Fuga de Flávio soa como traição ao bolsonarismo

Redação
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Mathuzalém Júnior - Foto Reprodução das Redes Sociais

Justo e autoaplicável, o termo fugitivo significa que uma pessoa ou animal fugiu da prisão ou da justiça. No caso do agora quase ex-senador Flávio Bolsonaro, as duas coisas. Derrotado, covarde, patético e preocupado em dividir camas com os “donos” da Papudinha, o candidato presidencial do PL não aguentou a rebordosa de 4,4 milhões de votos que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lhe empurrou goela abaixo. Fugiu. Aprendi com os mais velhos que não se deve chutar cachorro morto. Realmente não devo.

No entanto, como não lembrar que o fujão vem de uma família que desaparece porque não sabe perder. E não há que se falar em perseguição. Pai e filho perderam eleições disputadas democraticamente. Se perderam, não é culpa de Lula, mas do povo que, finalmente, descobriu a verdadeira razão da sede de poder do clã Bolsonaro. A fuga do filhinho preferido de Jair Bolsonaro, o “reizinho” da capital do Estado do Rio de Janeiro, provavelmente reduzirá o bordão “Deus, Pátria e Família” a um comemoradíssimo vá para os quintos e não volte nunca mais. Só preso, é claro.

Uma pena, mas sobrou para os bolsonaristas raiz, aqueles que matariam e morreriam pela família e em nome da correção, da honradez e da honestidade plena, a vergonhosa certeza de que, além do próprio, mais um filho do Jair fugiu à luta.  A essa hora, onde estará o Wally? Poucos sabem e muitos devem estar imaginando como se deu a fuga. Será que ele saiu do país disfarçado de Javier Milei? Ou terá sido de Super Mário? Talvez de tocador de flauta andina, galã das novelas da amiga Globo ou de velho da Havan. Pouco importa como.

Importante é que, endinheirado, ele fugiu para os braços de Morfeu, também conhecido por Donald Trump, o que sonhou um dia com a propriedade do mundo. Não conseguiu e jamais conseguirá. Para os que ficaram e que insistem em se autointitular patriotas restou a vergonha de ter deixado de viver por alguém que não honrou a Pátria que tanto dizia amar. Se me permitem, patriotas são aqueles que não precisam se enrolar no verde, amarelo, azul e branco de nossa bandeira para carregar a força, a esperança e a beleza de um povo que não desiste nunca.

O verdadeiro patriotismo não se resume a símbolos vazios ou à criação de mitos, mas ao compromisso com a educação, a ética e a cidadania. Tudo que falta à família do fujão Flávio Bolsonaro. Aos que adjetivaram de açodada a decisão de Alexandre de Moraes em confiscar os passaportes do ex-senador, está aí a resposta. Como quem não deve, não foge, e agora, bolsonaristas? Que tal pedir ao “irmãozinho” Daniel Vorcaro, caso ele ainda tenha algum dinheiro, para financiar um novo filme familiar? Depois de Dark Horse, o título mais sugestivo para essa nova película é “A fuga das galinhas”, como a charge que ilustra este texto.

Com certeza, o ibope será alto. Quanto à presença de um segundo Bolsonaro sob os braços do impopular Donald Trump, convém lembrá-los que o momento não é dos mais oportunos. Em baixa na praça, no Congresso e junto a seus eleitores, Trump deve estar muito mais preocupado com a derrota acachapante que deverá sofrer no próximo dia 3 de novembro, quando os republicanos certamente perderão boa parte das cadeiras de que dispõem na Câmara e no Senado dos Estados Unidos.

Perdendo a maioria, Trump enfraquece, vira alvo de investigações e terá muito pouco tempo para ser babá de Eduardo e Flávio Bolsonaro, de Willer Tomaz, de Paulo Figueiredo e de Alexandre Ramagem. Daí até 29 de janeiro de 2029, data do fim do mandato do líder norte-americano, tudo pode acontecer por lá. Por aqui, duela a quien duela, Lula será o presidente da República e Alexandre de Moraes o presidente do Supremo Tribunal Federal. Sobre os demais, o destino está traçado. Um dia, forçosamente voltarão às origens.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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