O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protagonizou neste domingo, 25 de outubro, uma das maiores reviravoltas da história eleitoral brasileira. Depois de perder o primeiro turno para o senador Flávio Bolsonaro (PL), o petista inverteu o cenário na votação decisiva e teve sua reeleição projetada pelo Datafolha. Aos 80 anos, Lula caminha para conquistar o quarto mandato presidencial, um feito sem precedentes na República brasileira.
A virada tem um significado que ultrapassa a simples troca de posições entre dois adversários. Desde a redemocratização, em 1985, nenhum candidato havia conseguido chegar à Presidência depois de terminar o primeiro turno em segundo lugar. Lula rompeu essa sequência histórica, transformando uma desvantagem inicial em vantagem na reta final da apuração.
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro conquistou 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença alimentou uma campanha de segundo turno marcada pela polarização, pela disputa dos eleitores que haviam escolhido outros candidatos e por pesquisas que apontavam um confronto extremamente equilibrado.
A contagem dos votos confirmou o suspense. Flávio chegou a liderar a apuração, mas Lula assumiu a dianteira quando 48,42% das seções estavam contabilizadas. Com 80,75% das seções apuradas, o presidente somava 51,31% dos votos válidos, contra 48,69% do adversário. A diferença ultrapassava 2,6 milhões de votos.
A eleição, entretanto, não ficará registrada apenas pela virada nas urnas. O domingo foi marcado por uma decisão judicial incomum, que alterou o horário de encerramento da votação em todo o território nacional.
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, determinou que as seções eleitorais permanecessem abertas até as 19 horas, duas horas além do horário originalmente previsto. A medida atendeu a uma solicitação da campanha de Lula, fundamentada em denúncias de dificuldades de deslocamento de eleitores provocadas pela oferta insuficiente de transporte público.
A campanha de Flávio Bolsonaro também havia solicitado a ampliação do horário em localidades atingidas por chuvas, alagamentos e outros obstáculos à circulação dos eleitores. O Ministério Público Eleitoral manifestou-se contrariamente à prorrogação.
A decisão acrescentou um capítulo de controvérsia a uma eleição que já vinha sendo disputada voto a voto. A questão central envolveu o equilíbrio entre o cumprimento do calendário eleitoral e a garantia de que cidadãos prejudicados por dificuldades de transporte pudessem exercer o direito ao voto.
A extensão do horário também interferiu na dinâmica da divulgação dos resultados, prolongando a expectativa de eleitores, partidos e lideranças políticas.
Para Lula, o resultado projetado representa mais do que a permanência no Palácio do Planalto. O presidente, que governou o Brasil entre 2003 e 2010 e retornou ao poder em 2023, aproxima-se de um quarto mandato, ampliando uma trajetória política que atravessa diferentes gerações e períodos da democracia brasileira.
Para Flávio Bolsonaro, a disputa representa uma derrota projetada depois de uma campanha em que conseguiu terminar o primeiro turno à frente do presidente e manter a eleição indefinida até a noite decisiva. O senador demonstrou força eleitoral ao reunir quase metade dos votos válidos, evidenciando a dimensão da divisão política do país.
O desafio que se apresenta ao próximo governo não será pequeno. A eleição revelou um Brasil dividido, no qual a diferença entre os dois projetos políticos permaneceu estreita até a contagem final.
Lula conseguiu inverter a ordem de chegada do primeiro turno. A confirmação definitiva da vitória, entretanto, depende da conclusão e da oficialização da apuração pela Justiça Eleitoral.
O fato histórico já apontado pelas projeções é expressivo: pela primeira vez desde a redemocratização, o candidato derrotado na primeira rodada conseguiu transformar a desvantagem em vitória projetada no segundo turno.
E, numa eleição em que até o relógio precisou ser ajustado por decisão judicial, o Brasil encerra o domingo com uma página singular de sua história política.
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Marta Nobre é Editora Executiva de Notibras


GRANDE VITÓRIA! Eleição sofrida e c expectativa! Valeu LULA! ♥️♥️♥️♥️♥️♥️♥️
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Foi o vira, vira, virouuuuuuuuuuu!!!!!! Maisined
!!!!! Mas, inesperado, desejado e batalhado…