{"id":5904,"date":"2026-10-01T19:20:32","date_gmt":"2026-10-01T22:20:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/?p=5904"},"modified":"2026-10-01T19:26:17","modified_gmt":"2026-10-01T22:26:17","slug":"4-de-outubro-de-2026-quando-o-brasil-sera-chamado-a-olhar-para-si-mesmo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/leitura-vip\/4-de-outubro-de-2026-quando-o-brasil-sera-chamado-a-olhar-para-si-mesmo\/","title":{"rendered":"4 de outubro de 2026: quando o Brasil ser\u00e1 chamado a olhar para si mesmo"},"content":{"rendered":"<p>Em 4 de outubro de 2026, o Brasil n\u00e3o estar\u00e1 apenas diante de uma elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Estar\u00e1 diante de um espelho.<\/p>\n<p>Mais de 150 milh\u00f5es de brasileiros ir\u00e3o \u00e0s urnas para escolher presidente, governadores, senadores e deputados. O primeiro turno est\u00e1 marcado oficialmente para esse dia.<\/p>\n<p>Mas existe uma pergunta que nenhuma urna eletr\u00f4nica consegue responder por n\u00f3s:<\/p>\n<p>Que pa\u00eds queremos ser?<\/p>\n<p>Uma elei\u00e7\u00e3o pode escolher governantes.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o consegue, sozinha, transformar uma sociedade.<\/p>\n<p>Governantes podem criar leis, administrar recursos, estabelecer prioridades e conduzir pol\u00edticas p\u00fablicas. Mas nenhuma democracia funciona sem cidad\u00e3os capazes de reconhecer que tamb\u00e9m possuem responsabilidade sobre o destino coletivo.<\/p>\n<p>Por isso, talvez seja mais profundo dizer que, em 4 de outubro, n\u00e3o estar\u00e3o em julgamento apenas candidatos.<\/p>\n<p>Estar\u00e3o em julgamento nossas escolhas, nossos valores, nossas prioridades e nossa capacidade de distinguir promessa de realidade.<\/p>\n<p>O Brasil chega a esta elei\u00e7\u00e3o carregando contradi\u00e7\u00f5es que n\u00e3o come\u00e7aram ontem e que tampouco pertencem exclusivamente a um partido ou a um governo.<\/p>\n<p>Somos uma das maiores economias do mundo, mas convivemos com enormes desigualdades.<\/p>\n<p>Temos regi\u00f5es altamente desenvolvidas e outras que ainda enfrentam car\u00eancias b\u00e1sicas.<\/p>\n<p>Em 2025, o rendimento domiciliar per capita m\u00e9dio brasileiro foi de R$ 2.316. No mesmo ano, o valor foi de R$ 1.484 no Nordeste e R$ 1.568 no Norte, enquanto chegou a R$ 2.772 no Centro-Oeste. Esses n\u00fameros n\u00e3o s\u00e3o apenas estat\u00edsticas. Eles representam oportunidades diferentes de estudar, trabalhar, empreender, cuidar da sa\u00fade e construir um futuro.<\/p>\n<p>O Brasil n\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds \u00fanico quando observamos as condi\u00e7\u00f5es concretas de vida.<\/p>\n<p>H\u00e1 o Brasil das grandes cidades e o Brasil das pequenas comunidades.<\/p>\n<p>O Brasil do agroneg\u00f3cio altamente tecnol\u00f3gico e o do trabalhador rural que ainda enfrenta dificuldades de infraestrutura.<\/p>\n<p>O Brasil dos centros universit\u00e1rios e o das escolas que lutam diariamente contra a evas\u00e3o e a falta de recursos.<\/p>\n<p>O Brasil de quem pode pagar um plano de sa\u00fade e o de quem depende exclusivamente do sistema p\u00fablico.<\/p>\n<p>O Brasil de quem nasceu cercado de oportunidades e o de quem nasceu tentando sobreviver.<\/p>\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel discutir o futuro nacional sem olhar para essas diferen\u00e7as.