{"id":4463,"date":"2026-09-19T01:00:43","date_gmt":"2026-09-19T04:00:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/?p=4463"},"modified":"2026-09-18T17:20:03","modified_gmt":"2026-09-18T20:20:03","slug":"passei-no-bb-parte-7-radio-walkman-e-tv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/cafe-literario\/passei-no-bb-parte-7-radio-walkman-e-tv\/","title":{"rendered":"Passei no BB (parte 7) &#8211; R\u00e1dio, Walkman e TV"},"content":{"rendered":"<p>Esta \u00e9 uma hist\u00f3ria real. Para saber mais, leia as partes 1, 2, 3, 4, 5 e 6. (links no final).<\/p>\n<p>Como citei na Parte 3, n\u00e3o havia r\u00e1dio na cidade. Eu havia ligado para o gerente para saber de alguns detalhes da cidade, principalmente sobre entretenimento. Ele falou que n\u00e3o tinha teatro e nem cinema e que era para eu levar o mei\u00e3o e a chuteira, porque o futebol era uma das poucas divers\u00f5es dispon\u00edveis. Na verdade, era a \u00fanica. Uma vez ou outra aparecia um circo na cidade. Divers\u00e3o mesmo, somente os bares&#8230; Uma tia que tamb\u00e9m tomou posse em uma cidade do interior alertou-me sobre a possibilidade de alcoolismo. Isso porque como n\u00e3o havia divers\u00e3o, alguns funcion\u00e1rios do BB, novos ou antigos, se perdiam no \u00e1lcool.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei como funciona hoje, mas antigamente passar em um concurso do Banco do Brasil frequentemente significava ser enviado para regi\u00f5es muito isoladas do pa\u00eds, que foi o meu caso. Jovens vindos de grandes centros urbanos tomavam posse em cidades pequenas que careciam de op\u00e7\u00f5es de lazer. Em muitos desses locais, o \u00fanico ponto de encontro social p\u00f3s-expediente eram os bares. Ali jogavam sinuca, contavam causos e bebiam. A bebida acabava se tornando uma das poucas ferramentas de socializa\u00e7\u00e3o e fuga do t\u00e9dio e da solid\u00e3o. Felizmente nada disso me afetou. Ah, quando eu falo &#8220;bares&#8221;, n\u00e3o estou me referindo aos &#8220;barzinhos&#8221; que existem hoje, mas sim os conhecidos &#8220;botecos&#8221;, na maioria das vezes frequentados apenas por homens.<\/p>\n<p>N\u00e3o me lembro de ter perguntado ao gerente sobre r\u00e1dio e televis\u00e3o, mas como j\u00e1 sabia que era uma cidade distante de tudo, levei um r\u00e1dio que pertenceu a minha av\u00f3 rsrs. Um Mitsubishi transistorizado Modelo 8X-584A, fabricado no Jap\u00e3o pela Mitsubishi Electric Corporation durante a d\u00e9cada de 1960 e montado pela Evadin na Zona Franca de Manaus. Ainda quando morava no Rio de Janeiro, eu subia ao terra\u00e7o da minha casa e as &#8220;Ondas Curtas&#8221; do r\u00e1dio conseguiam sintonizar emissoras de outros estados e at\u00e9 de outros pa\u00edses, como a r\u00e1dio BBC de Londres e a Voz da Am\u00e9rica, por exemplo, mas, l\u00e1 em Colmeia, as ondas curtas n\u00e3o sintonizavam nada rsrs!<\/p>\n<p>Pr\u00f3ximo da minha transfer\u00eancia, podia-se ouvir uma r\u00e1dio pirata na cidade, mas a\u00ed eu j\u00e1 n\u00e3o tinha mais o r\u00e1dio, pois, quando um cliente viajou ao Rio de Janeiro, pedi a ele que levasse o r\u00e1dio \u00e0 minha casa para que minha m\u00e3e o trocasse por um Walkman, que foi comprado l\u00e1 no Rio de Janeiro, porque nem em Colmeia e em nenhuma outra cidade por perto eu poderia comprar tal equipamento. O Walkman \u00e9 um Coby CX-D70 Auto Reverse, que tocava os dois lados da fita cassete sem precisar vir\u00e1-la manualmente, e que contava ainda com o Dynamic Bass Boost System, sistema de refor\u00e7o din\u00e2mico de graves para melhorar a qualidade do som nos fones de ouvido. Tenho o r\u00e1dio e o Walkman at\u00e9 hoje e tamb\u00e9m as dezenas de fitas que gravei l\u00e1 em Colmeia, pois havia uma lojinha onde voc\u00ea comprava a fita virgem e l\u00e1 mesmo eram gravadas as m\u00fasicas que voc\u00ea escolhia. L\u00e1 as m\u00fasicas mais ouvidas eram sertanejas e eu, roqueiro desde adolescente, passei a gostar tamb\u00e9m um pouquinho de m\u00fasica sertaneja, talvez porque era o \u00fanico tipo de m\u00fasica que se ouvia na cidade, fossem nas festas, nas casas de amigos e nos bares rsrs&#8230;<\/p>\n<p>Acho que eu era um dos poucos moradores da cidade a ter um Walkman. Algumas crian\u00e7as viam aqueles enormes fones de ouvido e ficavam curiosas. Eu ent\u00e3o colocava os fones nos seus ouvidos e elas, como n\u00e3o estavam habituadas ao isolamento ac\u00fastico, achavam que todos ao lado delas ouviam o mesmo que elas no mesmo volume e come\u00e7avam a falar gritando rsrs.