{"id":5432,"date":"2026-09-27T04:12:39","date_gmt":"2026-09-27T07:12:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/?p=5432"},"modified":"2026-09-27T04:16:29","modified_gmt":"2026-09-27T07:16:29","slug":"guardioes-da-paz-levam-seguranca-a-quem-mora-na-area-de-aguas-claras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/brasilia\/guardioes-da-paz-levam-seguranca-a-quem-mora-na-area-de-aguas-claras\/","title":{"rendered":"Guardi\u00f5es da paz levam seguran\u00e7a a quem mora na \u00e1rea de \u00c1guas Claras"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 lugares onde a paz n\u00e3o faz barulho, n\u00e3o ouve o toque da sirene, n\u00e3o pede passagem, n\u00e3o aparece nas manchetes, e simplesmente existe. \u00c9 percebida no homem que atravessa a cal\u00e7ada sem olhar tr\u00eas vezes para tr\u00e1s, na mulher que chega tarde e procura tranquilamente a chave dentro da bolsa, no casal que prolonga a conversa depois do jantar e no grupo de amigos que descobre, j\u00e1 madrugada adentro, que perdeu a no\u00e7\u00e3o das horas.<\/p>\n<p>Em \u00c1guas Claras, essa paz ainda encontra endere\u00e7o. No meio da imensa selva de pedras que cresceu em dire\u00e7\u00e3o ao c\u00e9u de Bras\u00edlia, existe um pequeno reino chamado Pa\u00e7o L\u00ednea Residence &amp; Mall. S\u00e3o cerca de 180 flats e, l\u00e1 embaixo, um peda\u00e7o da cidade respirando por conta pr\u00f3pria com barbearias, restaurantes, lanchonetes, padaria, pizzaria, boutiques e sal\u00f5es de beleza, com gente entrando, saindo, sentada \u00e0s mesas e vivendo sem maiores preocupa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 justamente isso que melhor defina a seguran\u00e7a, com a liberdade de viver sem precisar pensar o tempo inteiro no perigo. \u00c9 verdade que o direito de ir e vir est\u00e1 escrito na Constitui\u00e7\u00e3o, embora haja uma diferen\u00e7a enorme entre t\u00ea-lo impresso no papel e exerc\u00ea-lo numa cal\u00e7ada, \u00e0s duas da madrugada, sem que o cora\u00e7\u00e3o precise acelerar ao ouvir passos atr\u00e1s de si.<\/p>\n<p>No Pa\u00e7o L\u00ednea, h\u00e1 quem cuide para que essa diferen\u00e7a seja pequena. L\u00e1 est\u00e3o a postos os Guardi\u00f5es Noturnos. E como todo reino que se preze precisa conhecer pelo nome aqueles que vigiam seus port\u00f5es, temos M\u00e1rcio Robocop. N\u00e3o sei se \u00e9 feito de a\u00e7o como o personagem que lhe empresta o apelido, mas acredito que n\u00e3o. Mas h\u00e1 homens cuja armadura n\u00e3o est\u00e1 sobre a pele, mas na postura, na aten\u00e7\u00e3o e naquele olhar treinado para perceber o que os outros n\u00e3o percebem.<\/p>\n<p>Temos tamb\u00e9m Alexandre, o Grande. O original atravessou continentes \u00e0 frente de ex\u00e9rcitos; j\u00e1 o nosso n\u00e3o precisa conquistar a P\u00e9rsia nem chegar \u00e0s margens do Indo. Seu imp\u00e9rio \u00e9 menor, restrito a alguns metros de cal\u00e7ada, acessos, corredores, port\u00f5es e a responsabilidade silenciosa por centenas de pessoas. Convenhamos, por\u00e9m, que j\u00e1 \u00e9 territ\u00f3rio suficiente para qualquer conquistador.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5434 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/cb861ecc-9a49-4c9c-ae2f-cd07953ba290-169x300.jpg\" alt=\"\" width=\"360\" height=\"639\" \/>E temos Guilherme, o Rei Afrodescendente. Um rei sem coroa, cetro ou trono. Seu reino come\u00e7a onde termina a despreocupa\u00e7\u00e3o dos moradores. \u00c9 ali que ele assume o posto, observando quem chega, quem sai e o movimento ao redor.<\/p>\n<p>Robocop, Alexandre e Guilherme s\u00e3o tr\u00eas nomes que poderiam perfeitamente pertencer a personagens de uma aventura fant\u00e1stica, mesmo que perten\u00e7am \u00e0 vida real. Isso, por si s\u00f3, \u00e9 mais importantes. Enquanto eles vigiam, o pequeno reino segue sua rotina, onde algum pede pizza, outro corta o cabelo, algu\u00e9m compra p\u00e3o, uma mulher sai do sal\u00e3o mais bonita do que entrou, um casal escolhe uma mesa e os amigos chegam.