O Palmeiras precisou de nervos de aço, coração forte e uma dose generosa de sofrimento para garantir presença na grande final da Copa Libertadores da América. Na noite de quarta-feira, 21, diante de mais de 40 mil torcedores no Nubank Parque, em São Paulo, o Verdão foi derrotado pelo Fluminense por 1 a 0 no tempo regulamentar, mas encontrou nos pés de seus cobradores e nas mãos do goleiro Carlos Miguel o caminho da classificação. Nos pênaltis, venceu por 5 a 3 e transformou a apreensão em festa.
A equipe comandada pelo português Abel Ferreira entrou em campo carregando a vantagem de ter vencido o primeiro confronto, no Maracanã, por 2 a 1. Bastava um empate para avançar. Entretanto, como costuma acontecer nas grandes batalhas do futebol sul-americano, a vantagem construída anteriormente não foi suficiente para garantir uma noite tranquila.
O Fluminense, consciente de que precisava vencer, não se intimidou com a pressão da torcida adversária. O time carioca procurou espaços, enfrentou a marcação palmeirense e manteve viva a esperança de chegar à decisão continental. Do outro lado, o Palmeiras alternava momentos de controle com dificuldades para transformar a posse de bola em oportunidades claras de gol.
O primeiro tempo terminou sem que as redes balançassem. Na etapa complementar, o confronto ganhou contornos dramáticos. Aos 37 minutos, Wesley Natã encontrou Hércules, que finalizou com precisão e colocou o Fluminense em vantagem. O gol silenciou momentaneamente o estádio e deixou o confronto empatado em 2 a 2 no placar agregado.
A partir daquele momento, o relógio parecia caminhar mais lentamente para os palmeirenses. O Fluminense defendia a vantagem no jogo, enquanto o Verdão procurava evitar a decisão por pênaltis. Nenhum dos dois conseguiu alterar o marcador, e a vaga acabou sendo decidida na marca da cal.
Foi então que Carlos Miguel assumiu o papel de protagonista. Maurício, Gustavo Gómez, Ramón Sosa, Piquerez e Marlon Freitas converteram suas cobranças pelo Palmeiras. Pelo Fluminense, Thiago Silva, Hércules e Guilherme Arana também marcaram, mas Nonato parou nas mãos do goleiro palmeirense.
A defesa de Carlos Miguel abriu caminho para que Marlon Freitas convertesse a última cobrança e decretasse a classificação. O estádio explodiu em comemoração. A angústia virou alívio, e o alívio se transformou na certeza de que o Palmeiras disputará mais uma final de Libertadores.
A classificação representa a oitava presença do Palmeiras em uma decisão da principal competição de clubes da América do Sul. Campeão em 1999, 2020 e 2021, o time paulista agora persegue o tetracampeonato, que poderá consolidar ainda mais sua posição entre os gigantes do continente.
O adversário será conhecido nesta quinta-feira, 22, quando Flamengo e Estudiantes se enfrentam no Maracanã. O confronto de ida, na Argentina, terminou empatado sem gols. Caso os cariocas avancem, a Libertadores terá uma final brasileira, reunindo dois dos clubes mais poderosos do futebol nacional.
A decisão está marcada para 28 de novembro, no Estádio Centenário, em Montevidéu, no Uruguai. Até lá, Abel Ferreira terá a missão de administrar o desgaste físico e emocional de um elenco que continua envolvido também na disputa pelo título do Campeonato Brasileiro.
Para o Fluminense, resta a frustração de ter chegado tão perto. O Tricolor venceu fora de casa, conseguiu anular a vantagem palmeirense e levou a semifinal até seu limite, mas acabou eliminado na disputa de pênaltis.
Para o Palmeiras, a noite deixou uma lição conhecida de quem está acostumado às grandes decisões: nem sempre o melhor caminho para a glória é o mais tranquilo. Às vezes, é preciso atravessar o sofrimento, desafiar o destino e descobrir que, entre a eliminação e a classificação, existe um goleiro disposto a fazer a diferença. E Carlos Miguel fez.