<\/p>\n<p>O Brasil que trabalha<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m existe uma quest\u00e3o econ\u00f4mica que precisa ser enfrentada com seriedade.<\/p>\n<p>O brasileiro trabalha, produz, empreende e paga impostos.<\/p>\n<p>A carga tribut\u00e1ria bruta estimada para 2025 correspondeu a 32,40% do Produto Interno Bruto.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o, portanto, n\u00e3o deveria ser simplesmente entre \u201cmais Estado\u201d ou \u201cmenos Estado\u201d.<\/p>\n<p>A pergunta mais madura \u00e9:<\/p>\n<p>O cidad\u00e3o recebe servi\u00e7os p\u00fablicos compat\u00edveis com aquilo que a sociedade arrecada?<\/p>\n<p>E outra pergunta \u00e9 igualmente importante:<\/p>\n<p>Como financiar sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a, previd\u00eancia e infraestrutura sem transformar o sistema tribut\u00e1rio em um obst\u00e1culo permanente para quem produz?<\/p>\n<p>N\u00e3o existe resposta f\u00e1cil.<\/p>\n<p>Um Estado excessivamente pesado pode dificultar a atividade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Mas um Estado incapaz de garantir educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, seguran\u00e7a e prote\u00e7\u00e3o social tamb\u00e9m cobra um pre\u00e7o enorme da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O verdadeiro desafio talvez esteja em construir um Estado que seja, simultaneamente, respons\u00e1vel nas contas, eficiente na gest\u00e3o e humano na prote\u00e7\u00e3o dos mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>A desigualdade n\u00e3o pode ser esquecida<\/p>\n<p>Quando falamos em responsabilidade fiscal, precisamos lembrar que n\u00fameros tamb\u00e9m t\u00eam consequ\u00eancias humanas.<\/p>\n<p>Para uma fam\u00edlia de renda elevada, uma decis\u00e3o econ\u00f4mica pode significar uma redu\u00e7\u00e3o no patrim\u00f4nio.<\/p>\n<p>Para uma fam\u00edlia pobre, a mesma crise pode significar deixar de comprar alimentos.<\/p>\n<p>Para o pequeno empres\u00e1rio, uma combina\u00e7\u00e3o de impostos, juros, burocracia e inseguran\u00e7a pode significar fechar as portas.<\/p>\n<p>Para o trabalhador informal, pode significar simplesmente n\u00e3o ter renda no fim do m\u00eas.<\/p>\n<p>Por isso, uma pol\u00edtica p\u00fablica n\u00e3o deve ser avaliada apenas pela inten\u00e7\u00e3o de quem a prop\u00f5e.<\/p>\n<p>Deve ser examinada tamb\u00e9m por seus resultados.<\/p>\n<p>Quem paga?<\/p>\n<p>Quem recebe?<\/p>\n<p>Quem fica de fora?<\/p>\n<p>Quanto custa?<\/p>\n<p>\u00c9 sustent\u00e1vel?<\/p>\n<p>Produz depend\u00eancia ou cria oportunidades?<\/p>\n<p>Reduz ou aumenta desigualdades?<\/p>\n<p>Essas s\u00e3o perguntas que deveriam ocupar o centro de qualquer elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Educa\u00e7\u00e3o: talvez o verdadeiro projeto de pa\u00eds<\/p>\n<p>Existe ainda uma quest\u00e3o que deveria atravessar todas as disputas pol\u00edticas:<\/p>\n<p>o que estamos fazendo com nossas crian\u00e7as?<\/p>\n<p>Uma na\u00e7\u00e3o pode construir estradas, portos, aeroportos e pr\u00e9dios p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Mas, se n\u00e3o conseguir formar pessoas capazes de pensar, trabalhar, conviver e participar da vida democr\u00e1tica, ter\u00e1 constru\u00eddo infraestrutura sem construir plenamente o futuro.