{"id":4177,"date":"2026-09-16T11:24:15","date_gmt":"2026-09-16T14:24:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/?p=4177"},"modified":"2026-09-16T13:25:59","modified_gmt":"2026-09-16T16:25:59","slug":"violencia-muda-rotina-e-escolhas-de-98-das-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/brasil\/violencia-muda-rotina-e-escolhas-de-98-das-mulheres\/","title":{"rendered":"Viol\u00eancia muda rotina e escolhas de 98% das mulheres"},"content":{"rendered":"<p>Oito em cada dez mulheres no pa\u00eds (78%) afirmam j\u00e1 ter sofrido pelo menos um tipo de viol\u00eancia. Quase todas as brasileiras (98%) recorrem a estrat\u00e9gias para reduzir riscos de sofrer viol\u00eancia no dia a dia. A sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a que atinge as mulheres faz com que elas mudem comportamentos e limita suas escolhas em rela\u00e7\u00e3o a lazer, mobilidade, trabalho e estudo.<\/p>\n<p>Os resultados est\u00e3o na pesquisa de opini\u00e3o Seguran\u00e7a das Mulheres: Percep\u00e7\u00e3o da Sociedade Brasileira sobre Viol\u00eancia\u201d, realizada pelos institutos Patr\u00edcia Galv\u00e3o e Locomotiva, com apoio da Uber. O levantamento ser\u00e1 apresentado nesta quarta-feira (16), no painel (In)seguran\u00e7a das Mulheres e Mobilidade, durante o 20\u00ba Encontro do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica.<\/p>\n<p>Para a pesquisa, foram ouvidas 1,5 mil pessoas de 16 anos ou mais, de todas as regi\u00f5es do pa\u00eds, entre os dias 22 e 30 de abril de 2026, por meio de entrevistas digitais de autopreenchimento. A margem de erro \u00e9 de 2,8 pontos percentuais.<\/p>\n<p>O medo da viol\u00eancia faz parte da vida cotidiana da maioria dos brasileiros, mas afeta as mulheres de maneira ainda mais intensa, de acordo com os dados. Entre as entrevistadas, 94% afirmam se sentirem inseguras diante da viol\u00eancia no dia a dia, contra 84% dos homens. Nos deslocamentos pela cidade, 94% das mulheres e 90% dos homens dizem sentir medo da viol\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cA pesquisa mostra que o medo da viol\u00eancia atravessa a forma como as mulheres vivem e circulam pelas cidades. E esse medo n\u00e3o surge do nada, ele \u00e9 alimentado por experi\u00eancias concretas de viol\u00eancia, vividas pelas pr\u00f3prias mulheres ou compartilhadas por outras ao seu redor\u201d, afirma a diretora de Pesquisa do Instituto Locomotiva, Ma\u00edra Saru\u00ea.<\/p>\n<p>Para a popula\u00e7\u00e3o em geral, as mulheres s\u00e3o percebidas como mais vulner\u00e1veis do que os homens em diversas formas de viol\u00eancia, principalmente dom\u00e9stica, sexual, psicol\u00f3gica e f\u00edsica. A viol\u00eancia dom\u00e9stica, por exemplo, \u00e9 motivo de temor para seis em cada dez brasileiras.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os espa\u00e7os de lazer e o transporte p\u00fablico est\u00e3o entre os locais em que as mulheres se sentem menos protegidas: 41% n\u00e3o se sentem nada segura em bares, festas e baladas e 42% n\u00e3o se sentem nada segura em pontos de \u00f4nibus e esta\u00e7\u00f5es. Dentro dos transportes p\u00fablicos, 33% dizem n\u00e3o se sentir nada segura.<\/p>\n<p>\u201cNa pr\u00e1tica, mulheres e homens n\u00e3o vivem a cidade da mesma maneira j\u00e1 que, para as mulheres, o acesso aos espa\u00e7os e \u00e0s oportunidades \u00e9 constantemente condicionado pela preocupa\u00e7\u00e3o com a pr\u00f3pria seguran\u00e7a\u201d, mencionou Ma\u00edra.<\/p>\n<p><strong>Restri\u00e7\u00f5es por medo<\/strong><br \/>\nO cen\u00e1rio de viol\u00eancia e inseguran\u00e7a leva quase a totalidade das mulheres (98%) a adotar no dia a dia ao menos uma das medidas pesquisadas para reduzir o risco de sofrer viol\u00eancia. Evitar determinados locais \u00e9 a estrat\u00e9gia mais comum, citada por 90% das entrevistadas.<\/p>\n<p>Outras medidas mostram o grau de vigil\u00e2ncia incorporado \u00e0 rotina: 88% evitam compartilhar informa\u00e7\u00f5es pessoais ou sua localiza\u00e7\u00e3o nas redes sociais, 84% evitam usar o celular na rua, 83% avisam algu\u00e9m sobre seus deslocamentos e hor\u00e1rios, e 83% evitam sair \u00e0 noite.<\/p>\n<p>As mulheres tamb\u00e9m evitam o uso de aplicativos banc\u00e1rios no celular quando est\u00e3o na rua (80%), compartilham sua localiza\u00e7\u00e3o com pessoas de confian\u00e7a (77%), mudam trajetos habituais (69%), chamam carro ou moto por aplicativo para n\u00e3o precisar andar pelas ruas (66%) e pedem para algu\u00e9m acompanh\u00e1-las quando saem de casa (66%).