{"id":6086,"date":"2026-10-04T04:10:01","date_gmt":"2026-10-04T07:10:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/?p=6086"},"modified":"2026-10-04T07:10:23","modified_gmt":"2026-10-04T10:10:23","slug":"mostra-leva-ao-rio-quase-sete-decadas-de-producao-de-ruy-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/leitura-vip\/mostra-leva-ao-rio-quase-sete-decadas-de-producao-de-ruy-guerra\/","title":{"rendered":"Mostra leva ao Rio quase sete d\u00e9cadas de produ\u00e7\u00e3o de Ruy Guerra"},"content":{"rendered":"<p>Uma carreira extensa e repleta de realiza\u00e7\u00f5es reconhecidas pela cr\u00edtica e pelo p\u00fablico. A Retrospectiva Ruy Guerra \u2013 Uma Vida de Cinema traz destaques dessa trajet\u00f3ria em 17 longas-metragens do diretor e dois document\u00e1rios feitos sobre a vida e obra dele. A mostra pode ser visitada gratuitamente at\u00e9 o dia 16 na Caixa Cultural Rio de Janeiro, no centro da cidade.<\/p>\n<p>A programa\u00e7\u00e3o tem filmes que passam por quase sete d\u00e9cadas de cinema, incluindo o primeiro longa-metragem de Ruy, Os Cafajestes (1962), at\u00e9 A F\u00faria (2024), sua obra mais recente. Este \u00faltimo filme encerra a chamada Trilogia dos Fuzis, que come\u00e7ou com Os Fuzis (1964) e seguiu com A Queda (1978). Essas tr\u00eas obras realizadas ao longo de seis d\u00e9cadas s\u00e3o ligadas por um \u00fanico personagem.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o tr\u00eas filmes sobre um personagem o M\u00e1rio que \u00e9 um cara de uma retid\u00e3o muito grande e por isso \u00e9 muito abalado na vida\u201d disse o curador e cineasta Aristeu Ara\u00fajo em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<p>O p\u00fablico vai poder assistir a um filme raro em vers\u00e3o restaurada. Ternos Ca\u00e7adores (1969) \u00e9 uma produ\u00e7\u00e3o francesa que durante d\u00e9cadas esteve praticamente inacess\u00edvel ao p\u00fablico brasileiro. Essa \u00e9 uma das obras menos vistas da filmografia de Ruy Guerra, que agora chega \u00e0 circula\u00e7\u00e3o em 4k.<\/p>\n<p>\u201cDurante o processo do projeto a gente descobriu que o filme foi produzido na Fran\u00e7a na d\u00e9cada de 1960 e dirigido pelo Ruy. Estava praticamente perdido e n\u00e3o era exibido h\u00e1 muito tempo, mas tinha sido restaurado em 4K e vamos exibir, o que ocorreu em rar\u00edssimas exce\u00e7\u00f5es. Foi exibido em Curitiba e aqui no Rio pelo anivers\u00e1rio do Ruy Guerra em agosto\u201d, contou, acrescentando que existia uma c\u00f3pia muito deteriorada, em pel\u00edcula, no Brasil, que mal podia ser assistida, por isso, n\u00e3o era exibida. \u201cAgora, a restaurada \u00e9 de muito boa qualidade.\u201d<\/p>\n<p>\u201cO filme teve uma carreira boa, pelo que o Ruy fala, no lan\u00e7amento na Fran\u00e7a e na Espanha tamb\u00e9m foi bem, mas aqui no Brasil foi pouqu\u00edssimo exibido. \u00c9 uma oportunidade muito interessante para o p\u00fablico assistir\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O filme Kuarup, que \u00e9 muito importante na carreira do cineasta e concorreu \u00e0 Palma de Ouro em Cannes, tamb\u00e9m enfrenta falta de qualidade de c\u00f3pias e n\u00e3o h\u00e1 nenhuma digital minimamente poss\u00edvel de ser exibida. \u201cA gente exibiu em Curitiba, mas com aviso para o p\u00fablico. Eu falava antes das exibi\u00e7\u00f5es que era a \u00fanica c\u00f3pia poss\u00edvel de ser exibida. Agora no Rio, a gente vai ter a possibilidade de exibi-lo em pel\u00edcula\u201d, afirmou, informando que a c\u00f3pia em pel\u00edcula \u00e9 guardada no Arquivo Nacional.<\/p>\n<p>Os document\u00e1rios que fazem parte da mostra s\u00e3o O Homem que Matou John Wayne (2015), de Bruno Laet e Diogo Oliveira, no qual Ruy Guerra tem um encontro inesperado com o ator americano em uma viagem po\u00e9tica pelas ideias do cineasta. O outro document\u00e1rio \u00e9 Tempo Ruy (2021), de Adilson Mendes, sobre o trabalho do cineasta, escritor, ator e dramaturgo.<\/p>\n<p><strong>Curadoria<\/strong><br \/>\nSegundo Ara\u00fajo, a inten\u00e7\u00e3o sempre foi reunir na mostra todos os filmes de Ruy Guerra que pudessem ser exibidos em uma retrospectiva mais ampla do trabalho dele. Como em muitos casos \u00e9 dif\u00edcil ter a preserva\u00e7\u00e3o adequada de filmes no cinema nacional, a organiza\u00e7\u00e3o precisou fazer um grande trabalho de pesquisa e localiza\u00e7\u00e3o de c\u00f3pias.