Entre verdades e mentiras, Brasil de 2026 parece eterno primeiro de abril

Redação
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Sonja Tavares - Foto Editoria de Imagens/IA

Como qualquer cidadã que ainda acredita no Brasil dando a volta por cima e aterrissando em uma pista tranquila, sem buracos e que caiba muitos voos simultâneos, sou daquelas que, apesar dos atuais modismos políticos, têm certeza de que as paixões humanas não passam dos meios que a natureza utiliza para atingir seus fins. Buscando aprender com os ensinamentos do Marquês de Sade, será que teremos de ultrapassar as sinalizações da natureza para perceber o que ela, de fato, quer nos dizer? Ver é crer, mas sentir é estar certo.

Metáforas à parte, o que quero dizer com voos de paz, modismos que geram intolerância e os sinais da natureza é que, bem à nossa vista, os aeroportos do Brasil dos anos 2010/2020 testemunham mais beijos verdadeiros do que os salões de casamento. Mais preocupante é que, desde o embate político de 2018, as paredes de hospitais ouvem mais orações sinceras do que as das igrejas, notadamente as evangélicas.

De bem com a vida, mas decepcionada com os exageros do meu otimismo, torço para que o Brasil e os brasileiros se reencontrem com as velhas e boas práticas políticas, mas raivosamente temo pelo que está por vir. Com alguma sabedoria, muito estudo e tentando compreender tudo e todos, confesso minha dificuldade de saber quando começa a verdade do homem mentiroso e em que momento ou ocasião termina a mentira do cidadão verdadeiro.

Sem muito esforço, a impressão que me sobra é que o Brasil se transformou no país onde o ano inteiro é primeiro de abril. Donde se conclui que, na melhor das hipóteses, terra em que todos mentem achando que estão dizendo a verdade é porque ninguém tem nada com coisa alguma. Tentando me explicar, no Brasil dessas duas últimas décadas, principalmente no de 2026, o pessoal da direita, da esquerda e do centro finge que ouve o que os demais brasileiros falam.

O problema é que a gente sabe que eles não sabem o que a gente ouve. É o mal formulado, brincalhão, arrogante e desinteligente teatro de surdos mudos produzido para uma desorganizada e desunida, porém, majoritária, plateia de cegos. Eis a explicação para o movimento de boneco de posto de gasolina do eleitorado nas últimas eleições do país. O emburrecimento eleitoral que se vê é fato e não fake.

Independentemente do “conceito” ideológico, os votos dados no primeiro turno desta eleição presidencial ainda em curso comprovam a despreocupação de boa parte do eleitorado com o presente e com o futuro da nação. Na prática, o que esse substancial quantitativo de eleitores busca é saber cada vez mais sobre cada vez menos, até saber tudo sobre nada. Dito tudo isso, a definitiva conclusão a respeito da política do Brasil é que nada é mais falso do que uma verdade estabelecida.

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Sonja Tavares é Editora de Política de Notibras

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