Aproveitando o ensejo das eleições brasileiras e norte-americanas, posso afirmar, sem margem de erro à direita e à esquerda, que não somos melhores e nem piores do que eles. Na verdade, somos diferentes em numerosos aspectos. Não temos maremotos, terremotos, tornados, furacões, nevascas, vulcões e tsunamis. Como contrapartida, dispomos da alegria contagiante, do sol constante e escaldante, do sal abundante, do bom humor viajante, do povo vibrante e cativante, dos folguedos empolgantes, da cultura fascinante, da diversidade pulsante e verdejante e de mulheres de beleza deslumbrante.
Não posso ser hipócrita para não listar aquela parte da população que prefere ser ignorante, intolerante, maçante, arrogante, irrelevante, petulante, repugnante e que, doravante, o brasileiro do bem deve respeitá-lo como semelhante, mas vê-lo somente como coadjuvante, algo como patriota do tipo imigrante. Afinal, quem procura acha. Relutante ao ódio e perseverante em relação ao progresso, o povo brasileiro, não obstante as constantes críticas internas e externas, mostrou que não é bom somente com a bola nos pés.
Como nosso futebol deixou de ser exuberante, temos falhado nos gramados do mundo, mas nos mostrado interessantes perante o planeta em setores em que, por exemplo, os Estados Unidos supostamente nadam de braçada. É flagrante que, no quesito eleições gerais, estamos anos luz à frente deles. Faz pouco mais de mais uma semana, em menos de duas horas e meia após a conclusão da votação, nossas invioláveis e impenetráveis urnas eletrônicas permitiram o ululante anúncio do nome do novo presidente eleito. No caso, reeleito.
Não é nada, não é nada, o Brasil tem a melhor, mais segura, mais emocionante, mais empolgante e a mais rápida eleição do mundo. Imagino que seja irritante, fatigante e escaldante esperar três, quatro dias para conhecer os números oficiais de uma eleição que todos já sabem quem ganhou e quem perdeu. É assim nos Estados Unidos da América, a maior economia do planeta, cuja hilariante, flutuante e volante eleição não permite, uma horas após o encerramento, sequer previsão simplória de uma cartomante. Dos errantes institutos de pesquisa, nem com expectorante.
Enfim, é realmente um pleito estressante. Pior só o purgante da eleição em Israel. Desde o fim da manhã dessa quarta-feira (04), o mundo inteiro tem a informação de que o Partido Democrata foi o grande vencedor das eleições de meio mandato, as chamadas midterms, e que a legenda terá o controle do Congresso norte-americano. Todavia, isso não significa que todos os votos tenham sido contabilizados ou que os resultados sejam oficiais. Ao contrário do Brasil, onde cabe à Justiça Eleitoral anunciar os eleitos ou reeleitos, nos EUA veículos de imprensa e empresas especializadas podem declarar um candidato vencedor antes da conclusão da apuração. A confirmação oficial cabe às autoridades eleitorais, as quais seguem regras e prazos diferentes em cada um dos 50 estados. Somos ou não somos melhores?
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Sonja Tavares é Editora de Política de Notibras