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4464 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-18-at-17.14.00-300x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"482\" height=\"482\" \/><\/p>\n<p>Uma curiosidade \u00e9 que quando coloquei os dados do r\u00e1dio na internet para saber mais detalhes sobre ele, uma das respostas informou que o enfeite que vem na frente do aparelho tem o design muito parecido com o emblema do cap\u00f4 do Chevrolet Impala de 1960. E me pareceu que \u00e9 isso mesmo, veja a\u00ed na foto o emblema do Impala acima do r\u00e1dio rsrs. A &#8220;IA&#8221; tamb\u00e9m informou que, na \u00e9poca, as linhas cromadas e estilizadas em formato de &#8220;V&#8221;, indicavam um s\u00edmbolo de modernidade, pela influ\u00eancia da avia\u00e7\u00e3o no p\u00f3s-guerra, pois lembravam as asas dos ca\u00e7as.<\/p>\n<p>O s\u00edmbolo da Mitsubishi s\u00e3o tr\u00eas losangos vermelhos: &#8220;Mitsu&#8221; significa tr\u00eas e &#8220;bishi&#8221; significa castanha d&#8217;\u00e1gua que \u00e9 a palavra usada no Jap\u00e3o para indicar o formato de losango ou diamantes, segundo a IA rsrs&#8230;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-4465 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-18-at-17.15.03-228x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"489\" height=\"644\" \/><\/p>\n<p>Ver TV tamb\u00e9m era complicado. Que eu me lembre, n\u00e3o havia nenhuma antena retransmissora na cidade, mas provavelmente havia uma antena n\u00e3o legalizada e dava para ver um pouco de TV. O engra\u00e7ado \u00e9 que nos intervalos, em vez dos comerciais, v\u00edamos alguns testes que as pr\u00f3prias emissoras de TV faziam dos seus programas que logo depois iriam para o ar. Ou seja, l\u00e1 em Colmeia, nos intervalos a gente j\u00e1 via parte da programa\u00e7\u00e3o que os moradores das cidades grandes s\u00f3 iam ver mais tarde rsrs. Nunca havia visto nada parecido na minha &#8220;vida televisiva&#8221;, mas infelizmente n\u00e3o t\u00ednhamos uma c\u00e2mera para gravar.<\/p>\n<p>Nas primeiras vezes que eu vi televis\u00e3o, descobri tamb\u00e9m um outro costume da cidade. Como o calor era intenso, sempre v\u00edamos a TV com a porta aberta para entrar um ventinho, por isso quase sempre a varanda estava cheia de crian\u00e7as sentadas vendo televis\u00e3o com a gente. Naquela \u00e9poca, uma TV era coisa rara na cidade, boa parte da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o dispunha deste eletrodom\u00e9stico. Ent\u00e3o era de bom tom sempre deixar a porta aberta, mesmo que n\u00e3o tivesse muito calor, para que a crian\u00e7ada pudesse ver TV. E o mais interessante \u00e9 que nunca faziam nenhuma algazarra e sempre estavam com os olhinhos vidrados na telinha. \u00c0s vezes algumas crian\u00e7as adentravam \u00e0 sala, mas sempre com muita educa\u00e7\u00e3o, por isso a gente deixava rsrs.<\/p>\n<p>Na pr\u00f3xima publica\u00e7\u00e3o, a parte 8, voc\u00ea fica sabendo de uma hist\u00f3ria bem triste, que envolve crian\u00e7as abandonadas pelos pais e dadas ou vendidas por outros familiares. E eu quase fui envolvido em um caso desses. N\u00e3o perca.<\/p>\n<p><strong>\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026..<\/strong><\/p>\n<p><strong>Leia a parte 1:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/cafundo-do-judas\/\">https:\/\/www.notibras.com\/site\/cafundo-do-judas\/<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>Leia a parte 2:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/quase-morri\/\">https:\/\/www.notibras.com\/site\/quase-morri\/<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>Leia a parte 3:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/aqui-o-sistema-e-bruto\/\">https:\/\/www.notibras.com\/site\/aqui-o-sistema-e-bruto\/<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>Leia a parte 4:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/o-roubo-das-galinhas\/\">https:\/\/www.notibras.com\/site\/o-roubo-das-galinhas\/<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>Leia a parte 5:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/pipa-mortal\/\">https:\/\/www.notibras.com\/site\/pipa-mortal\/<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>Leia a parte 6: <a href=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/o-inspetor\/\">https:\/\/www.notibras.com\/site\/o-inspetor\/<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta \u00e9 uma hist\u00f3ria real. 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