{"id":5067,"date":"2026-09-24T04:01:40","date_gmt":"2026-09-24T07:01:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/?p=5067"},"modified":"2026-09-24T04:37:54","modified_gmt":"2026-09-24T07:37:54","slug":"hora-de-colocar-os-pingos-nos-is-sem-vestir-camisa-de-nenhum-candidato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/eleicoes-2026\/hora-de-colocar-os-pingos-nos-is-sem-vestir-camisa-de-nenhum-candidato\/","title":{"rendered":"Hora de colocar os pingos nos is sem vestir camisa de nenhum candidato"},"content":{"rendered":"<p>Em per\u00edodo eleitoral, quando paix\u00f5es tentam transformar reda\u00e7\u00f5es em comit\u00eas e jornalistas em cabos eleitorais, reafirmamos um princ\u00edpio que atravessa nossa hist\u00f3ria. Em <strong>Notibras<\/strong>, todas as vozes podem entrar pela porta da frente, mas nenhuma delas recebe a chave da reda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 \u00e9pocas em que fazer jornalismo \u00e9 como atravessar uma pra\u00e7a em dia de tempestade, com gritos, cobran\u00e7as, aplausos, insultos e dedos apontados de todos os lados. Um desses per\u00edodos \u00e9 a temporada eleitoral \u00e9 uma delas. \u00c9 o momento em que o eleitor escolhe candidato, militante levanta bandeira, partido define palanque e jornalismo escolhe perguntar.<\/p>\n<p>\u00c9 exatamente a\u00ed que <strong>Notibras<\/strong> permanece. Informando, mas mantendo o seu direito de interpretar a not\u00edcia.<\/p>\n<p>Nascemos em Bras\u00edlia, no fim do s\u00e9culo passado, quando a internet brasileira ainda aprendia a caminhar. Desde ent\u00e3o, assistimos \u00e0 passagem de presidentes, governadores, ministros, senadores, deputados, poderosos e candidatos que pareciam eternos, at\u00e9 descobrirem que a pol\u00edtica tamb\u00e9m conhece a porta de sa\u00edda.<\/p>\n<p>O jornal virtual permanece no ar, porque institui\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas n\u00e3o podem ter a dura\u00e7\u00e3o de um mandato nem trocar de princ\u00edpios conforme muda o ocupante de um gabinete.<\/p>\n<p>Em uma elei\u00e7\u00e3o, haver\u00e1 candidatos de direita, de esquerda, de centro e daqueles que preferem n\u00e3o dizer exatamente onde est\u00e3o. Tamb\u00e9m existir\u00e3o conservadores, progressistas, liberais e personagens que atravessam essas fronteiras conforme as circunst\u00e2ncias pol\u00edticas. Todos s\u00e3o not\u00edcia, e nenhum \u00e9 dono dela.<\/p>\n<p><strong>Notibras<\/strong> manter\u00e1 seu espa\u00e7o editorial aberto a entrevistas, opini\u00f5es, cr\u00edticas, contrapontos e informa\u00e7\u00f5es de interesse p\u00fablico. Isso n\u00e3o significa apoio. Uma reportagem cr\u00edtica n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de persegui\u00e7\u00e3o, como uma fotografia n\u00e3o ser\u00e1 declara\u00e7\u00e3o de voto, uma entrevista n\u00e3o ser\u00e1 ades\u00e3o e publicar a vers\u00e3o de um advers\u00e1rio n\u00e3o transformar\u00e1 ningu\u00e9m em inimigo.<\/p>\n<p>Tudo isso parece \u00f3bvio, mas em tempos de radicaliza\u00e7\u00e3o, o \u00f3bvio precisa ser escrito em letras grandes. No universo onde transita a comunica\u00e7\u00e3o, existe uma tenta\u00e7\u00e3o perigosa de medir a independ\u00eancia de um ve\u00edculo pelo crit\u00e9rio do &#8220;se publicou aquilo de que gosto, \u00e9 jornalismo; se publicou aquilo de que n\u00e3o gosto, vendeu-se ao outro lado.&#8221;<\/p>\n<p>Recusamos essa aritm\u00e9tica por ser totalmente falsa. Nosso compromisso n\u00e3o \u00e9 fazer carinho em candidato, tampouco produzir pauladas por encomenda. Parafraseando a <em>Folha de S.Paulo<\/em> de outrora, nosso compromisso \u00e9 com o leitor, com quem temos, sim, <em>o rabo preso<\/em>.<\/p>\n<p>Em outras palavras, candidatos poder\u00e3o receber elogios quando seus atos justificarem uma an\u00e1lise positiva e cr\u00edticas quando seus gestos merecerem escrut\u00ednio. Implica observar tamb\u00e9m que aquilo que dissermos hoje sobre determinado personagem pol\u00edtico n\u00e3o compra nosso sil\u00eancio amanh\u00e3.