Vença quem vencer cadeira do Planalto, direito de votar não pode morrer

Redação
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Armando Cardoso - Foto Paulo Pinto

Vença quem vencer, eu só não quero perder o direito de continuar votando

*Armando Cardoso

Eleição presidencial é coisa séria. Não fosse, um poderia votar pelo outro e o outro pelo um. Nada mais óbvio, mas, diante dos riscos que uma escolha errada pode significar, nada melhor do que aproveitar este domingo decisivo para refletir com a máxima seriedade sobre o que queremos para o país. É o futuro do Brasil que está em jogo. Por mais que alguns (ou muitos) não a levem tão a sério, eleição para Presidente da República não é um jogo. É a decisão sobre quem vai gerir os nossos impostos, a nossa saúde, a segurança pública e a educação de nossos filhos.

Na melhor das análises, eleição significa convergência democrática e não divergência ideológica com objetivo divisionista. Em síntese, é a oportunidade de reflexão máxima a respeito da importância de cada um dos 213,2 milhões de brasileiros. Em frente à urna eletrônica, o cidadão comum tem o mesmo peso e poder do que o homem mais rico do país. Pois é justamente nesses dois ou três segundos necessários para apertar a tecla Confirma que que temos a obrigação de lembrar que o voto tem preço ou consequência.

Insistindo na tese político-antropológica de que a democracia se renova e se fortalece a cada eleição, o momento é para que pensemos no futuro e não no agora. Por isso, além de eleger um candidato com capacidade, alinhamento de valores, vontade social coletiva e competência para a função, votar com sabedoria é pensar indistintamente no todo e não apenas no benefício próprio. Não nos esqueçamos que a urna registra o voto, mas é a nossa consciência que carrega o resultado.

Considerando que, independentemente de quem seja eleito, o eleitor será sempre considerado culpado por uma eventual má gestão do escolhido. Daí a necessidade de votar com a certeza de que o tempo de duração de um mandato presidencial não é o mesmo do relógio. Se o presidente de nossa preferência for bom, passa rápido. Se ruim, não acaba nunca. Filosoficamente, o vento que sopra hoje pode nos refrescar ou nos varrer amanhã.

Marketing publicitário, verve histriônica ou respaldo financeiro de poderosos e de instituições privadas não agregam aptidão ou conhecimento a um candidato presidencial. Até que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral anuncie oficialmente a conclusão da votação, informo a mim mesmo que, caso meu candidato vença, não me tornarei seu defensor incondicional. Pelo contrário. Continuarei cobrando, criticando e reconhecendo seus erros. Afinal, meu voto não é uma declaração de amor, mas uma escolha política.

Como entendo que políticos passam, governos terminam e ideologias se alteram com o tempo, se meu preferido perder, certamente aceitarei ser governado por quem considero pior. Da mesma forma que aceito resultados que me decepcionam, tenho a obrigação democrática de aceitar derrotas eleitorais sem ódio, rancor ou intolerância. Inaceitável é me imaginar perdendo o direito de simbolicamente disputar a próxima eleição. Vença a direita, vença a esquerda, o que espero é a permanência do meu direito de escolher livremente quem vai governar o meu país.

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Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras

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