Patriota sério é quem sente amor, devoção e respeito pela própria pátria

Redação
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Armando Cardoso - Foto Rafa Neddermeyer

Embora associado ao fanatismo ideológico e ao discurso político do bolsonarismo, o conceito de patriota é bem diferente daquele que meia dúzia de brasileiros do tipo madalenas arrependidas imaginam. O vocábulo é uma referência direta de amor à nação na qual nasceu. No significado não há simbolismos, tampouco meio termo. Patriota é a pessoa que sente amor, devoção e respeito pela sua pátria. No Brasil de 2026, o patriotismo se dividiu em duas vertentes: o construtivo (crítico e aberto a melhorias) e o cego (lealdade inabalável sem tolerar críticas).

Cego para uns, mas de araque para mim e para milhões de brasileiros que já perderam eleições e permaneceram fiéis ao berço. Definitivamente, o Brasil não precisa de patriotas como os vinculados àquela seita política, os quais normalmente pensam em partir na primeira derrota eleitoral. Desde a aclamação do novo presidente da República, as embaixadas dos Estados Unidos, Canadá e de Portugal, entre outros países, recebem filas de “patriotas” querendo fugir. Obviamente que perder é só o pretexto para a debandada.

A verdade é que, sem comprometimento algum com o país, esses brasileiros não admitem ficar sem a rica boquinha aberta pelos que os apadrinharam no governo ou no Congresso Nacional. Engana-se o grupelho que acha que o Brasil está fadado ao fracasso após a quarta vitória presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva, o líder que, reconhecidamente, respeita os pobres, os negros e os “diagnosticados” como diferentes. Inferiores como seres humanos e como cidadãos, os que já estão de malas prontas não farão nenhuma falta. Pelo contrário.

Apesar de Lula ser um democrata, um pacificador e, portanto, um presidente que sempre se manifestou como governante de todos, talvez fosse esse o momento de aplicarmos no Brasil que sobrar do bolsonarismo a ideia da eugenia. É só um exagero de pensamento, mas, do mesmo modo que os bolsonaristas se acham superiores, elitistas, por que não imaginar o uso da eugenia como depuração da sociedade brasileira, algo como, guardado o espalhafato da proposta, uma “melhoria” da qualidade genética de nossa população humana?

Triste, mas o brasileiro que prega o ódio e nega a nacionalidade não faz falta ao Brasil da democracia. O fato inquestionável é que o colonialismo mental do clã que se chegou a se imaginar dono do Brasil contaminou seus aliados e estimulou seus seguidores, a ponto de a maioria confundir ativamente o público com o privado. Em resumo, o modelo de viabilidade dele$ e do país com mais um deles ficou nas urnas eletrônicas do segundo turno eleitoral. Lula da Silva inviabilizou a viabilidade do bolsonarismo por uma diferença de 4,4 milhões de votos.

Inexorável, irrevogável e irrefutável, o resultado vem obrigando, além do senador Flávio Bolsonaro, o principal derrotado, milhares de patriotas fajutos a negar a identidade nacional, a negativar o território e dele fugir sorrateiramente. Didaticamente, chamaria a fuga de ideologia de autodesvalorização. É o famoso entreguismo, cujo objetivo é negar o valor intrínseco do país e do seu povo. Na prática, trata-se de uma ideologia de repulsa à ideia de pertencimento nacional.

Perdão pela sinceridade, mas azar o de quem pensa assim. Se é por falta de adeus, tchau, manés. Vá e não voltem. Será muito mais fácil administrar um Brasil sem peçonhas e sem pessoas incapazes de servir. Em nome dos que expurgaram mais um extremista, reitero que o Brasil não precisa de cidadãos e cidadãs indesejáveis. Se eles não nos aceitam do jeito que somos, por que temos de aceitá-los como querem ser? Infelizmente, chegamos à fase da constatação de que água e óleo não se misturam. Se querem fugir, fujam, mas, repito, não voltem.

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Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras 

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