Futuro do Brasil só depende da roupa que vamos usar em 2027

Redação
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Mathuzalém Júnior - Foto Tânia Rêgo

Tão velho como eu, diz um atualíssimo ditado que nós somos os donos de nossos destinos. Parafraseando um antigo programa de governo, meu voto, meu destino. Também denominado de porvir, ele não é uma questão de sorte, mas de escolha. Ou seja, não é uma coisa que se espera, mas que se busca. Didática, social e politicamente, o rumo que pretendemos seguir é moldado exclusivamente pelas nossas preferências e reflete a relação entre o que acontece, o que decidimos fazer e o caminho que devemos evitar. Tudo isso para dizer que o futuro só depende de nós.

Hoje, dia em que eu e cerca de 160 milhões de brasileiros escolheremos o curso desse gigante chamado Brasil, a primeira decisão é, metaforicamente, sobre mudar de roupa e correr o risco de virar um farrapo ou continuar com a mesma e ter a certeza de que estaremos bem arrumados para o baile para o qual todos serão convidados. Faz algumas semanas, talvez meses, o tal destino embaralhou as cartas. Como não consigo mudar meu destino, mudei minha atitude e devo permanecer com a mesma roupa.

Baseado nos ensinamentos do pensador espanhol Lucius Aneus Sêneca, aprendi que o destino conduz o que consente e arrasta o que resiste. Como sou o arquiteto do meu próprio destino, naturalmente sou eu quem decide a respeito daquele que entra e daquele que fica ou não em minha vida. Por isso, mais uma vez resolvi apostar no velho jogo da confiança e optei por não ser arrastado.

Conscientemente, seguirei o traçado do consentimento e de um passado que ainda está bem presente. Por isso, mesmo sem coringas e sem ases na manga, o propósito que me levará à seção eleitoral neste domingo será determinado por uma decisão pessoal e não por condições impostas ou sugeridas por terceiros. Portanto, se o destino tiver outros planos políticos para mim, ele que mude de ideia. Generalizando, o amanhã depende do nosso voto, ou seja, do que a gente fizer hoje.

Por isso, em que pese o respeito aos diferentes, parto sempre do pressuposto de que, para a política, o homem é um meio. Para a moral, ele é um fim. Daí minha conclusão no sentido de que a revolução do futuro passará obrigatoriamente pelo triunfo da moral sobre a política. Vença a direita ou a esquerda, certamente o Brasil continuará dividido. Queira Deus que essa divisão não interfira nos destinos da nação. Mais do que também governar para a concorrência, o presidente eleito tem até o início de janeiro de 2027 para buscar uma fórmula capaz de pelo menos reduzir o incômodo das três últimas eleições.

Ainda que um lado discorde da vitória do outro, a partir de segunda (26) já se inicia um novo governo que, agrade ou não, tem de ser legitimado pelas autoridades eleitorais e, principalmente, pelo povo. Adaptando um provérbio chinês, até às 17 horas de hoje o destino de 213,2 milhões de brasileiros se resumirá em uma hipotética faca. Usá-la com sabedoria e consciência é uma questão de escolha pessoal. Se a opção foi boa ou ruim só saberemos após a contagem do último voto. Aí sim teremos condição de afirmar se realmente somos ou não donos de nossos destinos. Tomara que ninguém me arraste para onde não quero ir.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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