<\/p>\n<p>Para evitar situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia, 62% das mulheres j\u00e1 mudaram h\u00e1bitos de lazer, e 58% deixaram de frequentar lugares de que gostavam. Mais da metade (56%) j\u00e1 preferiu utilizar algum meio de transporte em vez de ir a p\u00e9, mesmo quando o destino era pr\u00f3ximo. Al\u00e9m disso, 27% praticam ou j\u00e1 praticaram t\u00e9cnicas de defesa pessoal, e 26% carregam itens de prote\u00e7\u00e3o pessoal, como spray de pimenta ou alarme pessoal.<\/p>\n<p>As decis\u00f5es relacionadas \u00e0 vida profissional e acad\u00eamica tamb\u00e9m s\u00e3o afetadas. A pesquisa mostra que 45% das mulheres afirmam j\u00e1 ter deixado de aproveitar oportunidades de trabalho ou estudo por causa do medo da viol\u00eancia. Al\u00e9m disso, 44% j\u00e1 pensaram em mudar de bairro ou cidade para se sentirem mais seguras.<\/p>\n<p>\u201cOs dados desta pesquisa confirmam algo que j\u00e1 v\u00ednhamos observando em nosso trabalho cotidiano: a inseguran\u00e7a deixou de ser uma percep\u00e7\u00e3o pontual e se transformou numa rotina de c\u00e1lculos e ren\u00fancias silenciosas, em que quase todas as mulheres brasileiras precisam evitar lugares, mudar trajetos, abrir m\u00e3o do lazer ou reconsiderar at\u00e9 uma oportunidade de trabalho por medo da viol\u00eancia\u201d, ressaltou a diretora executiva do Instituto Patr\u00edcia Galv\u00e3o, Vera Vieira.<\/p>\n<p><strong>Poder P\u00fablico e elei\u00e7\u00f5es<\/strong><br \/>\nA pesquisa concluiu que, para as entrevistadas, a preven\u00e7\u00e3o e o enfrentamento da viol\u00eancia no dia a dia s\u00e3o responsabilidades que devem envolver diferentes institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. As pol\u00edcias Militar e Civil s\u00e3o apontadas por 73% das entrevistadas como respons\u00e1veis por essa atua\u00e7\u00e3o, seguidas pelo governo federal (69%), governo estadual (69%) e governo municipal (66%).<\/p>\n<p>No entanto, a maioria das mulheres avalia de forma negativa a atua\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es no combate \u00e0 viol\u00eancia. Entre os piores resultados est\u00e3o os representantes do Legislativo, com 74% de avalia\u00e7\u00e3o negativa, o governo estadual (72%), o Poder Judici\u00e1rio (71%) e o governo federal (71%).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, para 78% das entrevistadas, as propostas de combate \u00e0 viol\u00eancia contra mulheres nas ruas e no transporte p\u00fablico influenciar\u00e3o na decis\u00e3o de voto nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Para Vera Vieira, os resultados da pesquisa mostram que a seguran\u00e7a das mulheres n\u00e3o \u00e9 uma pauta setorial, mas uma condi\u00e7\u00e3o para o exerc\u00edcio pleno da cidadania. \u201cPor isso, refor\u00e7amos a urg\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas que ampliem os canais de den\u00fancia, melhorem a infraestrutura das cidades e enfrentem as desigualdades que sustentam esse cen\u00e1rio\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de 95% das entrevistadas, \u00e9 importante ampliar os canais de den\u00fancia e apoio \u00e0s v\u00edtimas de viol\u00eancia. A transforma\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os urbanos tamb\u00e9m aparece com destaque, com 93% das mulheres indicando a import\u00e2ncia de melhorar a infraestrutura das cidades, incluindo transporte p\u00fablico, ilumina\u00e7\u00e3o e espa\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n<p>A pesquisa aponta que 93% consideram importante criar e ampliar pol\u00edticas espec\u00edficas de prote\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres, com benef\u00edcios indiretos para os homens e para a popula\u00e7\u00e3o em geral, e realizar esfor\u00e7os de preven\u00e7\u00e3o, como medidas de educa\u00e7\u00e3o e mudan\u00e7a cultural.<\/p>\n<p>Reduzir as desigualdades sociais e econ\u00f4micas como parte das estrat\u00e9gias de preven\u00e7\u00e3o e enfrentamento da viol\u00eancia foi outra medida apontada por 92% das mulheres.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Oito em cada dez mulheres no pa\u00eds (78%) afirmam j\u00e1 ter sofrido pelo menos um tipo de viol\u00eancia. 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