{"id":6099,"date":"2026-10-04T07:53:29","date_gmt":"2026-10-04T10:53:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/?p=6099"},"modified":"2026-10-04T07:53:29","modified_gmt":"2026-10-04T10:53:29","slug":"brasiliense-se-decepciona-com-politica-mas-mantem-olhos-nas-eleicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/brasilia\/brasiliense-se-decepciona-com-politica-mas-mantem-olhos-nas-eleicoes\/","title":{"rendered":"Brasiliense se decepciona com pol\u00edtica, mas mant\u00e9m olhos nas elei\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>O eleitor do Distrito Federal vive uma aparente contradi\u00e7\u00e3o \u00e0s v\u00e9speras das elei\u00e7\u00f5es. Embora demonstre desencanto com a pol\u00edtica, continue incomodado com a polariza\u00e7\u00e3o e veja com pessimismo o ambiente pol\u00edtico, ele n\u00e3o desligou o radar: acompanha as campanhas e mant\u00e9m elevado o consumo de not\u00edcias sobre o assunto.<\/p>\n<p>\u00c9 o que revela levantamento do Observa DF, grupo de pesquisa vinculado \u00e0 Universidade de Bras\u00edlia (UnB). Segundo o estudo, apenas 36% dos eleitores da capital se consideram muito interessados ou interessados em pol\u00edtica. Outros 38% dizem ter pouco interesse, enquanto 26% afirmam n\u00e3o ter interesse algum.<\/p>\n<p>O \u00edndice coloca o Distrito Federal abaixo da m\u00e9dia brasileira. Dados do Latin American Public Opinion Project (Lapop) apontam que 53% dos brasileiros demonstram muito ou algum interesse por pol\u00edtica \u2014 diferen\u00e7a de 17 pontos percentuais em rela\u00e7\u00e3o ao resultado registrado no DF.<\/p>\n<p>O desencanto, entretanto, n\u00e3o significa completo afastamento das urnas. Quando a pergunta se concentra especificamente nas campanhas eleitorais, o interesse cresce: 41% dos entrevistados dizem acompanhar o per\u00edodo eleitoral com muito ou algum interesse.<\/p>\n<p>Para Lucio Renn\u00f3, cientista pol\u00edtico, professor da UnB e um dos coordenadores do levantamento, parte dessa contradi\u00e7\u00e3o pode ser explicada pelo desgaste provocado pela polariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo ele, o acirramento dos conflitos transformou a discuss\u00e3o pol\u00edtica em um ambiente cada vez mais dividido e agressivo. Em vez de estimular a participa\u00e7\u00e3o, esse cen\u00e1rio acaba afastando parte da popula\u00e7\u00e3o do debate p\u00fablico.<\/p>\n<p>Essa percep\u00e7\u00e3o aparece tamb\u00e9m entre os jovens entrevistados. Lucas Faria, de 22 anos, estudante de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, afirma que passou a se interessar menos por pol\u00edtica ao n\u00e3o encontrar candidatos que representassem seus valores.<\/p>\n<p>Para ele, a divis\u00e3o do eleitorado em dois grandes campos limita as alternativas e fortalece a l\u00f3gica do chamado \u201cvoto \u00fatil\u201d, pela qual o eleitor \u00e9 pressionado a escolher um dos nomes considerados competitivos, mesmo que n\u00e3o seja aquele com quem mais se identifica.<\/p>\n<p>Se a pol\u00edtica decepciona, as not\u00edcias sobre ela continuam atraindo aten\u00e7\u00e3o. O levantamento mostra que 41% dos entrevistados acompanham diariamente informa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas \u2014 exatamente o mesmo percentual daqueles que demonstram muito ou algum interesse pelas campanhas eleitorais.<\/p>\n<p>O engajamento presencial, por\u00e9m, perdeu espa\u00e7o. Segundo a pesquisa, 33% dos eleitores disseram ter acompanhado pouco de perto as atividades relacionadas ao pleito.<\/p>\n<p>Renn\u00f3 observa que a pr\u00f3pria maneira de fazer campanha mudou. Com\u00edcios, reuni\u00f5es pol\u00edticas, distribui\u00e7\u00e3o ou utiliza\u00e7\u00e3o de material eleitoral e outras formas tradicionais de milit\u00e2ncia presencial passaram a disputar espa\u00e7o com uma participa\u00e7\u00e3o mais individualizada.<\/p>\n<p>O eleitor prefere, cada vez mais, procurar informa\u00e7\u00f5es pela televis\u00e3o, pelos ve\u00edculos tradicionais de comunica\u00e7\u00e3o e pela internet. Na avalia\u00e7\u00e3o do pesquisador, a pesquisa consegue captar justamente essa transforma\u00e7\u00e3o no comportamento eleitoral.