. E julgar diferente do colega de bancada. Pior do Casa de Mãe Joana, parte do TSE de 2026 claramente trabalha para beneficiar ou prejudicar candidatos. Na verdade, um candidato. Como dizem alguns analistas, voto sim, e voto não nada tem a ver com excesso de zelo das excelências. Na prática, um ministro atropelar o espaço de um e ser emparedado por outro é um desserviço à nação.

Em outros tempos, os bons e sérios ministros que a Corte Eleitoral já teve chamariam isso de interferência parcial, tendenciosa, incabível e antidemocrática. Hoje, no vale tudo para se alcançar a Presidência da República, alguns entendem essas decisões como “reguladoras” do processo. Reitero que o mais interessante é que só regulam para um lado. Regras para uns, normas para outros e regulamentos para nenhum, o que o povo precisa saber é se haverá eleição livre no domingo, dia 25. Para que mais juízes estimulando o ódio?

Nessa batalha interna para decidir o que pode ou não acontecer nas quatro linhas da disputa presidencial, o mínimo que o cidadão comum e com inteligência acima da média pode dizer é que melecaram o sagrado pleito eleitoral. É claro que o adjetivo seria outro, mas a liturgia da pena do narrador não permite que ele diga o que pensa. Na melhor das hipóteses, o cenário é o pior possível.

Me valendo da minha imaculada condição de eleitor livre e soberano, convém lembrar às excelências do TSE que atiçar o fogo não é papel de quem, supostamente, é pago para zelar pelo texto do Código Eleitoral, pelos artigos da Constituição Federal e, por consequência, pela democracia. Au revoir, excelências da parcialidade.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978 

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