Derrotados fazem o ‘mea culpa’ e pedem que Lula pacifique o país

Redação
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Armando Cardoso - Foto Joédson Alves

Sem revanchismos, mas com doses maciças de realismo, precaução, igualdade e maturidade, nenhum brasileiro com pelo menos dois neurônios inteiros tem dúvida de que o ódio político não é uma ferramenta dos progressistas, esquerdistas e até comunistas, conforme adjetivação daqueles que odeiam inclusive a própria sombra. Embora sempre tenha sido tratado com nociva antipatia, algo como inimigo mortal, Lula da Silva sempre se dirigiu a Jair e a Flávio Bolsonaro como adversários. Trata-se de educação, bom senso, apreço ao competidor e, principalmente, respeito ao ser humano.

A Lula pouco importa se eles nunca tiveram consideração pelos opositores. Assim como são as pessoas são as criaturas, das quais, como uma máxima irônica e filosófica, nada se espera além da eternização de um ódio que desumaniza o oponente e transforma o vencedor em um ser abjeto e digno de perseguição e de ameaças pelos quatro cantos do mundo. Curiosamente, vem desse povo o maior volume de “pedidos” para que o presidente reeleito para seu quarto mandato se dedique à pacificação do país.

Até tu, Brutus! Pacificar significa restituir a paz, acalmar, apaziguar ou acabar com conflitos, agitação e agressividade. Desnecessário exigir, pedir ou cobrar pacifismo de quem jamais foi agressivo, debochado, golpista ou desumano com qualquer cidadão brasileiro, independentemente de sua posição ideológica, religiosa ou animalesca. Portanto, certamente Luiz Inácio Lula da Silva se manterá firme e seguro diante do idiotismo chamado polarização. Ele foi reeleito presidente do Brasil e é assim que ele se comportará. Disso, não dúvida alguma.

Entretanto, se eu puder contribuir, peço a Lula para que não desmobilize o “exército” de brasileiros que o levou a essa inédita e histórica vitória. Quem defende a democracia e o povo mais sofrido não pode baixar a guarda. Pelo contrário. O Brasil de 2027 é um dos maiores desafios de Lula. Todavia, ele e seus fiéis seguidores dispõem da normalidade democrática para enfrentá-los e vencê-los. Também posso sugerir ao líder da esquerda que o melhor caminho é construir uma paz interior tão inabalável que a ofensa do(s) outro(s) morra de fome por falta de sua atenção.

Como cidadão de bem, justo, cristão e patriota, também acho que o ódio desagrega, divide, envenena e corrói a alma. Confirmada a fuga de mais um Bolsonaro, talvez reste às viúvas do atarantado e tresloucado bolsonarismo algumas gotas de Choroquina e a entender de uma vez por todas que, muito mais do que seita, o que parecia uma legenda familiar nada mais é do que uma corja desfeita a tempo de impedir que arruinassem o patrimônio nacional. Com todo respeito aos “santificados” aliados e patriotas de araque, mas o Brasil não merecia mais um Bolsonaro. Deus me livre!

Voltando aos defensores do pacifismo, vale lembrar que eles são os mesmos que, caso o desertor Flávio Bolsonaro tivesse vencido, defenderiam que, a partir de janeiro de 2027, os demais brasileiros batessem continência para o “general” Flávio Bolsonaro e para seus asseclas espalhados pelo Congresso Nacional, ministérios, estatais e governos estaduais. Felizmente, Deus é brasileiro, democrata e ufanista da força do povo, da paz, do amor e da compreensão.

Sobre os “pacifistas”, não adianta pedir a paz se existe uma guerra surda e absurda dentro deles. Pregam a paz para o mundo, mas permanecem em guerra com o vizinho, com o pai e com o irmão. Por isso, antes de sugerir a Lula um comportamento que ele jamais negou ao povo, tentem ser felizes consigo mesmos. Quem sabe sem o fetiche bolsonarista vocês sejam capazes de se unir àquele que, desde 2002, trabalha para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos brasileiros.

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Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras

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