<\/p>\n<p>De acordo com o curador, a filmografia de Ruy Guerra tem muitos materiais deteriorados por causa do tempo e da m\u00e1 conserva\u00e7\u00e3o ou do dif\u00edcil acesso. Grande parte das obras dele \u00e9 em pel\u00edcula e, quando n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de exibir neste tipo de material, tem que buscar as obras em arquivos digitais.<\/p>\n<p>\u201cUm grande problema \u00e9 como essas c\u00f3pias foram passadas para o digital. \u00c0s vezes n\u00e3o foram bem telecinadas [telecinagem \u00e9 o processo e transposi\u00e7\u00e3o da pel\u00edcula para o arquivo digital], s\u00e3o c\u00f3pias muito antigas com resolu\u00e7\u00e3o baixa\u201d, explicou.<\/p>\n<p><strong>Gratuidade<\/strong><br \/>\nPara o curador, a entrada gratuita na mostra vai permitir uma divulga\u00e7\u00e3o maior do trabalho do cineasta. \u201c\u00c9 uma esp\u00e9cie de democratiza\u00e7\u00e3o da cultura do cinema brasileiro fazer este tipo de movimento, por isso a gente insistiu em fazer tudo gratuito\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Aos 95 anos, Ruy Guerra, que tamb\u00e9m \u00e9 roteirista, dramaturgo, poeta e compositor, vai presentear os visitantes da mostra com uma masterclass, dedicada \u00e0 constru\u00e7\u00e3o art\u00edstica e pol\u00edtica da Trilogia dos Fuzis. O encontro ser\u00e1 neste s\u00e1bado (3), \u00e0s 18h. O ingresso tem que ser retirado meia hora antes, na bilheteria da Caixa Cultural.<\/p>\n<p>Ruy Guerra nasceu em Mo\u00e7ambique, enquanto aquele pa\u00eds africano atravessava o dom\u00ednio colonial portugu\u00eas. Saiu de l\u00e1 durante o per\u00edodo de surgimento do movimento cinematogr\u00e1fico franc\u00eas conhecido como nouvelle vague, para estudar cinema em Paris.<\/p>\n<p>A chegada ao Brasil foi em 1958 e em poucos anos ele se tornou um dos principais nomes do Cinema Novo, ao lado de Glauber Rocha (1939-1981) e Cac\u00e1 Diegues (1940-2025). O olhar pol\u00edtico, o di\u00e1logo constante com outras linguagens art\u00edsticas e a experimenta\u00e7\u00e3o est\u00e9tica marcam as obras de Ruy Guerra.<\/p>\n<p>Ara\u00fajo descreveu a produ\u00e7\u00e3o do cineasta como diversa porque ele n\u00e3o tem um tema espec\u00edfico, apesar de falar muito de quest\u00f5es pol\u00edticas. \u201cEle \u00e9 um homem de esquerda e muito revoltado com a opress\u00e3o. Isso \u00e9 um ponto em comum e grande parte dos filmes dele traz as pessoas que s\u00e3o oprimidas e est\u00e3o revoltadas com um certo status quo\u201d, apontou.<\/p>\n<p><strong>Literatura<\/strong><br \/>\nOutro destaque da filmografia de Ruy Guerra \u00e9 a presen\u00e7a da literatura. Ruy Guerra adaptou para o cinema, entre outros, textos de escritores como Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez (1927-2014) e Antonio Callado (1917-1997), mas tamb\u00e9m se dedicou a pe\u00e7as, poemas e letras de m\u00fasicas interpretadas e compostas com grandes nomes da MPB, como Milton Nascimento, Francis Hime e Chico Buarque.<\/p>\n<p>O cat\u00e1logo digital preparado especialmente para a retrospectiva traz uma entrevista in\u00e9dita feita pelo curador e organizador da mostra com o cineasta. Nela, Ruy revelou que sempre teve uma paix\u00e3o muito grande pela palavra e antes de tudo queria ser escritor.<\/p>\n<p>\u201cEle queria trabalhar com literatura, queria ser escritor, mas na juventude o pai fez press\u00e3o para ter uma profiss\u00e3o. Ele j\u00e1 gostava muito de cinema e falou que o cinema \u00e9 uma m\u00e1 profiss\u00e3o, mas \u00e9 uma profiss\u00e3o. Ele nunca se distanciou da literatura\u201d, disse Aristeu Ara\u00fajo.<\/p>\n<p>Antes de chegar ao Rio, a Retrospectiva Ruy Guerra \u2013 Uma Vida de Cinema, esteve na Caixa Cultural de Curitiba, onde o p\u00fablico p\u00f4de assistir a uma filmografia que atravessou momentos hist\u00f3ricos do Brasil. Situa\u00e7\u00f5es como viol\u00eancia, desigualdade, poder, liberdade e justi\u00e7a social est\u00e3o presentes de diferentes formas nas obras do cineasta, que, perto de completar 100 anos, permanece produzindo. \u201cEle tem essa hist\u00f3ria em que fala que vai filmar at\u00e9 s\u00f3 100 anos para depois se dedicar \u00e0 literatura\u201d, contou o curador.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma carreira extensa e repleta de realiza\u00e7\u00f5es reconhecidas pela cr\u00edtica e pelo p\u00fablico. 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