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio IBGE mostra que houve avan\u00e7os educacionais importantes, mas tamb\u00e9m que algumas metas estabelecidas para a educa\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o foram alcan\u00e7adas.<\/p>\n<p>E aqui est\u00e1 uma das grandes injusti\u00e7as brasileiras: a crian\u00e7a que nasce em uma fam\u00edlia pobre n\u00e3o escolheu nascer pobre.<\/p>\n<p>A crian\u00e7a que nasce em determinada regi\u00e3o n\u00e3o escolheu sua regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A crian\u00e7a que frequenta uma escola com menos recursos n\u00e3o escolheu essa escola.<\/p>\n<p>Uma sociedade verdadeiramente comprometida com a liberdade precisa, portanto, preocupar-se n\u00e3o apenas com a liberdade de escolher, mas tamb\u00e9m com a possibilidade real de cada pessoa desenvolver suas capacidades.<\/p>\n<p>Sem educa\u00e7\u00e3o de qualidade, a liberdade pode existir juridicamente e faltar concretamente.<\/p>\n<p>Seguran\u00e7a: o direito mais b\u00e1sico<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o podemos falar em dignidade sem falar de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>O crime organizado n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o policial. Ele interfere na economia, na vida comunit\u00e1ria, na juventude, no com\u00e9rcio, no transporte e na pr\u00f3pria capacidade do Estado de exercer sua autoridade.<\/p>\n<p>O Atlas da Viol\u00eancia do Ipea, por exemplo, analisa a distribui\u00e7\u00e3o territorial dos homic\u00eddios e a din\u00e2mica regional do crime organizado, mostrando que a viol\u00eancia brasileira possui caracter\u00edsticas muito diferentes conforme o territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Isso nos obriga a fugir das solu\u00e7\u00f5es simplistas.<\/p>\n<p>Seguran\u00e7a exige pol\u00edcia preparada, investiga\u00e7\u00e3o, intelig\u00eancia, sistema prisional funcional, combate \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es criminosas, preven\u00e7\u00e3o, oportunidades para os jovens e presen\u00e7a efetiva do Estado.<\/p>\n<p>N\u00e3o existe sociedade verdadeiramente livre quando o cidad\u00e3o precisa organizar sua vida pelo medo.<\/p>\n<p>E existe ainda a corrup\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>A corrup\u00e7\u00e3o n\u00e3o deveria ser utilizada apenas como arma eleitoral contra advers\u00e1rios.<\/p>\n<p>Ela deveria ser compreendida como uma doen\u00e7a institucional que pode atingir diferentes governos, partidos e estruturas de poder.<\/p>\n<p>Quando dinheiro p\u00fablico \u00e9 desviado, algu\u00e9m paga.<\/p>\n<p>Pode ser o paciente que espera por atendimento.<\/p>\n<p>Pode ser o estudante que permanece em uma escola sem estrutura.<\/p>\n<p>Pode ser o cidad\u00e3o que utiliza uma estrada prec\u00e1ria.<\/p>\n<p>Pode ser o trabalhador que paga impostos e n\u00e3o recebe o servi\u00e7o p\u00fablico esperado.<\/p>\n<p>Combater a corrup\u00e7\u00e3o, portanto, n\u00e3o deveria significar apenas perseguir corruptos.<\/p>\n<p>Deveria significar construir institui\u00e7\u00f5es capazes de dificultar o desvio, aumentar a transpar\u00eancia, responsabilizar os envolvidos e impedir que a impunidade se transforme em incentivo.