País onde proxeneta manda na mídia e corrompe juízes não pode ser sério  

Redação
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Mathuzaém Júnior - Foto de Arquivo

No Brasil pós-pandemia de Covid-19 e do ressurgimento de fantasmas da ópera no Congresso Nacional e, quem sabe, no Palácio do Planalto não falta acontecer mais nada. Talvez, só talvez, Donald Trump assumir seu papel de maioral supremo de coisa nenhuma e, por intermédio do ventríloquo Marco Rubio determinar que Mister Bean assuma o Palácio do Planalto pelo menos até que as naves de terceiras e quartas dimensões que rondam a Esplanada dos Ministérios deem seus recados, peguem seus bonés e sei piquem.

Isso se o czar, o rainho, o imperador ou o rei da cocada preta Daniel Vorcaro deixar. Na verdade, se o Brasil não sucumbir antes e definitivamente à esculhambação de um grupo que pensa em eleger para salvar o país. Salvar? Depois da descoberta das novas peripécias do brinquedo assassino travestido de banqueiro endinheirado, me avisem se sobrar alguém na rua, na chuva, na fazenda, na política e nas redações dos jornais, sites e televisões brasileiras.

O que será dos que conseguiram se salvar dos tentáculos do pai dos ricos, famosos e dominadores? Só Jesus na causa. Qualquer cidadão de um país de quinta categoria se envergonharia de se imaginar sob a tutela de um banqueiro baderneiro, desrespeitoso, corrupto e deprimentemente usurpador do dinheiro público. No Brasil do vale tudo político, não é assim. Os brasileiros que se revoltam, se manifestam e votam contra quem o apoia são considerados insensíveis, mentirosos, esquerdopatas e até comunistas.

O que dizer a meus pares de nações subdesenvolvidas a respeito de um Brasil que almeja o Primeiro Mundo, mas que abriga banqueiros, magistrados, políticos, candidatos presidenciais e empresários, editores, comentaristas e articulistas de rádios, jornais, televisões e sites dependentes e corrompidos por Vorcaro e que, por isso, não respeitam o povo, seus eleitores, ouvintes, telespectadores e leitores? Nada além de fechar os olhos para mais essa vergonha nacional, engolir o choro e rogar a Deus e à Nossa Senhora Aparecida por dias melhores.

É o fim do mundo? Obviamente que não, na medida em que não há novidade alguma no noticiário acerca do emporcalhamento que Vorcaro impõe ao Poder Judiciário e à grande mídia, particularmente à TV Globo, Globo News, Metrópoles e revistas Veja e Isto É. Em alguns desses veículos, o cidadão acima de todas as leis produzia, dizia como a matéria deveria ser escrita e editada e só não as apresentava porque tinha lampejos de humildade na hora do gol. Na orgia jornalística, ele claramente jogava nas 11 para alcançar o 22. Será que ainda podemos chamar este país de sério?

Quanto à orgia libidinosa, dizem as boas línguas que Daniel Vorcaro é o Jeffrey Epstein brasileiro. As más o associam a todos os que trabalham pela decadência generalizada do Brasil. Querem prova maior do que a terrível imagem de dezenas de carros boiando nas ruas da capital paulista após mais uma inundação na cidade? Para os que buscam uma única razão para minimizar os efeitos das águas, não custa lembrar que, enquanto a chuva cai, o governador e o prefeito se reúnem com os deuses da lambança e da mentira para tentar salvar aliados e explicar o inexplicável.

Em tempo, Epstein, amigo do presidente norte-americano Donald Trump, foi um famoso financista, abusador de menores e proxeneta de mulheres para satisfazer a gula sexual de empresários, juízes, políticos, acadêmicos e quem mais topasse ajudá-lo. Portanto, qualquer semelhança entre Daniel Vorcaro e Jeffrey Epstein não é mera coincidência, mas pura saliência. E, dependendo o resultado eleitoral do próximo dia 25, lá vamos nós celeremente para um novo buraco negro. Ou seria verde e amarelo?

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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