{"id":5442,"date":"2026-09-27T12:22:43","date_gmt":"2026-09-27T15:22:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/?p=5442"},"modified":"2026-09-27T12:22:43","modified_gmt":"2026-09-27T15:22:43","slug":"caneta-de-bia-deve-limpar-o-supremo-a-de-leila-e-vista-como-bola-fora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/eleicoes-2026\/caneta-de-bia-deve-limpar-o-supremo-a-de-leila-e-vista-como-bola-fora\/","title":{"rendered":"Caneta de Bia deve limpar o Supremo; a de Leila \u00e9 vista como bola fora"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 elei\u00e7\u00f5es em que se escolhe um rosto. H\u00e1 outras em que se escolhe uma ferramenta. A disputa pela segunda cadeira do Distrito Federal no Senado \u00e9, no fundo, uma escolha entre a bola e a caneta, e entre dois times que n\u00e3o jogam do mesmo lado da rede.<\/p>\n<p>A bola \u00e9 Leila Barros. Ningu\u00e9m tira dela o bronze de Atlanta e de Sydney. Mas o eleitor precisa saber em que time ela joga em 2026. Leila disputa a reelei\u00e7\u00e3o pela coliga\u00e7\u00e3o DF do Povo, a mesma de Erika Kokay (PT). No lan\u00e7amento da pr\u00e9-candidatura, em abril, quem subiu ao palco para defender sua reelei\u00e7\u00e3o foi Leandro Grass, candidato do PT ao governo.<\/p>\n<p>Em 16 de setembro, ela discursou no ato de Lula em Ceil\u00e2ndia, em apoio aos candidatos do partido \u00e0 Presid\u00eancia e ao governo do DF. A senadora que em 2021 deixou o PSB por causa da aproxima\u00e7\u00e3o do partido com Lula hoje faz campanha ao lado dele.<\/p>\n<p>A caneta \u00e9 Bia Kicis. Formada em Direito, foi procuradora do Distrito Federal de 1992 a 2015. Eleita deputada federal em 2018, voltou em 2022 com 214.733 votos, a maior vota\u00e7\u00e3o para a C\u00e2mara no DF naquele ano. Em 2021, presidiu a Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Por que isso importa agora? Porque o Senado \u00e9 a \u00fanica casa que pode julgar ministros do Supremo. E o caso Master encheu as gavetas. At\u00e9 abril, j\u00e1 eram 102 pedidos de impeachment contra ministros da Corte, 12 deles protocolados depois do esc\u00e2ndalo, contra Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Nenhum foi aprovado at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Agora, olhe quem indicou quem. Dias Toffoli, relator do caso Master at\u00e9 ser alvo de pedidos de impeachment, chegou ao Supremo em 2009 pelas m\u00e3os de Lula. Cristiano Zanin foi advogado pessoal de Lula antes de ser indicado por ele, em 2023. Fl\u00e1vio Dino era ministro da Justi\u00e7a de Lula quando foi nomeado, em 2024. Hoje, Dino relata o inqu\u00e9rito que investiga Lulinha, a lobista Roberta Luchsinger e Marcola.<\/p>\n<p>Quando senadores pediram o impeachment de Toffoli por sua atua\u00e7\u00e3o no caso Master, em janeiro, as assinaturas foram de Magno Malta, Eduardo Gir\u00e3o e Damares Alves. Nenhum senador do PT assinou. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil entender por qu\u00ea: nenhum partido costuma investigar a pr\u00f3pria escala\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 a\u00ed que a escolha vira aritm\u00e9tica. Para condenar um ministro, s\u00e3o necess\u00e1rios 54 dos 81 senadores. Cada cadeira que vai para a base do governo \u00e9 um voto a menos nessa conta. Uma senadora eleita no palanque de Lula dificilmente ser\u00e1 o voto que abre a gaveta dos ministros que Lula escolheu.<\/p>\n<p>Para ser justo, a r\u00e9gua n\u00e3o pode ter lado. Kassio Nunes Marques, alvo do pedido mais recente, foi indicado por Jair Bolsonaro. Por isso mesmo, o Senado precisa de quem trate o tema como mat\u00e9ria jur\u00eddica, n\u00e3o como lealdade partid\u00e1ria. Bia fez da pauta do impeachment o eixo de sua carreira pol\u00edtica. O eleitor pode discordar dela, mas sabe o que ela far\u00e1 com o voto.<\/p>\n<p>A Quaest desta semana mostra Leila com 19% e Bia com 15%, em empate t\u00e9cnico com Erika Kokay. Bia foi quem mais cresceu em duas semanas, de 11% para 15%, e os indecisos ainda s\u00e3o 11%. A segunda cadeira ser\u00e1 decidida por quem ainda n\u00e3o fechou o segundo voto.<\/p>\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o fez do Senado o freio do Supremo. S\u00f3 os senadores podem julgar um ministro da Corte. Nos \u00faltimos quatro anos, esse freio n\u00e3o foi acionado. Pedidos se acumularam, o caso Master revelou rela\u00e7\u00f5es entre ministros e um banqueiro preso, e nenhum processo saiu da gaveta. Quando o Legislativo abre m\u00e3o de fiscalizar, os outros poderes deixam de ter limite, e o equil\u00edbrio que a Constitui\u00e7\u00e3o desenhou vira letra morta. O Brasil n\u00e3o precisa de um poder acima dos outros. Precisa que cada poder volte a cumprir o seu papel, e o do Senado \u00e9 justamente fazer o contrapeso.<\/p>\n<p>Por isso, n\u00e3o, este n\u00e3o \u00e9 o momento do v\u00f4lei. N\u00e3o \u00e9 hora do esporte, das medalhas nem da simpatia. \u00c9 hora da justi\u00e7a. O Senado que toma posse em 2027 ter\u00e1 de decidir se continua assistindo ou se volta a ser o divisor entre os poderes. Para isso, precisa de quem conhe\u00e7a a Constitui\u00e7\u00e3o por dentro, e n\u00e3o de quem v\u00e1 votar com o time que indicou os ministros. A bola j\u00e1 teve seu tempo em quadra. Em 4 de outubro, \u00e9 hora da caneta.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<\/p>\n<p><strong>Aur\u00e9lio Zanotti, administrador de pol\u00edticas p\u00fablicas da \u00e1rea social<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 elei\u00e7\u00f5es em que se escolhe um rosto. H\u00e1 outras em que se escolhe uma ferramenta. A disputa pela segunda cadeira do Distrito Federal no Senado \u00e9, no fundo, uma escolha entre a bola e a caneta, e entre dois times que n\u00e3o jogam do mesmo lado da rede. A bola \u00e9 Leila Barros. 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