{"id":4199,"date":"2026-09-16T18:07:42","date_gmt":"2026-09-16T21:07:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/?p=4199"},"modified":"2026-09-16T19:11:37","modified_gmt":"2026-09-16T22:11:37","slug":"copom-ajusta-mais-um-tijolo-nos-juros-mas-economia-ainda-pode-desabar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/brasil\/copom-ajusta-mais-um-tijolo-nos-juros-mas-economia-ainda-pode-desabar\/","title":{"rendered":"Copom ajusta mais um tijolo nos juros, mas economia ainda pode desabar"},"content":{"rendered":"<p>O Banco Central tirou mais um pequeno tijolo da muralha dos juros brasileiros, mas o muro continua alto. Muito alto. O Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) reduziu nesta quarta-feira (16) a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano. Foi o quinto corte consecutivo de 0,25 ponto, numa decis\u00e3o un\u00e2nime dos diretores do BC.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o, entretanto, n\u00e3o foi suficiente para tirar o Brasil de uma posi\u00e7\u00e3o desconfort\u00e1vel no cen\u00e1rio internacional. Quando se considera o chamado juro real \u2014 isto \u00e9, a taxa de juros descontado o efeito esperado da infla\u00e7\u00e3o \u2014, o Pa\u00eds continua na primeira posi\u00e7\u00e3o mundial, segundo levantamento elaborado pelo Portal MoneYou em parceria com a Lev Intelligence.<\/p>\n<p>Com a nova Selic, o juro real brasileiro foi calculado em 8,45% ao ano, ante 9,30% no levantamento anterior. Ainda assim, permanece bem acima das taxas verificadas nas demais grandes economias pesquisadas.<\/p>\n<p>No levantamento atual, o Brasil aparece \u00e0 frente de R\u00fassia, com 6,79%; Col\u00f4mbia, 6,33%; Turquia, 6,25%; e M\u00e9xico, 3,08%. A m\u00e9dia dos juros reais das 40 economias consideradas no estudo ficou em apenas 1,62% ao ano.<\/p>\n<p>A fotografia muda um pouco quando s\u00e3o consideradas apenas as taxas b\u00e1sicas nominais, sem descontar a infla\u00e7\u00e3o. Nesse ranking, o Brasil ocupa a quarta coloca\u00e7\u00e3o mundial, com seus 13,75%. \u00c0 frente aparecem Turquia, com 37%; Argentina, com 29%; e R\u00fassia, com 14%.<\/p>\n<p><strong>Redu\u00e7\u00e3o gradual<\/strong><br \/>\nO atual ciclo de queda come\u00e7ou depois de um per\u00edodo prolongado de aperto monet\u00e1rio. A Selic permaneceu em 15% ao ano entre junho de 2025 e mar\u00e7o de 2026, patamar que n\u00e3o era observado havia quase duas d\u00e9cadas. Desde ent\u00e3o, o Banco Central passou a promover cortes graduais.<\/p>\n<p>Em junho, quando a Selic caiu para 14,25%, o Brasil assumiu a lideran\u00e7a mundial dos juros reais, ultrapassando a R\u00fassia. Em agosto, mesmo depois de outro corte, para 14%, continuou na primeira posi\u00e7\u00e3o, com juro real calculado ent\u00e3o em 9,30%. Agora, aos 13,75%, a taxa real recuou para 8,45%, mas o Pa\u00eds continua isolado no topo dessa classifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria descendente ganhou espa\u00e7o com a desacelera\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os. O IPCA acumulado em 12 meses caiu para 4,22% em agosto, depois de ter registrado 4,44% em julho. Somente em agosto, houve defla\u00e7\u00e3o de 0,32%, resultado melhor que o esperado pelo mercado. Parte desse al\u00edvio, por\u00e9m, decorreu de fatores tempor\u00e1rios, especialmente o desconto nas tarifas de energia el\u00e9trica.<\/p>\n<p><strong>Guerra e clima<\/strong><br \/>\nO problema para o Banco Central \u00e9 que a estrada para juros mais baixos ganhou novos obst\u00e1culos. O agravamento dos conflitos no Oriente M\u00e9dio elevou as incertezas sobre petr\u00f3leo, energia e commodities, enquanto riscos clim\u00e1ticos relacionados ao El Ni\u00f1o podem pressionar especialmente os pre\u00e7os dos alimentos.<\/p>\n<p>No comunicado divulgado ap\u00f3s a reuni\u00e3o, o Copom voltou a enfatizar a incerteza do ambiente internacional e a necessidade de cautela na condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica monet\u00e1ria. A autoridade monet\u00e1ria n\u00e3o se comprometeu antecipadamente com a dimens\u00e3o ou mesmo com a continuidade dos pr\u00f3ximos cortes, indicando que as decis\u00f5es depender\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o e da atividade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio internacional tamb\u00e9m ficou mais apertado. Nesta quarta-feira, o Federal Reserve elevou os juros norte-americanos em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. Enquanto Bras\u00edlia come\u00e7a a retirar o p\u00e9 do freio, Washington voltou a apert\u00e1-lo, reduzindo o enorme diferencial entre as taxas dos dois pa\u00edses.<\/p>\n<p><strong>O pre\u00e7o dos juros altos<\/strong><br \/>\nPara o consumidor, permanecer na lideran\u00e7a mundial dos juros reais est\u00e1 longe de ser apenas uma curiosidade estat\u00edstica. A Selic funciona como refer\u00eancia para o custo do dinheiro no Pa\u00eds. Taxas elevadas tendem a encarecer empr\u00e9stimos, financiamentos e cr\u00e9dito \u00e0s empresas, al\u00e9m de desestimular consumo e investimentos.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m o outro lado da moeda: juros elevados aumentam a remunera\u00e7\u00e3o de aplica\u00e7\u00f5es de renda fixa e ajudam a tornar os ativos brasileiros atraentes para investidores internacionais, embora esse efeito dependa tamb\u00e9m da percep\u00e7\u00e3o de risco fiscal, pol\u00edtico e cambial.<\/p>\n<p>O Copom, portanto, come\u00e7ou a descer a escada, mas muito vagarosamente. A Selic j\u00e1 deixou para tr\u00e1s os 15% que vigoraram durante meses e chegou agora aos 13,75%. Ainda assim, quando a infla\u00e7\u00e3o esperada \u00e9 colocada na conta, o Brasil continua olhando o restante do mundo do lugar mais alto \u2014 justamente num ranking em que ocupar a primeira posi\u00e7\u00e3o est\u00e1 longe de ser motivo para comemora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Banco Central tirou mais um pequeno tijolo da muralha dos juros brasileiros, mas o muro continua alto. Muito alto. O Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) reduziu nesta quarta-feira (16) a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano. Foi o quinto corte consecutivo de 0,25 ponto, numa decis\u00e3o un\u00e2nime dos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4200,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[29],"tmauthors":[27],"class_list":["post-4199","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-brasil","tag-capa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4199","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4199"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4199\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4201,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4199\/revisions\/4201"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4200"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4199"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4199"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4199"},{"taxonomy":"tmauthors","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tmauthors?post=4199"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}