Extremistas tentam sabotar vitória da democracia e boicotar futuro Lula 4

Redação
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Mathuzalém Júnior - Foto joédson Alves

Espelho das próprias frustrações, as pessoas mais fracas de alma e de intelecto costumam se incomodar com o sucesso alheio por causa de um padrão comprovadamente psiquiátrico. Arremedo de eleitores, de cidadãos e até de seres humanos, elas sentem raiva ou aversão ao êxito do outro e tentam nivelar os antagônicos por baixo, usando críticas infundadas, boicotes ou desprezo com o objetivo de diminuir a conquista dos opostos. Em síntese, para quem não tem grandeza, mas se acha superior, não aceitar o sucesso dos outros é um comportamento ligado à inveja, à insegurança e à comparação excessiva.

Mais uma vez tive de repensar o juramento de não escrever mais uma linha a favor ou contra o clã Bolsonaro. Fiz isso porque não há como se calar diante da série de sandices dos seguidores da seita que celeremente se encaminha para a escuridão do umbral. Antidemocratas, eternos derrotados e eternos insatisfeitos com as seguidas derrotas para os democratas juramentados, os bolsonaristas desnorteados, alguns com o idiotismo elevado à décima potência, decidiram radicalizar ainda mais.

Estimulados pelo complexo de vira-latas que os envolve dentro e fora do Brasil, os extremistas buscaram o modismo que mais gostam para tentar achincalhar e sabotar a vitória da democracia. Ao longo da semana, promoveram campanhas em sequência com parlamentares fundamentalistas, empresários de aluguel e influenciadores interesseiros e venais pela demissão de trabalhadores, boicote a comerciantes e bullying em estudantes que ajudaram a eleger Luiz Inácio Lula da Silva para seu quarto mandato presidencial. Tudo em nome de uma família, cujos quatro filhos nunca produziram nada pelo país. Perderam a eleição, a razão e, nos casos citados, a questão,

Provavelmente por essa razão, os “meninos” foram injustamente confundidos pelo pastor Silas Malafaia com aquele quadrúpede trabalhador e jamais remunerado. Coitado do animal. Do modismo à adjetivação de Malafaia há duas considerações interessantes. Até bem pouco tempo, o pastor era o primeiro amigo de Jair Bolsonaro. Ainda mais relevante é a certeza de que a vitória de Lula sobre os maníacos do bolsonarismo evitou um mal terrivelmente maior. Se eles tivessem vencido, certamente todos os que se assumem como democratas e progressistas teriam de se acostumar a viver com bolas de ferro enroladas aos pés.

Deus é grande e justo. As famílias do bem foram mais fortes e bem mais previsíveis do que imaginavam os insanos da extrema-direita. Daí o sentimento de liberdade ter vencido o deboche, a intolerância, o etarismo e a idiotice dos que, como competidores, se assemelham muito mais e com todas as nuances com os lunáticos obsessivos que ainda acreditam na força dos canhões, dos drones e dos mísseis do camarada Donald Trump. Pobres coitados.

Curioso é que boa parte deles já acenou ao presidente Lula com apelos de pacificação. Eita povo estranho esse tal de brasileiro. Obviamente que não são todos. Me refiro àqueles que, em nome de um patriotismo que nunca tiveram, são contra tudo que é bom para a coletividade. Na verdade, só eles são bons, quase perfeitos, só eles sabem pensar, votar e idolatrar. Por isso, se acham no direito de se arvorar como superiores. Por isso, perdem sempre eleições, o respeito do próximo, o carinho dos ex-amigos e, principalmente, os supostos reis, cuja fragilidade é percebida antes mesmo que os tribunais cravarem sua derrota.

Na contramão do que dizem os mineiros, uma massa espremida entre o ódio, a vergonha da derrota e o pavor de ser governado por alguém mais inteligente não é solidária nem no câncer. Pelo contrário. É aí que eles (os integrantes da massa antidemocrática) torcem contra e pedem a Deus e ao Diabo para acabar de vez com o vencedor que, segundo eles, incomoda justamente porque não os deixa ganhar. Como contrapartida, os nordestinos se juntaram aos nortistas e, em resposta ao menino maluquinho e mentiroso, pediram para que Lula não diminua seu brilho e nem peça desculpas por ter dado certo. Recado dado.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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