<\/p>\n<p>Os notici\u00e1rios aparecem como principal fonte de informa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para 36% dos entrevistados. As redes sociais v\u00eam logo depois, mencionadas por 28%. Entre aqueles que recorrem \u00e0s plataformas digitais, 40% apontam o Instagram como fonte de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A estudante de direito Sofia Melo, de 22 anos, tamb\u00e9m demonstra frustra\u00e7\u00e3o. Ela afirma ter reduzido o acompanhamento de debates e materiais eleitorais por considerar que boa parte dos candidatos deixou de discutir pol\u00edticas p\u00fablicas para concentrar esfor\u00e7os na disputa pol\u00edtica propriamente dita.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da estudante, a polariza\u00e7\u00e3o empobrece a troca de ideias e prejudica a forma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia pol\u00edtica.<\/p>\n<p>O problema ganha dimens\u00e3o especial entre os jovens. O relat\u00f3rio aponta esse grupo como um dos mais suscet\u00edveis \u00e0s chamadas bolhas informacionais, fen\u00f4meno provocado, entre outros fatores, pela l\u00f3gica dos algoritmos das plataformas digitais.<\/p>\n<p>Ao oferecer conte\u00fados semelhantes \u00e0queles que o usu\u00e1rio j\u00e1 consome ou com os quais costuma concordar, as redes podem reduzir o contato com posi\u00e7\u00f5es divergentes e refor\u00e7ar convic\u00e7\u00f5es previamente estabelecidas.<\/p>\n<p>Sofia diz, por isso, preferir buscar informa\u00e7\u00f5es na imprensa profissional, diante da dissemina\u00e7\u00e3o de not\u00edcias falsas e conte\u00fados tendenciosos nas redes e em grupos de amigos.<\/p>\n<p>Talvez um dos dados mais reveladores do levantamento esteja justamente nas conversas cotidianas.<\/p>\n<p>Para 44% dos entrevistados, os di\u00e1logos sobre a campanha eleitoral s\u00e3o estressantes ou frustrantes. Apenas 28% consideram essas conversas interessantes e informativas. Outros 28% simplesmente afirmam n\u00e3o conversar sobre pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Os sentimentos positivos tamb\u00e9m s\u00e3o minorit\u00e1rios. Somente 36% dizem sentir esperan\u00e7a diante do cen\u00e1rio pol\u00edtico brasileiro, enquanto 29% se declaram entusiasmados.<\/p>\n<p>O retrato desenhado pelo Observa DF \u00e9, portanto, de um eleitor que n\u00e3o abandonou a pol\u00edtica, mas parece cansado da forma como ela vem sendo praticada e debatida.<\/p>\n<p>Na capital da Rep\u00fablica, onde est\u00e3o o Pal\u00e1cio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, a pol\u00edtica permanece inevitavelmente pr\u00f3xima. Mas, entre interesse, frustra\u00e7\u00e3o e polariza\u00e7\u00e3o, o brasiliense parece ter encontrado uma nova maneira de participar: observa mais, informa-se \u00e0 dist\u00e2ncia e se exp\u00f5e menos ao confronto direto.<\/p>\n<p>O levantamento ouviu mil eleitores residentes no Distrito Federal entre 7 e 15 de setembro de 2026. A amostra foi distribu\u00edda por 29 pontos de coleta, agrupados em cinco faixas de renda das regi\u00f5es administrativas do DF.<\/p>\n<p>A pesquisa informa n\u00edvel de confian\u00e7a de 95% e margem de erro de aproximadamente 3,1 pontos percentuais.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/p>\n<p><strong>Marta Nobre \u00e9 Editora Executiva de Notibras<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O eleitor do Distrito Federal vive uma aparente contradi\u00e7\u00e3o \u00e0s v\u00e9speras das elei\u00e7\u00f5es. Embora demonstre desencanto com a pol\u00edtica, continue incomodado com a polariza\u00e7\u00e3o e veja com pessimismo o ambiente pol\u00edtico, ele n\u00e3o desligou o radar: acompanha as campanhas e mant\u00e9m elevado o consumo de not\u00edcias sobre o assunto. \u00c9 o que revela levantamento do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6100,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[28],"tags":[],"tmauthors":[27],"class_list":["post-6099","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-brasilia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6099","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6099"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6099\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6101,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6099\/revisions\/6101"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6100"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6099"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6099"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6099"},{"taxonomy":"tmauthors","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tmauthors?post=6099"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}