<\/p>\n<p>Mas existe uma responsabilidade que n\u00e3o podemos transferir<\/p>\n<p>\u00c9 f\u00e1cil colocar toda a culpa nos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Mais dif\u00edcil \u00e9 olhar para n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p>Porque a democracia n\u00e3o \u00e9 formada apenas por governos.<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m \u00e9 formada pela sociedade que os elege, pelas institui\u00e7\u00f5es que os fiscalizam, pela imprensa que os questiona, pela Justi\u00e7a que aplica as leis e pelos cidad\u00e3os que decidem o que aceitam ou n\u00e3o aceitam.<\/p>\n<p>O problema come\u00e7a quando nos acostumamos com o absurdo.<\/p>\n<p>Quando achamos normal o favor pessoal substituir o direito.<\/p>\n<p>Quando defendemos um pol\u00edtico porque ele \u00e9 \u201cdo nosso lado\u201d, mas condenamos exatamente a mesma conduta quando praticada pelo advers\u00e1rio.<\/p>\n<p>Quando exigimos honestidade apenas de quem n\u00e3o votamos.<\/p>\n<p>Quando compartilhamos uma informa\u00e7\u00e3o falsa porque ela confirma aquilo em que j\u00e1 acreditamos.<\/p>\n<p>Quando confundimos patriotismo com torcida pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Uma democracia madura precisa de cidad\u00e3os capazes de cobrar o pr\u00f3prio lado.<\/p>\n<p>Essa talvez seja uma das maiores provas de maturidade democr\u00e1tica.<\/p>\n<p>O voto n\u00e3o \u00e9 um cheque em branco<\/p>\n<p>No dia 4 de outubro, cada cidad\u00e3o ter\u00e1 uma escolha.<\/p>\n<p>Mas essa escolha n\u00e3o deveria ser baseada apenas em simpatia, medo, raiva ou promessa.<\/p>\n<p>Deveria envolver perguntas dif\u00edceis:<\/p>\n<p>Qual \u00e9 a trajet\u00f3ria desse candidato?<\/p>\n<p>O que ele realmente realizou?<\/p>\n<p>Quais s\u00e3o suas propostas?<\/p>\n<p>Quanto elas custam?<\/p>\n<p>De onde vir\u00e3o os recursos?<\/p>\n<p>Como pretende enfrentar a viol\u00eancia?<\/p>\n<p>Como pretende melhorar a educa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Como pretende reduzir desigualdades?<\/p>\n<p>Como pretende estimular o crescimento econ\u00f4mico?<\/p>\n<p>Como pretende preservar as institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas?<\/p>\n<p>Como pretende lidar com aqueles que pensam diferente?<\/p>\n<p>E, talvez acima de todas:<\/p>\n<p>o que existe de concreto al\u00e9m do discurso?<\/p>\n<p>N\u00e3o devemos entregar nossa consci\u00eancia pol\u00edtica a ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>Nem \u00e0 esquerda.<\/p>\n<p>Nem \u00e0 direita.<\/p>\n<p>Nem ao centro.<\/p>\n<p>Nem a partidos.<\/p>\n<p>Nem a influenciadores.<\/p>\n<p>Nem \u00e0s redes sociais.<\/p>\n<p>Nem ao medo.<\/p>\n<p>Nem ao \u00f3dio.<\/p>\n<p>O voto pertence ao cidad\u00e3o.<\/p>\n<p>O verdadeiro julgamento<\/p>\n<p>Por isso, talvez seja exagerado dizer que em 4 de outubro apenas os governantes estar\u00e3o sendo julgados.<\/p>\n<p>De certa maneira, todos n\u00f3s estaremos sendo chamados a prestar contas diante da pr\u00f3pria consci\u00eancia.<\/p>\n<p>N\u00e3o porque uma elei\u00e7\u00e3o possa ser reduzida a uma batalha entre \u201cbons\u201d e \u201cmaus\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o porque um candidato represente sozinho o futuro do pa\u00eds.<\/p>\n<p>E muito menos porque exista uma solu\u00e7\u00e3o simples para problemas constru\u00eddos ao longo de d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Mas porque cada gera\u00e7\u00e3o recebe uma parte do Brasil e entrega outra \u00e0s gera\u00e7\u00f5es seguintes.