<\/p>\n<p>Ah, os amigos&#8230; Esses aparecem dos pr\u00e9dios pr\u00f3ximos e aos poucos transformam aquele peda\u00e7o de \u00c1guas Claras numa esp\u00e9cie de pra\u00e7a medieval cercada por torres modernas. Sentam, jogam domin\u00f3, conversam, contam hist\u00f3rias, discutem futebol, pol\u00edtica, amores, desamores e as inevit\u00e1veis futricas da vida alheia. Eles confabulam durante o dia, sob a claridade do Cerrado, e depois, sob a luz do luar.<\/p>\n<p>E quando a noite resolve avan\u00e7ar sobre a madrugada, ningu\u00e9m parece preocupado em consultar demasiadamente o rel\u00f3gio, porque sabem que algu\u00e9m est\u00e1 acordado por eles, o que cria uma sensa\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria. Enquanto conversamos, algu\u00e9m observa; quando est\u00e3o rindo, tem que os vigie; quando levantam o copo para mais um brinde, h\u00e1 olhos atentos aos port\u00f5es. E enquanto voltas tranquilamente para casa, tr\u00eas sentinelas permanecem em seus postos.<\/p>\n<p>Seguran\u00e7a tem muito disso, porque n\u00e3o \u00e9 apenas impedir que alguma coisa aconte\u00e7a, mas permitir que a vida aconte\u00e7a. Tamb\u00e9m cabe a esses guardi\u00f5es devolver \u00e0s pessoas aquilo que as cidades grandes foram roubando aos poucos, como o prazer de permanecer na rua, conversar sem pressa, caminhar sem medo e descobrir que a madrugada pode ser apenas madrugada, e n\u00e3o uma amea\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00c1guas Claras cresceu para cima. Seus edif\u00edcios parecem querer disputar espa\u00e7o com as nuvens, onde dezenas de andares empilhando sonhos, fam\u00edlias, solid\u00f5es, encontros e hist\u00f3rias. Uma verdadeira selva de pedras, mas estas tamb\u00e9m precisam de clareiras. E o Pa\u00e7o L\u00ednea \u00e9 uma delas. Ali, entre uma pizza e um caf\u00e9, entre o p\u00e3o quente da padaria e a tesoura da barbearia, entre uma conversa s\u00e9ria e uma gargalhada absolutamente in\u00fatil, construiu-se a sensa\u00e7\u00e3o de pertencimento, algo que dinheiro algum compra sozinho.<\/p>\n<p>Porque condom\u00ednio n\u00e3o \u00e9 apenas concreto, como cidade n\u00e3o \u00e9 apenas asfalto, seguran\u00e7a n\u00e3o \u00e9 apenas c\u00e2mera e paz n\u00e3o \u00e9 simplesmente aus\u00eancia de viol\u00eancia, mas poder sentar-se com os amigos sabendo que ningu\u00e9m precisar\u00e1 fugir. \u00c9 poder demorar mais cinco minutos, mais dez, mais uma hora. \u00c9 olhar para o rel\u00f3gio e descobrir que j\u00e1 passou da meia-noite e concluir:<\/p>\n<p>\u2014 E da\u00ed?<\/p>\n<p>Robocop est\u00e1 ali. Alexandre, o Grande, tamb\u00e9m. E Guilherme, o Rei Afrodescendente, mant\u00e9m os olhos sobre o reino. Com isso, os moradores podem continuar conversando. \u00c9 exatamente isso que significa viver em liberdade, onde tem algu\u00e9m cuidando da porta para que cond\u00f4minos possam esquecer, por algumas horas, que existem portas.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/p>\n<p><strong>Carolina Paiva \u00e9 Editora de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 lugares onde a paz n\u00e3o faz barulho, n\u00e3o ouve o toque da sirene, n\u00e3o pede passagem, n\u00e3o aparece nas manchetes, e simplesmente existe. \u00c9 percebida no homem que atravessa a cal\u00e7ada sem olhar tr\u00eas vezes para tr\u00e1s, na mulher que chega tarde e procura tranquilamente a chave dentro da bolsa, no casal que prolonga [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5433,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[28],"tags":[29],"tmauthors":[27],"class_list":["post-5432","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-brasilia","tag-capa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5432","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5432"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5432\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5440,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5432\/revisions\/5440"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5433"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5432"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5432"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5432"},{"taxonomy":"tmauthors","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tmauthors?post=5432"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}