<\/p>\n<p><strong>Notibras<\/strong> n\u00e3o emite certificado de santidade nem escritura de propriedade sobre a verdade. Se erramos, corrigimos; se h\u00e1 outra vers\u00e3o relevante, publicamos; existem documentos, examinamos. Essa mesma linha \u00e9 seguida quando apuramos eventuais den\u00fancias; quando abrimos espa\u00e7o para respostas, porque o contradit\u00f3rio \u00e9 parte do jornalismo; e, ainda, se h\u00e1 mentira, cabe-nos confront\u00e1-la com fatos.<\/p>\n<p>Pluralidade n\u00e3o significa colocar verdade e falsidade na mesma balan\u00e7a e fingir que pesam igualmente. Tamb\u00e9m n\u00e3o cabe transformar uma reda\u00e7\u00e3o numa assembleia em que toda afirma\u00e7\u00e3o, por mais absurda que seja, conquiste automaticamente o mesmo valor.<\/p>\n<p>Pluralidade significa ouvir diferentes lados sem entregar a nenhum deles o controle da pauta. Esse \u00e9 o ponto mais importante, quando s\u00e3o colocados os respectivos pingos nos is.<\/p>\n<p><strong>Notibras<\/strong> n\u00e3o pretende dizer ao eleitor em quem votar, porque nossa tarefa \u00e9 oferecer informa\u00e7\u00e3o, contexto e interpreta\u00e7\u00e3o para que ele pr\u00f3prio decida. Entendemos que a urna e a consci\u00eancia pertencem ao cidad\u00e3o. Contudo, da independ\u00eancia editorial, n\u00e3o abrimos m\u00e3o.<\/p>\n<p>Em nossa caminhada, adotamos como princ\u00edpio \u201cA interpreta\u00e7\u00e3o da not\u00edcia\u201d. Interpretar, para n\u00f3s, nunca foi torcer. \u00c9 procurar o que existe atr\u00e1s da cortina, observar aquilo que a declara\u00e7\u00e3o oficial tenta esconder, contextualizar n\u00fameros, confrontar discursos e perguntar quem ganha, quem perde e quem paga a conta.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, essa interpreta\u00e7\u00e3o incomoda a terceiros, mas n\u00e3o nos aflige, porque imprensa feita apenas para agradar deixa de ser jornalismo e come\u00e7a a procurar outro nome.<\/p>\n<p>Certamente continuaremos a receber elogios de quem se sentir contemplado por determinada publica\u00e7\u00e3o, e cr\u00edticas das mesmas pessoas quando a reportagem seguinte contrariar seus interesses. Isso faz parte do of\u00edcio. Mesmo porque, n\u00e3o colecionamos aplausos, mas perguntas. Essa \u00e9 uma boa maneira de explicar o jornalismo plural que praticamos, particularmente nesta elei\u00e7\u00e3o. As portas continuam abertas para todos; os cofres da independ\u00eancia editorial, para ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>N\u00e3o temos candidato ou advers\u00e1rio de estima\u00e7\u00e3o. Temos not\u00edcia, sempre acompanhada, quando necess\u00e1rio, com interpreta\u00e7\u00e3o, ironia, cr\u00edtica e aquela velha lupa que jornalistas de cabelos j\u00e1 prateados aprenderam a carregar depois de tantos anos percorrendo corredores acarpetados do poder.<\/p>\n<p>Nunca ser\u00e1 tarde lembrar que governos passam, mandatos terminam, \u00eddolos eleitorais envelhecem e pal\u00e1cios trocam seus inquilinos. A not\u00edcia, por\u00e9m, continua batendo \u00e0 porta. E enquanto ela bater, <strong>Notibras<\/strong> estar\u00e1 aqui para abri-la, sem perguntar primeiro qual \u00e9 o partido de quem tocou a campainha.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;<\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Seabra \u00e9 CEO fundador de Notibras<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em per\u00edodo eleitoral, quando paix\u00f5es tentam transformar reda\u00e7\u00f5es em comit\u00eas e jornalistas em cabos eleitorais, reafirmamos um princ\u00edpio que atravessa nossa hist\u00f3ria. Em Notibras, todas as vozes podem entrar pela porta da frente, mas nenhuma delas recebe a chave da reda\u00e7\u00e3o. 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