Fato, fake, mentira ou fofoca. Independentemente da semântica, todas as expressões resultam no mesmo objetivo: comentar, especular ou divulgar fatos da vida de outras pessoas, com base em boatos ou informações não comprovadas. Também conhecidos por mexericos, futricas, fuxicos ou calúnias, os vocábulos se transformaram no caminho mais curto para que, de forma criminosa, políticos de má índole e péssima conduta distorçam a verdade e, mesmo sem provas, criem narrativas mentirosas sobre a intimidade dos adversários.
Variando de um simples comentário descontraído à tentativa deliberada de prejudicar ou denegrir a imagem do opositor, os citados termos não são brincadeira de criança. Como afirmam os pensadores populares, o povo, notadamente o eleitor, precisa ter cuidado com a fofoca, pois normalmente ela é dita ou criada para que o ouvinte e/ou leitor odeie o inocente e valorize o mentiroso. Como quem fofoca com você, fofocará sobre você, em épocas eleitorais o melhor são os ouvidos moucos.
Lembrando uma antiga tese do escritor brasileiro Monteiro Lobato, para quem “O mexerico é a ambrosia dos lugarejos pobres”, mesmo sem entrar no mérito, tudo indica que o resultado eleitoral de 2026 em favor de uma candidatura evidenciou a profusão de fakes e de fofocas nos guetos e nas comunidades mais carentes. De forma contrária, a fofoca e a mentira morrem nos ouvidos dos mais inteligentes. As pessoas que pensam sabem que o que não edifica não faz prosperar.
Com o advento das redes sociais, as fofocas deixaram de ser apenas palavras pequenas vindas de mentes menores. Os mais sábios entendem que o que o José pensa do João diz mais sobre José do que sobre João. O problema é mostrar aos desinteligentes que, como a fofoca sempre está a serviço da inveja, ela acaba sendo a muleta dos fracos e dos invejosos. É por meio dela, da fofoca, que as pessoas fracas, rasteiras e pequenas arrumam forças para tentar derrubar ou destruir antagônicos mais fortes e, às vezes, vencer a eleição.
Não à toa, os políticos do bem e os eleitores da paz hoje reconhecem que as fakes news, nome elitizado do mexerico, é um brinquedo assassino nas mãos de pessoas infelizes. Às vezes, lembram serpentes peçonhentas rastejando pelas veias dos tolos e ociosos. Para os psiquiatras sem ideologia política, o perfil da pessoa que mente para prejudicar a outra é baseado em ressentimentos e em seus próprios defeitos.
Pior do que elas só os que param para ouvi-las. São aqueles que, despreocupados com as adjetivações pejorativas, julgam o outro exclusivamente pelas aparências, pela fofoca de líderes religiosos e pelas notícias de jornais, rádios e televisões. Resumindo a participação do povo mais aculturado no dia a dia da política, no país da fofoca, ter opinião é tabu, algo como um ato revolucionário. Desde as eleições de 2018, poucos brasileiros votam. A maioria atende a pedidos superiores.
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Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