<\/p>\n<p>E essa responsabilidade n\u00e3o pode ser terceirizada.<\/p>\n<p>O Brasil que receberemos amanh\u00e3 depender\u00e1 das escolhas que fizermos hoje \u2014 mas tamb\u00e9m do trabalho realizado depois da elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Porque nenhum presidente governa sozinho.<\/p>\n<p>Nenhum Congresso funciona sem participa\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Nenhum governador resolve todos os problemas de um Estado.<\/p>\n<p>Nenhuma pol\u00edtica p\u00fablica substitui a responsabilidade das fam\u00edlias, das empresas, das escolas, das comunidades e dos pr\u00f3prios cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>O Brasil que precisamos construir<\/p>\n<p>Talvez a grande pergunta de 4 de outubro n\u00e3o seja:<\/p>\n<p>\u201cQuem vai vencer?\u201d<\/p>\n<p>Mas:<\/p>\n<p>\u201cQue tipo de Brasil queremos ajudar a construir depois que a elei\u00e7\u00e3o terminar?\u201d<\/p>\n<p>Um Brasil em que a responsabilidade fiscal seja compat\u00edvel com a justi\u00e7a social.<\/p>\n<p>Em que o crescimento econ\u00f4mico produza oportunidades.<\/p>\n<p>Em que o empreendedor n\u00e3o seja tratado como inimigo.<\/p>\n<p>Em que o trabalhador tenha dignidade.<\/p>\n<p>Em que o pobre n\u00e3o seja lembrado apenas durante as campanhas.<\/p>\n<p>Em que a educa\u00e7\u00e3o seja prioridade verdadeira, e n\u00e3o apenas promessa.<\/p>\n<p>Em que a seguran\u00e7a p\u00fablica proteja o cidad\u00e3o e enfrente as organiza\u00e7\u00f5es criminosas.<\/p>\n<p>Em que a corrup\u00e7\u00e3o seja combatida independentemente de quem esteja no poder.<\/p>\n<p>Em que as institui\u00e7\u00f5es sejam respeitadas.<\/p>\n<p>Em que a liberdade venha acompanhada de responsabilidade.<\/p>\n<p>Em que diverg\u00eancia pol\u00edtica n\u00e3o seja confundida com inimizado.<\/p>\n<p>E em que o cidad\u00e3o compreenda que democracia n\u00e3o termina quando a urna \u00e9 desligada.<\/p>\n<p>A elei\u00e7\u00e3o passa.<\/p>\n<p>Os governos passam.<\/p>\n<p>Os partidos passam.<\/p>\n<p>Os presidentes passam.<\/p>\n<p>Mas o Brasil permanece.<\/p>\n<p>E talvez seja justamente essa a maior responsabilidade de uma gera\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>n\u00e3o entregar aos nossos filhos um pa\u00eds perfeito \u2014 porque nenhum pa\u00eds \u00e9 perfeito \u2014, mas entregar um pa\u00eds um pouco mais justo, mais livre, mais seguro, mais educado, mais pr\u00f3spero e mais consciente do seu pr\u00f3prio potencial.<\/p>\n<p>No dia 4 de outubro, o Brasil escolher\u00e1 seus governantes.<\/p>\n<p>Mas, no dia 5, come\u00e7ar\u00e1 novamente a tarefa que nenhuma elei\u00e7\u00e3o pode realizar por n\u00f3s:<\/p>\n<p>a constru\u00e7\u00e3o cotidiana do pa\u00eds que desejamos ser.<\/p>\n<p>Porque a hist\u00f3ria de uma na\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 escrita apenas pelos governantes.<\/p>\n<p>\u00c9 escrita tamb\u00e9m pelas escolhas, pelas omiss\u00f5es, pela coragem e pela responsabilidade de seu povo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 4 de outubro de 2026, o Brasil n\u00e3o estar\u00e1 apenas diante de uma elei\u00e7\u00e3o. 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